Empresas do agronegócio se preparam para ir à Bolsa; veja candidatas
Seis empresas do segmento já entraram com o pedido na CVM; setor, que há tempos sustenta o PIB brasileiro, vinha distante das ofertas de ações

Companhias do agronegócio querem ir à Bolsa. Seis empresas do segmento já entraram com o pedido na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para realizar suas ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês).
O número promete crescer: outras companhias já contrataram bancos para estruturar a operação. É um movimento que acontece por causa dos juros baixos, que abrem mais uma possibilidade de financiamento.
O setor, que há tempos sustenta o PIB brasileiro, vinha distante das ofertas de ações. "Temos uma economia voltada ao agronegócio e é uma loucura a baixa representatividade do setor na Bolsa", diz Pedro Mesquita, sócio da XP, responsável pelo banco de investimento.
[captacao]
Em um ano de pandemia em que praticamente todos os setores sofreram um tombo, o PIB do agronegócio brasileiro registrou alta de 6,75% de janeiro a julho, o que equivale a R$ 109 bilhões, segundo os dados mais recentes do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.
Fila dos IPOs
Incluindo na conta o setor de proteína animal - que tem gigantes listadas, como JBS, Marfrig e Minerva -, o agronegócio responde por apenas 4% do valor de mercado total da B3. A lista de possíveis novas empresas na bolsa inclui:
Leia Também
- Centro de Tecnologia Canavieira (CNT)
- Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA)
- Granbio
- Vittia
- Boa Safra
- Oleoplan
Aos detalhes
O setor de açúcar e álcool é um dos que vêm se profissionalizando e quer levantar dinheiro com a venda de ações. Uma das empresas na fila para o IPO é o Centro de Tecnologia Canavieira (CNT), de Piracicaba (SP), que atua com soluções agrícolas e industriais para o setor sucroenergético.
A Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA) é outra do mesmo ramo disposta a estrear na Bolsa.
Da área de biotecnologia, a Granbio entrou com o pedido de abertura de capital com o objetivo de utilizar parte do dinheiro a ser levantado para a construção de sua primeira "unidade de produção de nanocelulose (menor e mais resistente unidade da biomassa) em escala global".
Na fila dos IPOs estão ainda a Vittia, de defensivos agrícolas, de São Joaquim da Barra (SP); a fabricante de sementes de soja Boa Safra, de Goiás; e a gaúcha Oleoplan, fabricante de biodisel.
Momento de mudança
A busca das empresas do agronegócio pelo mercado de capitais ocorre ainda em um momento em que bancos públicos, incluindo o BNDES, diminuíram o fluxo de capital para o setor, que passou a ser mais irrigado pelos bancos privados.
Para o sócio do escritório PGLaw e professor na Faculdade de Direito da USP, Carlos Portugal Gouvea, o setor do agronegócio do Brasil ainda conta com uma estrutura de financiamento bastante arrojada.
"O financiamento agrícola no Brasil é sofisticado, mas para o crescimento via novas tecnologias o espaço mais adequado é o mercado de capitais, e isso é um movimento global".
Carlos Portugal Gouvea, professor na Faculdade de Direito da USP.
Segundo o corresponsável pelo corporate banking do Citi Brasil, André Cury, as empresas do agronegócio já acessam o mercado de capitais, utilizando muito, por exemplo, o certificado de recebíveis do agronegócio, os CRAs.
Ano dos IPOs
A abertura de capital dessas empresas deve ficar para o ano que vem, depois de um 2020 marcando por muitas movimentações na bolsa.
Segundo dados divulgados pela Anbima, a entidade que representa as empresas do mercado de capitais, o volume captado em ofertas de ações nos três primeiros trimestres de 2020 supera em 20,5% o volume do mesmo período do ano passado.
Foram captados R$ 69,2 bilhões em ofertas de ações até setembro, sendo R$ 13,8 bilhões em IPOs (ofertas públicas iniciais) e R$ 55,4 bilhões em follow-ons (ofertas subsequentes, feitas por empresas que já tinham ações negociadas em bolsa).
No mesmo período do ano passado, foram R$ 57,5 bilhões em ofertas, sendo apenas R$ 4,5 bilhões em IPOs e R$ 52,9 bilhões em follow-ons. Já em 2018, o volume total captado nos três primeiros trimestres foi de apenas R$ 9,2 bilhões.
*Com informações de Estadão Conteúdo
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