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2020-06-17T18:50:13-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco), “Abandonado” (Geração) e "Os Jogadores" (Planeta).
Nova mínima histórica

BC reduz Selic em 0,75 ponto, para 2,25% ao ano, e não descarta novos cortes

Copom deixou aberta a possibilidade de a Selic continuar caindo nas próximas reuniões. Mas os novos cortes, se vierem, serão de tamanho bem menor

17 de junho de 2020
18:12 - atualizado às 18:50
Roberto Campos neto
Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central - Imagem: Raphael Ribeiro/BCB

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) desta vez confirmou a ampla expectativa do mercado e decidiu reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto percentual, de 3% para 2,25% ao ano. Trata-se de uma nova mínima histórica para os juros no país.

A redução de hoje deveria ser a última, mas no comunicado que acompanha a decisão o Copom deixou aberta a possibilidade de a Selic continuar caindo. Mas os novos cortes, se vierem, serão de tamanho bem menor.

“O Copom entende que, neste momento, a conjuntura econômica continua a prescrever estímulo monetário extraordinariamente elevado, mas reconhece que o espaço remanescente para utilização da política monetária é incerto e deve ser pequeno”, informou o BC, no comunicado que acompanha a decisão.

A decisão sobre manter ou promover novos cortes na Selic levará em conta os impactos da pandemia de coronavírus e do conjunto de medidas de incentivo ao crédito e recomposição de renda.

“Um eventual ajuste futuro no atual grau de estímulo monetário será residual”, ressaltou o Copom, no comunicado que acompanha a decisão.

Antes da reunião, a expectativa do mercado era que o ciclo de redução da Selic terminasse após o corte de hoje para 2,25% ao ano, mas algumas instituições apostavam em uma redução ainda maior.

Se por um lado a decisão do BC deixa a porta aberta (ou entreaberta) para a Selic testar novas mínimas nas próximas reuniões, por outro o recado dado no comunicado deve reduzir o ímpeto dos que acreditam em uma ação mais ousada do Copom.

Ainda que tenha adotado uma postura mais conservadora ao falar sobre a possibilidade de reduzir mais a Selic, o BC se dá ao direito de mudar de ideia ao informar que segue atento a revisões do cenário econômico e de expectativas de inflação.

“O Comitê reconhece que, em vista do cenário básico e do seu balanço de riscos, novas informações sobre a evolução da pandemia, assim como uma diminuição das incertezas no âmbito fiscal, serão essenciais para definir seus próximos passos.”

Inflação e reformas

O BC confirmou a visão de que a inflação não é problema e se encontra abaixo dos níveis compatíveis com o cumprimento da meta. Em todos os cenários e nas expectativas do mercado, as projeções de inflação estão abaixo da meta tanto para este ano como para 2021.

Os diretores do BC mais uma vez destacaram a continuidade de aprovação das reformas como condição para a recuperação da economia. “Questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia”, ponderou o Copom.

*Conteúdo em atualização

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