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Em rede nacional de rádio e TV, Bolsonaro defendeu o relaxamento das medidas de combate ao coronavírus, que já matou 46 pessoas no País
Governadores do Nordeste e do Centro-Oeste que participaram de audiências virtuais com o presidente Jair Bolsonaro alegam que ele omitiu sua opinião e "preferiu o silêncio" durante as rodadas de conversas com os chefes dos executivos estaduais. As audiências ocorreram nestas segunda e terça-feiras, numa tentativa do Palácio do Planalto de melhorar a interlocução com os governadores.
Em rede nacional de rádio e TV, Bolsonaro defendeu na terça-feira, 24, o relaxamento das medidas de combate ao coronavírus, que já matou 46 pessoas no País. O governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), disse que, na reunião, Bolsonaro não expôs o posicionamento que, na noite de terça apresentou na TV. "O presidente teve a oportunidade de expor suas opiniões ao debate ontem (segunda-feira) e hoje (terça) nas conferências com os governadores. Por algum motivo, preferiu o silêncio", afirmou.
Ao contrário do que propõe Bolsonaro, Waldez disse que o Amapá vai manter todas as medidas de redução de circulação das pessoas. "Todas as medidas de enfrentamento à pandemia do coronavírus estão mantidas. Não há qualquer chance de relaxamento".
O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), também afirmou que, após o discurso presidencial desta terça-feira, tem pouca esperança na melhoria das ações do governo. "Pronunciamento de hoje (terça) mostra que há poucas esperanças de que Bolsonaro possa exercer com responsabilidade e eficiência a Presidência da República. Os danos são imprevisíveis e gravíssimos", declarou Dino.
Outro que se reuniu com o presidente por videoconferência foi o governador do Piauí, Wellington Dias. "Eu, no Piauí, tive que tomar medidas duras, como suspender cirurgias eletivas que estavam já marcadas. Seguindo a orientação do ministro da Saúde, corretamente, para garantir vagas para quem precisar. Senhor presidente, não se faz isso apenas por conta de uma gripezinha", disse Dias, em referência ao termo usado por Bolsonaro.
Governadores de outros cinco Estados, incluindo João Doria (PSDB), de São Paulo, e Wilson Witzel (PSC), do Rio - que têm videoconferência prevista para a manhã desta quarta-feira com Bolsonaro - , também se manifestaram duramente contra o pronunciamento do presidente.
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Doria e Witzel são, no momento, os principais adversários políticos de Bolsonaro. Os dois pretendem disputar o Palácio do Planalto, em 2022, e o presidente quer concorrer à reeleição.
Witzel reforçou nas redes sociais o pedido para que as pessoas não saiam de casa. "Em tempos de crise e desinformação, reafirmo o mesmo que todas as autoridades de saúde do mundo: fique em casa, lave as mãos e proteja quem você ama", insistiu ele.
Já o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), afirmou que o discurso do presidente foi "desconectado das orientações dos cientistas, da realidade do mundo e das ações do ministério da Saúde". "Confunde a sociedade, atrapalha o trabalho nos Estados e Municípios, menospreza os efeitos da pandemia. Mostra que estamos sem direção", escreveu o governador em sua conta oficial no Twitter.
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