‘É fundamental manter auxílio de R$ 600’, diz presidente do Atacadão
Em entrevista, Roberto Müssnich conta como tem sido o atendimento durante a pandemia e as mudanças desde o início da crise

Diante das disputas políticas que agravam a crise causada pelo novo coronavírus no Brasil - e que já fazem a previsão média de queda do PIB neste ano superar 6% -, o executivo Roberto Müssnich, presidente do Atacadão, do grupo Carrefour, afirma que um movimento foi vital para que a crise não se agravasse ainda mais: a liberação do auxílio de R$ 600 para trabalhadores autônomos.
"Foi fundamental e é fundamental continuar. Não sei até onde vai a capacidade do governo. Achei muito sensível e rápida a resposta da máquina pública", disse ele, ao participar, nesta semana, da série de entrevistas ao vivo Economia na Quarentena, do Estadão.
Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista.
Como o Atacadão se preparou para manter o atendimento durante a crise?
O Atacadão virou atividade essencial. No primeiro momento, nossa preocupação foi em proteger nossos colaboradores e clientes. Fizemos ajustes, com ações de limpeza, máscaras, medição de temperatura de cliente e uma readequação nas lojas. Afastamos pessoas que faziam parte do grupo de risco. Dos 55 mil colaboradores, foram 3,8 mil pessoas.
Como tem sido o atendimento durante a pandemia?
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Na última semana de março, tivemos uma busca muito forte por produtos, um crescimento de mais de 20% em relação ao mesmo período do ano passado. Nossa venda, porém, tem 20% de participação dos restaurantes. Teoricamente, perderíamos essa venda. Mas fizemos ajustes rápidos. Os mercados pequenos de bairro ganharam importância. Estamos em 230 endereços. O tíquete médio de compra aumentou 25%.
As pessoas mudaram seus hábitos de consumo?
Toda crise gera oportunidade. Estar num ambiente seguro hoje é mais importante do que a marca A ou B. As compras passaram a ser mais racionais do que por impulso. E houve uma busca por produtos básicos. E nisso somos muito bons. Em março, não se vendeu nada de bebidas. Depois, começaram as pequenas indulgências - de uma carne melhor, cerveja e vinho. Entender esse movimento que as pessoas fizeram foi muito importante.
Já dá para prever como será o consumo pós-pandemia?
Vamos ter um período de desemprego e dinheiro contado. As pessoas vão pensar antes de comprar alguns produtos. Elas podem migrar para marcas alternativas para poder comprar duas unidades de um produto, em vez de uma. Por isso, temos sempre uma marca A, uma B e uma C à disposição nas lojas. Acredito que os produtos chegaram num padrão que o ruim não vende de novo. As pessoas vão fazer trocas, sim.
Como vai ficar a compra das lojas do Makro?
Nosso investimento está garantido este ano. No ano passado, fizemos 20 lojas. Neste ano, talvez cheguemos a 18, mas já há 20 em construção. Além disso, o Makro decidiu se concentrar em São Paulo, e compramos 30 pontos privilegiados fora do Estado. Estamos aguardando o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). A partir daí, vamos fazer dessas lojas Atacadão. Não sei se conseguimos fazer tudo isso neste ano, mas com certeza faremos até março ou abril de 2021.
A crise política está afetando ainda mais a nossa economia. Como é viver uma crise em cima de outra?
Quando todos tentam se retaliar, é ruim. Vamos ver uma pobreza crescente - e todos estamos no mesmo barco. Ou todos sobrevivemos ou todos afundamos. Agora não é momento de discussão. Vamos deixar para discutir quando as coisas estiverem bem.
O auxílio emergencial de R$ 600 ajudou nesse tempo de pandemia? Ele deveria ser estendido, em sua opinião?
É extremamente importante. Fomos a primeira empresa a aceitar o cartão do benefício no caixa. Ajustamos o nosso sistema para aceitar o cartão da Caixa. Quando você está na loja, vê o quão isso é importante para a necessidade básica. Foi fundamental e é fundamental continuar. Não sei até onde vai a capacidade do governo para ajudar as pessoas. Achei muito sensível e muito rápida a resposta da máquina pública. Acredito sim em uma recuperação mais rápida se cada um contribuir. Nós contratamos 5 mil pessoas (desde o início da pandemia). Na quinta-feira, inauguramos uma loja nova em Picos, no Piauí, com 350 empregos diretos.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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