XP diz o que esperar para os resultados do 3º trimestre
Corretora acredita que siderurgia e mineração e setor de proteínas devem apresentar os melhores resultados no período

Começou a temporada de balanços corporativos do terceiro trimestre, e a pergunta que fica é: o que esperar dos resultados, depois que a covid-19 levou a um segundo trimestre horroroso para muitas empresas?
Para a XP Investimentos, a maioria das companhias deve apresentar melhora em relação ao segundo trimestre, mas ainda estarão abaixo do apurado no mesmo período de 2019.
“Os indicadores econômicos referentes ao período têm apontando para uma retomada significativa, e esperamos que essa melhora se reflita também nos resultados a serem reportados pelas empresas brasileiras, com parte das companhias começando a dar sinais de recuperação, o que nos permite acreditar que o pior dos impactos frente ao covid-19 ficou para trás”, diz trecho do relatório.
O que observar?
Para a XP, é preciso olhar mais para como os resultados evoluíram do segundo para o terceiro trimestre do que para a comparação com o mesmo período de 2019, porque este ano foi muito atípico, distorcendo qualquer possibilidade de analisar em relação a períodos semelhantes.
Outro ponto que merece atenção é o nível de endividamento e a liquidez delas. Eles serão determinantes para definir qual a capacidade das companhias para atravessar o restante do ano, que continuará difícil e imprevisível.
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“Além disso, os investidores devem estar atentos às expectativas das companhias olhando para frente, tanto para os próximos meses, quanto para o novo ano que se aproxima, visando entender o que pode se esperar em relação à velocidade de recuperação após a crise mais rápida da história”, diz trecho do relatório.
Questões que também valem olhar são os planos de digitalização, tema que será um diferencial no mundo pós-pandemia, e medidas nas áreas ambiental, social e de governança corporativa (ESG, na sigla em inglês), que cada vez mais ganham destaque entre as gestoras.
Por setor
Como a pandemia afetou os segmentos da economia de diferentes maneiras, alguns setores devem ter desempenho melhor que outros, como siderurgia e mineração e frigoríficos, enquanto a parte de distribuição de combustíveis registrará resultados fracos.
Confira abaixo o que a XP espera para alguns setores:
Siderurgia e mineração
A alta do preço do minério de ferro entre o segundo e o terceiro trimestre, e a retomada gradual da demanda por aço, puxaram para cima os resultados do segmento de siderurgia e mineração, de acordo com a XP.
Estes fatores já foram vistos nos resultados da CSN, divulgados na quinta-feira passada (15). Ela registrou um lucro líquido de R$ 1,262 bilhão no terceiro trimestre, revertendo o prejuízo de R$ 871 milhões visto um ano antes, com crescimento de 40% da receita, para R$ 8,7 bilhões.
Proteínas
A expectativa para o segmento de proteínas é de desempenho positivo para frigoríficos expostos às carnes bovina e suína, caso da JBS, enquanto a carne de frango segue em um momento mais desafiador, prejudicando os resultados da BRF.
Segundo a XP, os frigoríficos de carne bovina foram beneficiados pelo aumento das exportações. No caso da carne suína, ela aproveita o avanço das vendas para a China após a imposição de restrições à exportação de carne suína vinda da Alemanha, um dos maiores fornecedores do país asiático.
“No caso da carne de frango, entendemos que o cenário doméstico segue desafiador no curto prazo, ao menos enquanto não houver redução significativa no alojamento, concomitantemente ao fato de que os preços em dólares das exportações seguem mais fracos na comparação anual, apesar de melhora sequencial nos últimos meses”, diz trecho do relatório.
Bancos
Para o setor de bancos, as projeções apontam para crescimento sequencial de lucros, mas os números ainda devem vir abaixo do visto no terceiro trimestre do ano passado. A expectativa está baseada em dados do Banco Central mostrando crescimento na concessão de crédito, recuo no nível de provisionamento para inadimplência, avanço da receita de serviços e custos sob controle.
“Acreditamos que Santander, Bradesco e Banrisul apresentem bons resultados, enquanto Banco do Brasil e Itaú ainda apresentem resultados mais tímidos”, diz trecho do relatório.
Varejo
O varejo deve demonstrar que está voltando ao normal, com gradual recuperação de vendas do varejo físico dada a reabertura das lojas ao longo do terceiro trimestre. As empresas de e-commerce continuarão apresentando resultados fortes, especialmente Via Varejo e Locaweb, segundo a XP.
Varejistas de alimentação passaram por uma retomada no terceiro trimestre e divulgarão resultados robustos, especialmente aqueles com posição no segmento de atacado, como o Carrefour Brasil.
As empresas de roupas devem apresentar melhora significativa nos resultados, especialmente C&A, Vivara e Lojas Renner, graças à reabertura das lojas físicas. “Apesar de ainda esperarmos queda de vendas no conceito ‘mesmas lojas’ no trimestre, acreditamos que setembro já tenha sido um mês próximo ao positivo e, portanto, uma boa sinalização para o quarto trimestre”, diz trecho do relatório.
Construção civil
As empresas de construção registrarão bons resultados no terceiro trimestre, especialmente aquelas ligadas à baixa renda, como Tenda, MRV e Direcional, por conta do déficit habitacional desta faixa de consumidores e os subsídios do programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal.
Elétricas e saneamento
As demonstrações financeiras das distribuidoras de energia refletirão os impactos da crise do COVID-19, ainda que de maneira branda, por conta retração de demanda de energia em alguns Estados, e aumento potencial nas provisões para inadimplência.
Os resultados das geradoras devem ser impactados negativamente pela alocação sazonal no trimestre e pelo GSF (medida do risco hidrológico, refletindo a menor incidência de chuvas no trimestre).
Já os resultados das empresas de saneamento devem ser um pouco mais fracos por conta do adiamento de reajustes tarifários para todas as empresas durante o trimestre, provisões potencialmente maiores para inadimplência e, no caso da Sabesp, maior participação da demanda residencial no mix, o que implica tarifas médias mais baixas.
Distribuidoras de combustíveis
As empresas deste setor, como BR Distribuidora, ainda sentiram os efeitos da queda no volume de vendas de combustíveis, com as medidas de distanciamento social e de combate ao novo coronavírus afetando as viagens.
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