Esse bitcoin (BTC) tá diferente: como a atualização Taproot pode dar um novo gás nas cotações da criptomoeda
A julgar pelo que aconteceu no passado, o bitcoin pode ganhar um novo impulso no rali de final de ano com o Taproot, que deve melhorar a experiência de usar a criptomoeda no dia a dia

A primeira atualização em quase quatro anos do bitcoin (BTC) está programada para ocorrer neste domingo (14). O anúncio foi feito em julho deste ano e deve aumentar a competitividade da maior moeda do mercado, que atingiu novas máximas históricas nesta semana.
O chamado Taproot é uma atualização do tipo softfork, ou seja, toda a rede passará por uma atualização. É diferente do hardfork, processo que dividiu a rede Ethereum em ethereum classic (ETC) e ethereum (ETH), que conhecemos hoje como a segunda maior criptomoeda do mundo.
A atualização será pouco perceptível para os usuários de forma geral, mas deve melhorar a experiência de usar bitcoin no dia a dia, como agilidade e taxas mais baixas. O Taproot foi criado para solucionar o trilema das criptomoedas: crescimento de rede (escalabilidade), segurança e descentralização.
Com isso, o BTC se fortalece frente a projetos de criptomoedas mais recentes e que cresceram vertiginosamente em 2021.
[captacao]
O que faz o softfork Taproot do bitcoin
De acordo com o site dos desenvolvedores dessa nova atualização, o Taproot irá melhorar a segurança da rede e tornar as transações ainda mais seguras para os usuários, protegendo o modelo de chave cruzada utilizado atualmente.
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Em outras palavras, as transações de compra e venda passam a ficar indistinguíveis umas das outras.
Do ponto de vista técnico, mais transações podem ser inseridas por bloco, o que torna o processo mais rápido e mais barato.
O “bloco” é o conjunto de transações que precisa ser validado através da mineração de criptomoedas, processo que mantém a segurança das transações do bitcoin.
Mas a grande novidade envolve a mudança de protocolo, que passará a permitir o desenvolvimento de contratos inteligentes (smart contracts) dentro da rede do bitcoin, assim como acontece com o ethereum, que criou o modelo de certificados digitais (NFT) e finanças descentralizadas (DeFi).
Dessa forma, o bitcoin terá capacidade de competir com outros projetos, como solana (SOL), polkadot (DOT) e o próprio ethereum (ETH) na criação de soluções de segunda camada.
Além disso, outra parte da atualização deve melhorar o problema da escalabilidade do bitcoin, que hoje usa o Lighting Network para otimizar o crescimento da rede.
Em que isso afeta o preço do bitcoin
A julgar pelo que aconteceu no passado, o bitcoin pode ganhar um novo impulso com o Taproot. O rali recente da criptomoeda aconteceu justamente com essa expectativa.
A primeira atualização do bitcoin ocorreu em 1º de agosto de 2017 e o hardfork gerou o Bitcoin Cash (BCH). Já na segunda, o bitcoin se dividiu novamente, em 24 de outubro do mesmo ano, surgindo o Bitcoin Gold (BTG).
Naquele ano, o bitcoin sofreu a maior valorização de sua história, uma alta de 1.369%, saindo de US$ 756 em janeiro para US$ 20.089 em dezembro, segundo dados do Cryptorank.
Então, o que podemos esperar da nova atualização?
Rentabilidade passada não é sinônimo de retorno futuro. Além disso, o investimento em criptomoedas é extremamente arriscado, mesmo para projetos sólidos como o bitcoin.
Entretanto, a atualização deve aumentar as possibilidades de uso do bitcoin, o que deve influenciar positivamente no preço da criptomoeda nos próximos meses com a entrada de novos usuários na rede, segundo especialistas.
O aumento da popularidade das criptomoedas e a diversificação de produtos criptográficos, como os ETFs (fundos de índice negociados em bolsa) nos Estados Unidos, para o público geral também devem impulsionar as cotações.
Os analistas projetam que o preço do bitcoin pode chegar até os US$ 100 mil até o final de 2021, e o Taproot deve dar um empurrãozinho até o ano que vem.
Atenção aos riscos
Por outro lado, é dos EUA também que pode vir a "água no chope" da festa do bitcoin. O avanço regulatório do país sobre stablecoins, as criptomoedas com lastro como o Tether (USDT), pode afetar as cotações do mercado em geral.
As stablecoins são usadas pelos usuários para diminuir taxas e preservar o poder de compra dos investidores e alguns analistas acreditam que qualquer movimento dessas criptomoedas com lastro afeta as demais moedas do mercado.
Somado a isso, os Bancos Centrais pelo mundo têm se unido em um esforço de regulamentar o mercado de criptoativos de diversas formas.
O Comitê de Supervisão Bancária de Basileia (BCBS, em inglês), principal criador de padrões globais para a regulamentação do setor financeiro, deve lançar uma pesquisa no final deste mês com foco no “tratamento prudente desses ativos” quanto aos riscos para o ambiente financeiro dos bancos.
Os investidores institucionais, como grandes empresas, fundos e gestoras, também entraram com força na rede nos últimos meses. Mas fatores estruturais, com a alta da inflação e depreciação de outros ativos na carteira desses investidores podem gerar um movimento de fuga das criptomoedas, o que mexe diretamente com o preço do bitcoin.
Por último, mas não menos importante: durante a atualização da rede, algumas criptomoedas enfrentam instabilidade e chegaram até a serem desligadas, como foi o caso da Solana (SOL), em setembro.
No caso do London Fork da rede ethereum, alguns mineradores chegaram a não conseguir conectar as máquinas à blockchain, o que foi resolvido em algumas horas.
É altamente improvável que isso ocorra, mas o risco, por menor que seja, ainda existe.
Como o bitcoin é “atualizado”
Cada atualização ocorre por meio do consenso da rede de mineradores. De forma simples, qualquer pessoa que contribua com o hashrate de mineração pode sugerir uma alteração no protocolo.
Os mineradores se inscrevem e votam se adotam ou não a proposta. No caso do Taproot, a atualização foi prorrogada porque era preciso que 90% dos mineradores concordassem com as mudanças, o que só aconteceu em junho deste ano.
* Colaboraram com esta matéria Ray Nasser, CEO da mineradora Arthur Mining, Rodrigo Batista, CEO da Digitra.com, Orlando Teles, diretor de Research da Mercurius Crypto e Marco Castellari, CEO da Brasil Bitcoin.
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