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Doria disse que os governadores estão abertos ao diálogo, sem o qual a democracia brasileira não será respeitada
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), Wilson Witzel (PSC-RJ) e Eduardo Leite (PSDB-RS) escolheram um evento do Banco BTG Pactual na capital paulista para deixar patente para criticarem as recentes declarações do presidente da República, Jair Bolsonaro (Sem Partido).
Um dos signatários da carta assinada terça-feira, 17, por 20 governadores, que criticam tais declarações por entenderem que "não contribuem para a evolução da democracia no Brasil", Doria disse que os governadores estão abertos ao diálogo, sem o qual a democracia brasileira não será respeitada.
"Os governadores estão abertos ao diálogo. O convidamos para o Fórum dos Governadores, mas damos a ele a prerrogativa de escolher o local para conversarmos. O Brasil não pode ser governado pelo Whatsaap. Pelo bem do Brasil não podemos viver em risco como se fosse uma gincana", afirmou.
Doria citou que os governadores do Sul e Sudeste, mesmo com diferenças "partidárias e ideológicas", mantêm periodicamente o diálogo "pelo bem dos Estados".
Aproveitou também para dizer não ser verdade que os preços elevados dos combustíveis são de responsabilidade dos governadores como, segundo estes dirigentes, Bolsonaro teria tentado fazer a população acreditar. Neste caso específico, o presidente da República disse que zeraria o Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) incidente sobre os preços dos combustíveis se os governadores reduzissem o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no preço dos combustíveis.
Perguntado pelos jornalistas como pretende vencer essa guerra da comunicação com o governo federal, especialmente no caso dos combustíveis, Doria disse que falando a verdade. "Quem determina os preços dos combustíveis é o governo federal, a Petrobras", disse o governador paulista. "Não queremos estabelecer confrontos e discutir pelas redes sociais quem tem ou não tem razão", disse Doria.
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Ainda em seu discurso, Doria disse acreditar que Bolsonaro precisa de "uma boa dose de humildade" e reconhecer que foi eleito para governar todo o Brasil e para todos os brasileiros.
O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), afirmou que o discurso descentralizador entoado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, simbolizado pelo bordão "mais Brasil, menos Brasília", se limita às palavras, sem que haja materialização na prática, em especial na condução das privatizações.
"O discurso mais Brasil, menos Brasília fica só na fala do ministro Guedes. A descentralização das privatizações poderia ocorrer com apoio dos Estados empoderados, como Rio Grande do Sul e São Paulo, que poderiam ajudar na modelagem", afirmou.
Witzel citou como exemplo o Porto do Rio de Janeiro, que, segundo ele, poderia ser privatizado pelo Estado se o governo federal permitisse.
O governador fluminense também criticou as declarações polêmicas do presidente Jair Bolsonaro, sem citar nenhuma especificamente. "Ele tem de ter as responsabilidades do mandato de presidente. O povo tem pressa, o povo mais pobre tem pressa de ter emprego", disse.
O governador tucano do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, também esteve presente no evento.
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