2020-03-31T16:34:49-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.
De volta aos 72 mil pontos

Ibovespa acentua perdas e cai mais de 2%; cautela no Brasil se sobrepõe ao otimismo com a China

O Ibovespa assumiu de vez um tom negativo nesta terça-feira. Por um lado, os dados da economia da China animam o mercado mas, por outro, o aumento no desemprego por aqui inspira cuidado

31 de março de 2020
10:32 - atualizado às 16:34
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

O Ibovespa passou boa parte da sessão desta terça-feira (31) indeciso, sem saber qual direção tomar. Pois, nesta reta final de pregão, o índice escolheu um caminho: para baixo.

Mais cedo, o Ibovespa até chegou a subir 1,17%, aos 75.511,03 pontos. No entanto, a partir das 16h00, começou a perder força e, às 16h30, já recuava 2,46%, aos 72.800,71 pontos — lá fora, as bolsas dos Estados Unidos também pioraram, passando a cair mais de 1,5%.

No mercado de câmbio, o dólar à vista também se sustentava perto do zero a zero, mas ganhou força nesta tarde: no mesmo horário, já subia 0,28%, a R$ 5,1951, flertando com um novo recorde de encerramento. Lá fora, o dia é de desvalorização da moeda americana em relação às divisas de países emergentes.

  • Eu gravei um vídeo para falar da dinâmica dos mercados nesta terça-feira. Veja abaixo:

Em linhas gerais, há dois vetores ditando o comportamento dos mercados brasileiros nesta terça-feira. Por um lado, os investidores globais mostram certo entusiasmo em relação aos mais recentes dados econômicos da China, que indicam uma recuperação no nível de atividade do país asiático.

O PMI industrial chinês avançou de 35,7 em fevereiro para 52 em março, enquanto o índice do setor de serviços foi de 29,6 para 52,3 — um sinal animador para quem aposta na aceleração rápida da economia global depois de superado o pico do surto de coronavírus.

No entanto, os indicadores econômicos do Brasil aumentam a cautela dos agentes financeiros domésticos. Mais cedo, o IBGE divulgou que a taxa de desempregou aumentou para 11,6% no trimestre encerrado em fevereiro — o que implica num total de 12,3 milhões de pessoas sem trabalho.

Vale lembrar que os números da Pnad contínua ainda não englobam os primeiros efeitos do surto de coronavírus sobre a economia brasileira. Ou seja: a tendência é de piora nos próximos meses.

Assim, por mais que o tom seja mais ameno lá fora, o Ibovespa acaba se ressentindo desses números desanimadores referentes à economia doméstica e, com isso, acaba permanecendo no zero a zero.

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Juros em baixa

O pessimismo em relação à economia doméstica desencadeia mais uma onda de ajustes negativos no mercado de juros futuros, com os investidores cada vez mais convencidos de que novos cortes na Selic serão necessários para estimular a atividade local — e que as taxas serão mantidas em patamares mais baixos por um período prolongado.

Veja abaixo como estão os principais DIs nesta manhã:

  • Janeiro/2021: de 3,39% para 3,21%;
  • Janeiro/2022: de 4,17% para 4,01%;
  • Janeiro/2023: de 5,38% para 5,27%;
  • Janeiro/2025: de 6,75% para 6,67%.

Exportadoras sobem, Cogna cai

Os indicadores mais saudáveis da economia chinesa animam as ações de empresas exportadoras — caso das petroleiras, das mineradoras, das siderúrgicas e das papeleiras.

O destaque fica com a Petrobras: as ações ON (PETR3) sobem 5,51% e as PNs (PETR4) avançam 5,38%, entre as maiores altas do Ibovespa. Lá fora, a sessão é marcada pela recuperação do petróleo WTI, em alta de 2,49%.

No setor de mineração e siderurgia, o dia também é positivo: Vale ON (VALE3) tem alta de 5,12%, CSN ON (CSNA3) sobe 2,55%, Gerdau PN (GGBR4) avança 6,13% e Usiminas PNA (USIM5) valoriza 5,43%.

Por fim, Suzano ON (SUZB3) e as units da Klabin (KLBN11) exibem ganhos de 7,56% e 4,90%, respectivamente, também pegando carona no clima mais ameno para as exportadoras.

Veja abaixo as cinco maiores altas do Ibovespa no momento:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
SUZB3Suzano ON36,56+7,56%
BRFS3BRF ON15,50+6,82%
GOAU4Metalúrgica Gerdau PN4,78+6,22%
GGBR4Gerdau PN10,38+6,13%
PETR3Petrobras ON14,18+5,51%

Na ponta oposta, Cogna ON (COGN3) despenca 14,75% após reportar prejuízo líquido de R$ 168 milhões no quarto trimestre de 2019, revertendo o lucro de R$ 102,3 milhões registrado no mesmo período do ano passado — você pode encontrar os demais destaques do Ibovespa nesta terça-feira nesta matéria.

Confira os papéis de pior desempenho do índice:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
COGN3Cogna ON4,25-16,01%
CVCB3CVC ON11,04-14,75%
YDUQ3Yduqs ON23,88-10,80%
SMLS3Smiles ON12,23-10,40%
AZUL4Azul PN17,44-8,64%
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