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A tensão política em Brasília, a ata do Fed e a guerra comercial dão o tom de uma semana fraca em termos de volume na agenda de indicadores econômicos e balanços corporativos, mas que nem por isso deve ser relegada ao segundo plano
Nesses tempos de pandemia, o noticiário como um todo lembra muito os jogos do meu Corinthians nos últimos dois anos. Você sabe como começa e tem muito medo de como vai terminar. No mais das vezes dá certo, mas mesmo se ganha, quando se dá conta, você está muito, muito irritado mesmo.
A tensão política em Brasília, a ata com os detalhes da última reunião de política monetária do Federal Reserve Bank (o banco central norte-americano) e a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China dão o tom de uma semana fraca em termos de volume na agenda de indicadores econômicos e balanços corporativos, mas que nem por isso deve ser relegada ao segundo plano.
O Ibovespa vem de uma semana pra lá de agitada. O principal índice do mercado brasileiro de ações interrompeu na sexta-feira uma sequência de três pregões seguidos em baixa. Mas a recuperação foi insuficiente para evitar uma queda de 1,38% no acumulado da semana.
Já o dólar, depois de intensa volatilidade no decorrer das últimas sessões, subiu 0,23% no acumulado da semana, chegando ao fim da tarde de sexta-feira cotado a R$ 5,4268.
Na prática, enquanto o cenário internacional puxou o dólar para baixo, as tensões locais pressionaram o real, descolando a moeda brasileira das movimentações observadas no restante do mercado de câmbio. E para a próxima semana há poucos indícios de mudança dos focos de pressão.
Depois de um aparente – e breve, e ilusório – arrefecimento, a tensão política em Brasília e a questão fiscal seguem mais vivas do que nunca no radar dos investidores. O ministro da Economia, Paulo Guedes, armou um furdúncio na semana passada ao acusar a ocorrência de uma “debandada” em sua equipe.
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A ideia era puxar a brasa para sua sardinha e fazer com que o presidente Jair Bolsonaro apoiasse com mais vigor e clareza sua agenda ultraliberal. Se era um plano, deu mais errado do que certo. A começar pelo fato de o ministro ter perdido a companhia, dentro do governo, de defensores ardorosos de sua agenda.
Para ajudar #sqn, o Palácio do Planalto vem emitindo sinais pra lá de contraditórios. Uma hora, Bolsonaro diz que vai manter o teto de gastos e a disciplina fiscal. Na hora seguinte, dá sinais de que manterá os cofres escancarados. E no intervalo entre uma hora outra, apela ao “patriotismo” dos investidores. Tá bem, tá bem... Eu conto ou você conta?
Os papéis do Banco do Brasil começam a semana em destaque com a confirmação da indicação de André Brandão para assumir o cargo de presidente da instituição financeira.
Brandão substituirá Rubem Novaes, considerado uma das baixas sentidas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, ao denunciar a “debandada” de seus aliados na implementação de uma agenda ultraliberal no Brasil.
Ele entrou no Grupo HSBC desde 1999. No início da década de 2000, Brandão assumiu a diretoria de tesouraria. Posteriormente, chegou a diretor-executivo de tesouraria e antes de assumir o comando da unidade brasileira do banco, vendida para o Bradesco em 2016.
A nomeação de Brandão já era esperada por grande parte dos agentes do mercado financeiro. Ainda assim, cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.
A comunicação formal foi encaminhada pelo Ministério da Economia na sexta-feira. Cabe agora ao BB dar sequência aos procedimentos de governança necessários à confirmação da elegibilidade do executivo para o cargo.
O representante de comércio dos EUA, Robert Lighthizer, e o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, deveriam ter protagonizado uma teleconferência no sábado para revisar a implementação do primeiro estágio do precário pacto comercial alcançado entre Washington e Pequim no início do ano.
O sábado marcou o aniversário de seis meses do acordo e a reunião estava prevista havia um bom tempo pra dar aquela repassada básica no que andou ou deixou de andar. Mas no fim não rolou foi coisa nenhuma.
E nem foi por causa do distanciamento social, já que Liu e Lighthizer conversariam via teleconferência, dispensando a necessidade de uma longa e dispendiosa - e agora também arriscada - viagem.
Dizem que o secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, também participaria do não-encontro virtual. Mas parece que anda meio complicado arrumar uma sala de reuniões em Washington pra conversar pela internet.
Fontes citadas pela agência Reuters disseram que o lado norte-americano adiou a reunião em cima da hora por “conflitos de agenda”. Fontes chinesas asseguraram não haver nenhum problema com o acordo.
O fato – ou não-fato – é que nenhuma nova data para a reunião foi divulgada até o momento.
E enquanto o primeiro estágio do acordo entre EUA e China segue na prateleira, os investidores podem aproveitar para revisar suas apostas em qual será, quando surgirá ou quem protagonizará o próximo acirramento da guerra comercial de Donald Trump contra os chineses.
Passado o grosso do calendário de resultados trimestrais das grandes empresas listadas em bolsa, fica a impressão de que a agenda ficou pequena. Mas é melhor não nos iludirmos. A ausência de volume nas agendas de indicadores é compensada pela relevância de alguns dos dados a serem divulgados.
A semana nos mercados financeiros internacionais começa com os dados do PIB do Japão no segundo semestre, ainda na noite de domingo. Com isso, os mercados financeiros já começarão reagindo – para o bem ou para o mal – aos novos sinais do andamento da economia japonesa sob o impacto da pandemia do novo coronavírus, que já matou quase 800 mil pessoas em todo o mundo.
A ata da reunião de política monetária do Fed realizada no fim de julho é a grande atração da semana entre os eventos internacionais.
No encontro realizado nos dias 28 e 29 de julho, o Fed manteve intacta a taxa de juros e sinalizou a continuidade dessa política por um período prolongado.
A expectativa é de que a ata traga informações um pouco mais detalhadas sobre como as autoridades estão interpretando o impacto da pandemia de covid-19 sobre a economia norte-americana.
Os analistas também buscam sinais de comentários sobre a possibilidade de a inflação ganhar força no curto prazo por causa das medidas de auxílio financeiro do governo.
A divulgação da ata, como de costume, ocorrerá às 15h (hora de Brasília) da quarta-feira.
No mesmo dia serão conhecidos os índices de preços ao consumidor no Reino Unido e na zona do euro em julho.
Também destacam-se os números semanais de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA, previstos para a manhã de quinta-feira.
Enquanto isso, a Markit divulga entre a noite de quinta e a manhã de sexta-feira os índices dos gerentes de compra da Alemanha, dos Estados Unidos, do Reino Unido, do Japão e da zona do euro referentes a agosto.
No Brasil, onde ocorreram mais de 100 mil das quais quase 800 mil mortes por covid-19 confirmadas em todo o mundo até agora, a agenda de indicadores perde um pouco de vigor em relação às semanas anteriores, mas ainda assim traz novidades sobre a balança comercial, o fluxo cambial e outros sinais sobre a recuperação econômica em tempos de pandemia.
Segunda-feira: a semana começa com o boletim Focus e a atualização semanal dos dados da balança comercial;
Terça-feira: a Fipe divulga o IPC referente à segunda quadrissemana de agosto enquanto a FGV publica seu monitor do PIB e a segunda prévia do IGP-M;
Quarta-feira: o Banco Central divulga os números semanais de fluxo cambial;
Quinta-feira: o Tesouro realiza leilão tradicional de LTN e NTN-F enquanto a CNI divulga sua sondagem industrial referente a julho;
Sexta-feira: a FGV divulga os números de expectativa de inflação ao consumidor.
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