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após disputa com stf

Novo diretor-geral da Polícia Federal assume e já troca chefe no Rio

Rolando Alexandre de Souza é considerado o braço direito do diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem

(Brasília - DF, 04/05/2020) Presidente da República Jair Bolsonaro, durante assinatura do Termo de Posse de Rolando Alexandre de Souza, Diretor-Geral da Polícia Federal. Foto: Isac Nóbrega/PR -

Em uma estratégia para se blindar de uma eventual medida contrária do Supremo Tribunal Federal, o presidente Jair Bolsonaro deu posse na segunda-feira, 4, às pressas ao novo diretor-geral da Polícia Federal, Rolando Alexandre de Souza. No mesmo dia, em uma das primeiras medidas no cargo, Souza mudou o comando da Superintendência da corporação no Rio de Janeiro - área de interesse de Bolsonaro e seus filhos.

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O novo diretor da PF é considerado o braço direito do diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem - que não participou da cerimônia de posse. Na semana passada, Ramagem chegou a ser nomeado por Bolsonaro, mas o ato foi barrado por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O ministro entendeu que a nomeação não atendeu ao princípio da impessoalidade.

Como mostrou o jornal O Estado de S. Paulo no sábado, a nomeação de Rolando é vista como uma alternativa do presidente para manter a influência de Ramagem, que é próximo à família Bolsonaro, na corporação.

A posse do novo diretor da PF foi realizada em pequena cerimônia, que durou apenas 20 minutos, no gabinete de Bolsonaro no Palácio do Planalto, sem divulgação antecipada nem convidados. Ocorreu às 10h, cerca de meia hora depois de a nomeação ter sido publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU). Estiveram presentes sete ministros, entres eles André Luiz Mendonça, da Justiça e Segurança Pública.

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Número dois

Ao exonerar o comando da PF no Rio, Souza convidou o superintendente Carlos Henrique Oliveira para assumir a direção executiva da PF, o que o coloca como "número dois" do novo diretor. A promoção foi vista por delegados como uma forma "estratégica" de trocar o comando da PF fluminense. O nome de quem vai assumir o posto não havia sido divulgado até a conclusão desta edição.

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Oliveira poderá ser ouvido pela PF no inquérito que apura desvio de finalidade e tentativa de "interferência política" de Bolsonaro na corporação. Ontem, o procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu ao Supremo que autorizasse o depoimento do novo diretor executivo da Polícia Federal.

Em agosto do ano passado, Oliveira estava no centro da crise entre Bolsonaro e o então ministro da Justiça, Sérgio Moro, pela troca de comando na PF. Além dele, deverão ser ouvidos no caso o ex-diretor-geral da PF Maurício Valeixo e o superintendente no Amazonas, Alexandre Saraiva - nome que chegou a ser indicado por Bolsonaro para Oliveira no comando da corporação no Rio.

Aras quer que os delegados prestem informações sobre "eventual patrocínio, direto ou indireto, de interesses privados do presidente da República perante o Departamento de Polícia Federal, visando ao provimento de cargos em comissão e a exoneração de seus ocupantes".

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Ao anunciar demissão, Moro afirmou que Bolsonaro havia expressado o desejo de trocar a chefia da PF e superintendentes, como o do Rio de Janeiro. Fontes confirmaram ao jornal O Estado de S. Paulo que o ex-ministro citou essas declarações em depoimento à Polícia Federal no sábado.

Alagoas

Rolando de Souza estava na Superintendência da PF em Alagoas até setembro do ano passado, quando, a convite de Ramagem, assumiu a secretaria de Planejamento e Gestão da Abin - cargo que ocupava até tomar posse como diretor da PF. Até ser vetado no comando corporação, Ramagem montava sua equipe na cúpula da instituição e levaria Souza com ele.

Após tomar posse, o novo diretor da PF deixou o Palácio do Planalto por volta das 11h30 e não quis falar com a imprensa. Disse apenas que iria para a sede da PF. "Assinei o termo de posse. Estou indo lá para a PF", afirmou ao ser abordado por repórteres. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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