Menu
2020-05-08T12:38:01-03:00
Estadão Conteúdo
bastidores da montadora

Em meio à pandemia, Ford negocia com novo interessado na Fábrica do ABC

Empresa tenta vender as instalações desde o anúncio do encerramento das atividades no local, em fevereiro do ano passado

8 de maio de 2020
12:36 - atualizado às 12:38
Ford
Ford - Imagem: shutterstock

Em meio à pandemia do coronavírus a Ford iniciou negociações com grupo de fora do setor automobilístico interessado na compra da fábrica do ABC paulista. A empresa tenta vender as instalações desde o anúncio do encerramento das atividades no local, em fevereiro do ano passado. Desde então, entraram no páreo duas empresas chinesas e o empresário brasileiro Carlos Alberto de Oliveira Andrade, todos do ramo automotivo.

O dono do Grupo Caoa e de revendas Ford era o mais cotado para ficar com a planta, mas desistiu após ter pedido de empréstimo negado pelo BNDES.

Lyle Watters, presidente da Ford América do Sul, afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que "temos novos interessados, incluindo não automotivos e com alto potencial de geração de empregos". Disse que há progresso nas negociações, mas não deu detalhes.

O fechamento da fábrica do ABC que produziu automóveis e caminhões por 52 anos como parte de um programa de redução de custos já deu alguns resultados. A empresa encerrou o primeiro trimestre com prejuízos de US$ 113 milhões, resultado 29% melhor que em igual período de 2019, com perdas de US$ 158 milhões. O Brasil representa 60% dos negócios na região.

Desinfecção

Com previsão de reabrir as três fábricas no País em 1º de junho, a Ford prepara amplo programa de segurança para evitar a contaminação pelo vírus da covid-19 tanto entre funcionários como entre concessionários e consumidores.

Nas fábricas de carros em Camaçari (BA), na de motores em Taubaté (SP) e na de jipes Troller em Horizonte (CE) os procedimentos seguirão normas adotadas pelo grupo na China e na Europa, e em acordo com o Ministério da Saúde e a Anvisa.

Em ação inédita, a Ford lançou na quinta-feira, 7, serviço de desinfecção dos carros com produto fabricado pela 3M e até agora usado por hospitais. Diferente da higienização, que elimina a sujeira, o Ford Clean, como é chamado, acaba com bactérias e vírus e será aplicado em 50 itens do automóvel como volante, alavanca de freios, bancos, fechaduras e chave de ignição.

O serviço será fornecido a partir de segunda-feira e custa R$ 129. Por enquanto vai ser aplicado apenas em modelos da marca que passaram por testes de compatibilidade do produto. "Cada empresa utiliza diferentes materiais em sua produção e, neste momento, só vamos aplicar onde temos certeza de que não haverá deterioração para garantir a integridade do produto", informou Rogelio Golfarb, vice-presidente da Ford.

A montadora também criou um selo de certificação para os concessionários, que têm de cumprir 15 protocolos de segurança. Segundo a empresa, as 285 revendas já receberam o certificado, embora só metade delas está funcionamento em razão de normas adotadas por Estados e municípios. "Nossas revendas serão um oásis de segurança", afirmou Watters.

Segundo ele, até que surja uma vacina contra a covid-19 as pessoas terão receio de usar transporte público e vão querer ficar "em suas bolhas" e se sentirem protegidas. O Ford Clean é uma forma de proporcionar essa segurança e, de acordo com a empresa, há outros países interessados no procedimento.

Sobre a retomada da produção Watters afirmou que, embora a previsão é para início de junho, pode ocorrer de cada uma das três fábricas reabrir em momentos diferentes. "Vai depender de como estiver a situação da contaminação em cada Estado", disse. "Se houver qualquer risco não vamos abrir."

Juro ainda alto

O executivo acredita que a decisão do Banco Central de reduzir a taxa Selic pode ajudar a estimular a economia. Assinalou, porém, não ter visto ainda redução equivalente chegar ao cliente do varejo. "As taxas reais de juros para empréstimos estão muito altas tanto para empréstimos às empresas como para consumidores."

Watter disse entender que os bancos estão preocupados com a capacidade de crédito dado os níveis de desemprego e de insegurança, "mas precisamos ser cuidadosos para não entrarmos num círculo vicioso". Para ele, "é preciso achar formas de ver as reduções do BC fluindo para o mundo real e não as margens sendo retidas no sistema bancário".

Em sua opinião, para ajudar a economia no curto prazo seria importante retomar projetos de infraestrutura para gerar empregos e movimentar a indústria. Em relação ao setor automotivo, ele argumentou que governos de muitos países estão oferecendo pacotes de estímulo à produção e vendas. No Brasil, disse, uma ação específica seria um programa de renovação da frota.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) tem mantido há mais de um mês, sem sucesso, reuniões com o Ministério da Economia, BNDES e bancos para obter linha de crédito que ajude na recomposição do caixa. A maioria das montadoras, autopeças e revendas alegam estar sem liquidez.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Que pi… é essa?

Eu decidi sair do banco, mas não queria entrar em uma enrascada. Bem, acredito que eu tenha encontrado um portal para fugir dessa Caverna do Dragão das finanças. E cá estou para explicar essa descoberta.

Novos tempos

Alvo de Bolsonaro, home office avança no setor público

Bolsonaro usou trabalho remoto para atacar presidente da Petrobras

Mais uma na área

FDA autoriza uso emergencial de vacina de dose única nos EUA

Imunizante é produzido pela Johnson & Johnson

Contra a pandemia

Matéria-prima para produção de 12 milhões de doses de vacina chega ao Rio

Total de efetivamente imunizados não chega a 1% da população brasileira

Acordo confirmado

Notre Dame Intermédica e Hapvida chegam a acordo para combinação de negócios

Ações da Notre Dame serão incorporadas pela Hapvida; acordo resultará em uma das maiores empresas de saúde do mundo

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies