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O Ibovespa teve uma semana e tanto. A variante delta começa a mostrar que pode ser um risco efetivo para a economia global, enquanto Brasília se prepara com receio para o feriado.
Não tem como negar que a semana foi de decepções e de concretização de uma profecia que muito vinha perturbando o mercado financeiro nos últimos meses — os estragos que a variante delta pode fazer.
Dados econômicos diversos da China, Europa e Estados Unidos mostram uma recuperação mais lenta do que o esperado e os primeiros sinais do que a variante delta pode causar. A lentidão na economia pesa nas commodities, já que a retomada da demanda fica cada vez mais incerta, mas a cereja do bolo veio hoje.
O payroll, relatório com dados do mercado de trabalho americano, frustrou em muito a expectativa do mercado, com impacto direto da nova variante do coronavírus, confirmando os temores expressados por Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, em seu discurso feito na semana passada.
Ao mesmo tempo que os números confirmam uma recuperação mais lenta, também indicam que o Fed pode demorar para retirar os estímulos. Os investidores locais até tentaram pegar carona em algum otimismo, mas por aqui os números da semana não foram melhores.
O Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre recuou, a produção industrial caiu e o país segue com mais de 14 milhões de desempregados. Além disso, a saúde fiscal brasileira segue comprometida e as reformas parecem ainda distantes de serem aprovadas.
Isso sem falar na mordida do Leão na distribuição de lucros e dividendos. Apoiado na alta do setor de commodities, o Ibovespa conseguiu fechar o dia em alta no último minuto, avançando 0,22%, aos 116.933 pontos, mas o acumulado da semana mostra uma queda de 3,10%. Para Marcio Lórega, gerente de research do Pagbank, o Ibovespa pode não ter chegado ao seu fundo ainda e só deve engatar um movimento de alta mais expressivo se engatar uma alta acima dos 121 mil pontos.
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O dólar à vista fechou a sexta-feira praticamente estável, em leve alta de 0,03%, a R$ 5,1845, com um leve recuo de 0,21% na semana, mas os últimos dias foram de grande volatilidade para a moeda americana, que exibiu um forte fluxo comprador nas últimas sessões. Hoje, o resultado foi influenciado pela redução de liquidez nos Estados Unidos, já que na segunda-feira (6) é feriado por lá.
A curva de juros seguiu inclinando e já mostra novamente os vencimentos para janeiro de 2027 acima dos 10%. Os últimos dias foram complicados, mas eles podem ficar ainda mais. O feriado de 7 de setembro se aproxima e, com ele, o temor de que a crise institucional que reina em Brasília ganhe novos capítulos.
Não é de hoje que o presidente Jair Bolsonaro faz ameaças e tenta insuflar seus apoiadores para as celebrações do dia da Independência. Hoje ele voltou a flertar com uma ruptura institucional indigesta ao mercado.
Em uma tentativa de ganhar mais apoio para os atos do dia da Independência, o presidente disse que não irá sair das linhas da Constituição, mas que "duas pessoas precisam entender o seu lugar", sem citar diretamente os desafetos Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, ministros do Supremo Tribunal Federal.
A movimentação do chefe do Executivo, somada às dificuldades que o governo tem tido para a aprovação de reformas e privatizações, aumenta ainda mais a cautela do mercado com relação aos riscos político e fiscal. Veja como fecharam os principais vencimentos dos DIs:
Depois de uma semana de muita especulação e mal estar, o Banco do Brasil anunciou que não irá se retirar da Febraban. E mais uma vez celebridades são destaques no noticiário corporativo. Depois de Anitta no Nubank, agora é a vez de Luciano Huck desembarcar no conselho do Banco Pan. Já a Sinqia reforçou o caixa com uma nova oferta de ações que movimentou R$ 400 milhões.
O mercado de trabalho americano vacilante e os impactos ainda desconhecidos da variante delta mundo afora, além do discurso acomodatício feito por Jerome Powell na semana passada, alimentam mais uma vez as apostas em um adiamento da retirada dos estímulos monetários na maior economia do mundo.
Os investidores começam agora a questionar quando e se a redução do ritmo da recompra de ativos pelo banco central americano irá acontecer ainda em 2021.
A divulgação do payroll na parte da manhã, bem abaixo do que estava sendo projetado pelo mercado, motivou duas leituras. Por um lado, o número de vagas de trabalho criadas foi o equivalente a apenas um terço da mediana das expectativas do mercado, e veio bem abaixo do piso das projeções. Por outro, a taxa de desemprego veio em linha com o esperado, caindo de 5,4% para 5,2% em agosto.
Números mistos, reações mistas. Wall Street seguiu sem fôlego ao longo de todo o dia e somente o Nasdaq, apoiado no avanço das techs, teve forças para renovar mais uma vez o seu recorde histórico de fechamento.
A decepção com a queda de 0,1% do PIB talvez tenha sido a mais impactante dos últimos dias. Principalmente quando lembramos que a taxa de desemprego melhorou, mas ainda é de 14,1%, atingindo 14,4 milhões de brasileiros, e que a produção industrial patinou e caiu 1,3%, mais do que o projetado pelo mercado.
O ministro Paulo Guedes segue acreditando que a economia brasileira deve seguir o caminho da recuperação acelerada, mas os analistas e economistas se mostram um pouco céticos. Isso porque a queda do PIB traz sinais alarmantes para os próximos meses.
A demanda ainda se encontra reprimida, as famílias tem consumido menos, e a indústria tem investido menos no seu crescimento — elementos que devem se deteriorar ainda mais nos próximos meses caso a inflação continue pressionando e os juros sejam elevados acima do seu patamar neutro.
Por isso, diz o gestor de investimentos da Warren, Igor Cavaca, o mercado financeiro deve continuar acompanhando com lupa as mudanças de projeções do Boletim Focus, divulgado toda segunda-feira pelo Banco Central.
“O PIB abaixo do esperado alinha-se com os resultados dos indicadores econômicos dos meses anteriores, confirmando que estamos com a atividade mais fraca, inflação crescente e políticas monetárias mais contracionistas.”
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADECONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE- Igor Cavaca, gestor de investimentos da Warren.
Uma das principais razões para o mercado alimentar pessimismo para os próximos meses é o impacto que a crise hídrica pode trazer para a economia brasileira. Além de pressionar os índices de inflação, a situação pesa negativamente sobre a produção industrial e também o agronegócio.
O governo segue descartando a possibilidade de um racionamento de energia, e Cavaca acredita que as medidas de diversificação de matriz energética após a crise de 2001 devem dar conta do problema. Mas o mercado não está tão otimista e começa a trabalhar com a possibilidade de um “apagão”.
Enquanto isso, é a conta de energia elétrica que fica mais cara. Nesta semana, a antiga bandeira tarifária vermelha 2 foi rebatizada e agora passa a se chamar "escassez hídrica". E essa não foi a única mudança. A partir de setembro a taxa extra da conta de luz também fica mais salgada, subindo mais de 50%.
A aprovação surpresa da reforma do Imposto de Renda deixou um gosto amargo na boca dos investidores. Contrariando o que havia sido prometido pelo presidente da Câmara, Arthur Lira, o texto foi aprovado às pressas e trouxe elementos que desagradaram o mercado.
A alíquota de IR para empresas caiu menos do que o esperado, enquanto a taxação de dividendos - que inicialmente seria de 20% - ficou em 15%. No Senado, a tendência é que o texto encontre resistência, ainda mais depois de a Casa ter reprovado a flexibilização de regras trabalhistas propostas pelo governo.
Nesta semana, a Eletrobras deu mais um passo em direção ao seu processo de privatização, mas as derrotas recentes do governo voltam a minar a confiança do mercado de que a operação pode, de fato, sair do papel.
Segundo o economista Nicolas Borsoi, da Nova Futura Investimentos, a semana foi marcada pela busca por segurança, o que se refletiu não só no câmbio e na curva de juros, mas também nos setores prediletos dos investidores nos últimos dias.
Assim, o setor de materiais básicos e Utilities (concessionárias de serviços públicos, como empresas de energia elétrica e saneamento), ficaram com as melhores posições. Vale lembrar que a nova tarifa de energia e a deterioração do cenário hídrico pressionam as companhias de energia.
Embalada pela perspectiva de venda de ativos por parte da Petrobras e da Novonor (ex-Odebrecht), a Braskem mais uma vez teve uma semana de desempenho positivo. Confira as maiores altas da semana:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARSEM |
| BRKM5 | Braskem PNA | R$ 66,62 | 6,42% |
| CPLE6 | Copel PN | R$ 6,99 | 6,23% |
| ASAI3 | Assaí ON | R$ 18,21 | 4,66% |
| CMIG4 | Cemig PN | R$ 13,62 | 2,87% |
| QUAL3 | Qualicorp ON | R$ 22,24 | 2,49% |
Com todo mundo querendo se proteger da chuva que pode chegar nos próximos dias, o setor de consumo e o imobiliário tiveram dias ruins. Borsoi explica que os investidores preferiram se desfazer de ações mais cíclicas para migrar para setores mais defensivos. Confira também as maiores quedas da semana:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARSEM |
| VIIA3 | Via ON | R$ 9,69 | -10,86% |
| CYRE3 | Cyrela ON | R$ 19,03 | -10,70% |
| BIDI11 | Banco Inter unit | R$ 64,21 | -10,65% |
| CIEL3 | Cielo ON | R$ 2,59 | -10,07% |
| COGN3 | Cogna ON | R$ 3,05 | -10,03% |
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