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caso de polícia

Proprietário do Grupo Petrópolis vira réu na Lava Jato

Juiz da 13.ª Vara Federal de Curitiba, abriu ação penal contra o empresário Walter Faria e outros 21 investigados ligados ao Grupo Petrópolis, à Odebrecht e ao Antígua Overseas Bank por crime de lavagem de dinheiro

Brasil, Boituva, SP. 08/05/2007. Walter Faria, à época presidente do Cervejaria Petrópolis, posa com taça de chopp Crystal, um dos produtos da empresa, em Boituva, no interior paulista. - Imagem: ALÉRIA GONÇALVEZ/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

O juiz Luiz Antonio Bonat, da 13.ª Vara Federal de Curitiba, abriu ação penal contra o empresário Walter Faria e outros 21 investigados ligados ao Grupo Petrópolis, à Odebrecht e ao Antígua Overseas Bank por crime de lavagem de dinheiro. O esquema teria movimentado, entre 2006 e 2014, R$ 1,1 bilhão, em valores atualizados.

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A denúncia foi oferecida pela força-tarefa da Lava Jato em Curitiba em dezembro do ano passado. A acusação formal foi resultado da 62.ª fase da operação, denominada "Rock City", deflagrada em julho do mesmo ano, para apurar o envolvimento de executivos do Grupo Petrópolis na lavagem de dinheiro desviado pela Odebrecht de contratos com a Petrobrás.

A operação teve como origem um esquema de sonegação tributária "que contava com a burla de medidores de produção de cerveja". "A bebida era vendida a pequenos comerciantes em espécie e, então, os valores eram entregues à Odebrecht".

De acordo com a força-tarefa, Faria, proprietário do Grupo Petrópolis, "atuou, em larga escala, na lavagem de ativos e desempenhou substancial papel como grande operador do pagamento de propinas". O executivo teria ainda "atuado no pagamento de subornos decorrentes do contrato da sonda Petrobrás 10.000".

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Em contrapartida, afirma a denúncia do Ministério Público Federal, o empresário teria recebido "altas somas no exterior" e sido beneficiado com "uma série de negócios jurídicos fraudulentos no Brasil", além de "investimentos" da Odebrecht na cervejaria do grupo.

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Nesse mesmo caso, a Procuradoria acusa a Odebrecht de repassar o dinheiro ilícito diretamente a contas no exterior vinculadas à empreiteira e ao Grupo Petrópolis. Para isso, a construtora teria usado "camadas de contas estrangeiras em nome de diferentes offshores". O Grupo Petrópolis, por sua vez, disponibilizava dinheiro em espécie no Brasil para a Odebrecht, de acordo com as investigações da Lava Jato.

"Essa estratégia envolveu também a utilização de complexa estrutura financeira de contas no exterior relacionadas às atividades do Grupo Petrópolis. De acordo com documentação encaminhada pela Suíça, foram identificadas 38 offshores distintas com contas bancárias no EFG Bank de Lugano, controladas por Walter Faria", afirma trecho da denúncia.

Defesas. Faria negou irregularidades. O empresário afirmou, por meio de sua assessoria, que, "sempre que foi requerido, prestou todos os esclarecimentos necessários às autoridades competentes, o que fará outra vez, em juízo, para demonstrar a improcedência da acusação".

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O Grupo Petrópolis, a Odebrecht e o Antígua Overseas Bank não responderam aos contatos da reportagem.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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