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2020-06-17T20:51:12-03:00
Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Novo corte

Como ficam os seus investimentos em renda fixa com a Selic em 2,25% ao ano

Veja como fica o retorno das aplicações conservadoras de renda fixa agora que o Banco Central cortou a Selic mais uma vez

17 de junho de 2020
20:51
Homem observa pouco dinheiro
Imagem: Shutterstock

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) cortou mais uma vez a taxa básica de juros (Selic) nesta quarta-feira (17) em 0,75 ponto percentual. Com isso, a Selic atinge nova mínima histórica, aos 2,25% ao ano.

A derrubada dos juros de 3,00% para 2,25% ao ano já era esperada pelo mercado, que estava mesmo de olho era na sinalização do BC a respeito de novos cortes nas próximas reuniões.

Isso porque, na reunião passada, o Copom já havia sinalizado que o atual corte de 0,75 ponto poderia ser o último deste ciclo de queda nos juros. No seu comunicado, porém, o Copom deixou a porta aberta para pelo menos mais uma redução de 0,25 ponto até o final do ano.

Apesar de o juro mais baixo pressionar a cotação do dólar, a alta da moeda americana não vem se refletindo numa inflação maior. Pelo contrário, as perspectivas para os índices de preços continuam cada vez menores, dada a forte desaceleração na economia por conta da crise do coronavírus.

Assim, não só o Banco Central pode ter espaço para realizar mais um corte de juros, como também ainda pode mudar de ideia na próxima reunião do Copom e decidir não interromper o ciclo de queda.

Rentabilidade simbólica

Para o investidor conservador, esse juro ainda em queda num cenário de recessão e num mundo de juros zerados ou negativos significa menos retorno para os investimentos para um período ainda prolongado.

Agora, os investimentos mais conservadores, cuja remuneração é atrelada à Selic ou à taxa DI - taxa de juros que costuma acompanhar a taxa básica - estão pagando ainda menos - um retorno praticamente simbólico. É o caso do Tesouro Selic (LFT), da caderneta de poupança, dos fundos DI e de títulos como CDB, LCI e LCA pós-fixados.

Como ficam os investimentos conservadores com a Selic em 2,25% ao ano

Para você ter uma ideia de como o retorno da renda fixa conservadora está apertado, eu fiz uma simulação de rentabilidade com quatro aplicações pós-fixadas no novo cenário de juros: caderneta de poupança, Tesouro Selic (LFT), fundo de renda fixa e Letra de Crédito Imobiliário (LCI). Considerei Selic constante de 2,25% ao ano e o CDI constante de 2,15%, um pouco abaixo, como costuma acontecer.

Parâmetros

A poupança atualmente paga 70% da taxa Selic mais Taxa Referencial (TR), que no momento encontra-se zerada. Não tem taxas nem imposto de renda, e sua rentabilidade é mensal, apenas no dia do aniversário.

Já o Tesouro Selic é um título público que paga, no vencimento, a Selic mais um ágio ou deságio. Se vendido antes do vencimento, o retorno é levemente sacrificado em função de uma diferença entre as taxas de compra e venda do papel (spread), o que pode deixar a rentabilidade inferior à Selic do período.

O rendimento é diário, e há cobrança de IR e de uma taxa de custódia obrigatória de 0,25% ao ano, paga à B3. Considerei, ainda, que a corretora utilizada para operar no Tesouro Direto não cobra taxa de agente de custódia.

Para simular o retorno do fundo de renda fixa, considerei um fundo que só invista em Tesouro Selic e não cobre taxas. Supus, portanto, que seu retorno represente a variação do CDI no período menos o imposto de renda. Seria similar, por exemplo, para um CDB, RDB ou conta de pagamentos que pagasse 100% do CDI.

Vale aqui uma observação: os fundos com esse perfil não têm pago 100% do CDI. Sua remuneração tem ficado um pouco abaixo disso. A simulação é apenas ilustrativa.

Por fim, simulei o retorno da LCI porque se trata de um título isento de taxas e de IR. Considerei um papel que pague 100% do CDI (às vezes surge uma dessas por aí), apenas para você ver que 100% do CDI, atualmente, não é lá grande coisa.

Escolhi quatro prazos de forma a contemplar as quatro alíquotas de IR possíveis, no caso das aplicações tributadas (Tesouro Selic e fundos). Usei datas reais para poder usar o simulador do Tesouro Direto para calcular o retorno do Tesouro Selic, de modo a incluir a taxa de custódia e o spread nos cálculos no caso de uma venda antes do vencimento.

Para calcular o retorno da poupança utilizei os prazos em meses e anos. Já para simular os retornos do fundo e da LCI, levei em conta o número de dias úteis entre as duas datas reais consideradas em cada prazo.

Perda fixa

Como você pode ver, mesmo os melhores investimentos conservadores em termos de rentabilidade e segurança - aqueles que remuneram ao redor de 100% do CDI - já estavam pagando pouco e agora vão passar a pagar ainda menos. Aquela realidade de ganhar 1% ao mês com baixo risco, que o investidor brasileiro tanto aprecia, fica cada vez mais distante.

Um ponto muito importante é baratear o seus investimentos conservadores o máximo possível. Fundo com taxa de administração alta simplesmente não dá mais, minha gente.

Mas mesmo que você invista em um fundo ou título que pague, líquido, perto de 100% do CDI, você pode ver que isso não representa mais grande coisa. Afinal, 100% de quase nada é quase nada.

Pior, é bem provável que mesmo as melhores e mais baratas aplicações de renda fixa remunerem abaixo da inflação, mesmo que tenhamos um índice de preços extremamente baixo para padrões brasileiros.

Segundo o último Boletim Focus do Banco Central, o IPCA projetado para os próximos 12 meses é de 3,25%. Agora dá uma olhada em quanto as aplicações devem pagar em um ano. Nenhuma supera a inflação projetada.

Em outras palavras, a sua reserva de emergência, aquele dinheiro que precisa ficar em aplicações ultraconservadoras, já está na "perda fixa", como eu havia mencionado nesta outra matéria.

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