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Jasmine Olga

Jasmine Olga

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

FECHAMENTO DO DIA

Com dólar e juros em queda firme, Ibovespa resgata otimismo e fecha acima dos 118 mil pontos

A repercussão da ata do Federal Reserve seguiu no pregão desta quinta-feira (08). Com os mercados mais amenos, a bolsa brasileira buscou forças para ir além

Jasmine Olga
Jasmine Olga
8 de abril de 2021
18:18 - atualizado às 18:50
Dólar em queda
Imagem: Shutterstock

Mesmo com uma agenda de divulgações econômicas esvaziada nesta quinta-feira (08), o mercado financeiro teve uma grande quantidade de informações para digerir. É bem verdade que de concreto mesmo pouco se tem, mas após dois pregões de pouca movimentação, o Ibovespa finalmente encontrou forças, ainda que tenha fechado o dia longe das máximas.  

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No exterior, o clima ameno perdurou durante todo o dia, com os investidores ainda repercutindo a ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve, divulgada ontem. Com os sinais de manutenção dos estímulos monetários mais uma vez confirmados e a leitura de que os juros futuros americanos só dispararam nos últimos meses por causa das melhores projeções para a economia americana, o Dollar Index recuou, assim como o rendimento dos Treasuries. 

Nesse cenário, o dólar à vista chegou a recuar 1,83% na mínima do dia, mas fechou com uma queda um pouco mais modesta, de 1,23%, aos R$ 5,5742. Sem ventos de Brasília jogando contra, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou a sessão em alta de 0,59%, aos 118.313 pontos - maior nível desde o dia 19 de fevereiro.

O real teve a melhor performance se comparado com moedas de outros países emergentes. Ricardo Guerra, head de câmbio da Acqua Investimentos, explica que o posicionamento do Fed reforça a expectativa por mais liquidez, o que deve beneficiar países emergentes. Além disso, também tivemos alguns fatores locais de alívio, como a fala do ministro Paulo Guedes em evento durante a tarde. Guedes afirmou que a moeda brasileira deve se valorizar após as reformas estruturais. 

A quarta-feira (07) acabou ficando marcada por um “soluço” no mercado após o presidente Jair Bolsonaro voltar a mostrar insatisfação com a política de preços da Petrobras e cobrar previsibilidade da estatal. A situação levou o mercado de juros a fechar o dia nas máximas, mas hoje, os principais contratos operaram em queda firme, fechando a sessão nas mínimas após declarações do diretor do Banco Central, Fabio Kanczuk.

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Kanczuk voltou a afirmar que uma nova alta de 0,75 ponto percentual deve ocorrer na próxima reunião, em maio, diminuindo as apostas de um aumento maior do que já havia sido sinalizado, e que o BC não atuará de olho no quadro fiscal. Tivemos falas também do secretário do Tesouro, Bruno Funchal, que comentou questões relacionadas ao Orçamento em live promovida pelo Broadcast. Funchal defendeu vetos no texto e a redução dos ruídos políticos. Confira o fechamento do dia dos principais vencimentos de juros:

Leia Também

  • Janeiro/2022: de 4,73% para 4,66%
  • Janeiro/2023: de 6,68% para 6,48%
  • Janeiro/2025: de 8,38% para 8,11%
  • Janeiro/2027: de 8,99% para 8,75%

Abrindo o tempo

O fator local que mais tem pressionado os ativos brasileiros segue sem definição, mas os investidores optaram por se agarrar nos poucos sinais positivos para alçar voos maiores. 

O dia começou com a repercussão do jantar do presidente da República, Jair Bolsonaro, com empresários, que contou com a participação de Rubens Ometto (Cosan), Paulo Skaf (Fiesp), Claudio Lottenberg (Hospital Albert Einstein), André Esteves (BTG Pactual), Davi Safra (Safra), Luiz Carlos Trabuco (Bradesco) e importantes figuras do governo como Roberto Campos Neto, presidente do BC, Tarcísio Freitas (Infraestrutura), Onyx Lorenzoni (Secretaria Geral da Presidência), Fábio Faria (deputado federal) e Marcelo Queiroga (ministro da Saúde). 

Durante o jantar, o governo mais uma vez enfatizou a necessidade de uma aceleração da vacinação para a recuperação econômica. Essa deve ser uma meta difícil de cumprir tendo em vista que o Instituto Butantan paralisou a sua produção por falta de insumos e a compra de novas doses esbarra em diversos obstáculos. Hoje o país registrou um novo recorde de óbitos desde o início da pandemia, com 4.249 mortes. 

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Além disso, o grupo de empresários e autoridades ovacionou o presidente Jair Bolsonaro. Segundo fontes, Bolsonaro defendeu a preservação do teto de gastos e demonstrou apoio ao ministro da Economia. 

Sobre o Orçamento, além de Funchal, Guedes também se pronunciou. Hoje, durante a tarde, o ministro Guedes chegou a falar sobre a dificuldade em se aprovar o tema, mas afirmou que esses são problemas temporários e que já existe uma negociação política para resolver os "excessos do projeto". As novidades com relação ao tema ficam por aqui. 

De olho no futuro

No exterior, a repercussão da ata da última reunião do Federal Reserve foi o grande motor do dia, ainda que um número maior do que o esperado de auxílios-desemprego nos Estados Unidos tenha frustrado os investidores.

O número de pedidos de auxílio-desemprego subiu para 744 mil, acima dos 680 mil que eram esperados. Diante de sinais mistos do mercado de trabalho, as bolsas americanas operaram mistas durante a maior parte do dia, mas acabaram fechando em alta após pronunciamento de Jerome Powell, presidente do Fed. 

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Em evento, Powell seguiu a mesma linha dos comunicados do Fed e reforçou a perspectiva de manutenção de uma política monetária acomodatícia. Na Europa, a ata da última reunião do Banco Central Europeu, também reforçou essa visão. Assim, o Dow Jones, que passou a maior parte do dia no vermelho, teve uma alta de 0,17%, o S&P 500 avançou 0,45% e registrou um novo recorde de fechamento e o Nasdaq subiu 1,03%.

Sobe e desce

O principal destaque do dia fica com a Embraer. A ação da companhia subiu com informações de que estaria negociando o fornecimento de aeronaves para a Trujet. Empresas do setor de varejo, principalmente aquelas com um forte e-commerce, também ficaram com o destaque positivo no pregão desta quinta-feira, impulsionadas pelo início do pagamento do auxílio emergencial. Confira as principais altas do dia: 

CÓDIGONOMEVALORVARIAÇÃO
EMBR3Embraer ONR$ 16,088,80%
MGLU3Magazine Luiza ONR$ 21,858,28%
YDUQ3Yduqs ONR$ 31,006,46%
PCAR3GPA ONR$ 34,835,42%
VVAR3Via Varejo ONR$ 12,924,96%

Na ponta contrária, a administradora de shoppings Multiplan ficou com a maior queda do dia, refletindo o prolongamento da pandemia e medidas de restrição no país. Já Intermédica e Hapvida realizam lucros após registrarem alta expressiva no pregão de ontem e também repercutem a estreia de novos players do setor de saúde na bolsa. 

CÓDIGONOMEVALORVARIAÇÃO
MULT3Multiplan ONR$ 23,38-2,54%
HAPV3Hapvida ONR$ 14,88-2,23%
GNDI3Intermédica ONR$ 82,78-1,28%
PETR3Petrobras ONR$ 23,40-1,68%
LREN3Lojas Renner ONR$42,43-1,62%

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