Braskem fecha 2019 com prejuízo líquido de R$ 2,8 bilhões, revertendo o lucro de 2018
A Braskem encerrou 2019 com um prejuízo bilionário e contração nas receitas e no Ebitda em relação a 2018

A Braskem teve um 2019 para ser esquecido. Problemas com a unidade de exploração de sal-gema em Alagoas, impasses entre seus principais acionistas, fraqueza no mercado petroquímico — tudo conspirou para que a companhia tivesse um ano particularmente fraco.
O retrato preciso dessa fraqueza foi conhecido agora, com a divulgação do balanço da empresa no quarto trimestre de 2019 — a entrega do documento foi postergada mais de uma vez, ocorrendo fora do prazo regulamentar da CVM. E, assim como nos períodos anteriores, a Braskem mostrou números pouco animadores.
Entre outubro e dezembro do ano passado, a petroquímica reportou um prejuízo líquido de R$ 2,922 bilhões — no mesmo intervalo de 2018, as perdas foram de R$ 78 milhões. Com isso, a Braskem encerrou 2019 com um prejuízo de R$ 2,798 bilhões, revertendo os ganhos de R$ 2,867 bilhões contabilizados no ano anterior.
A receita líquida também decepcionou no quarto trimestre de 2019, recuando 15% em relação aos três últimos meses de 2018, para R$ 12,6 bilhões. No acumulado do ano passado, a receita somou R$ 52,3 bilhões, queda de 10% na base anual.
Em mensagem aos acionistas, a Braskem destaca que as fortes perdas contabilizadas no quarto trimestre e em 2019 se devem à provisão contábil de R$ 3,383 bilhões referente ao acordo firmado com o governo de Alagoas, de modo a compensar o Estado pelo impacto das operações de mineração da empresa.
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O Ebitda — ou seja, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização — também passou por um enfraquecimento: no quarto trimestre, caiu 45%, para R$ 1,047 bilhão; em 2019, recuou 31%, para R$ 7,84 bilhões.
[captacao]
Endividamento e alavancagem
No front do endividamento, há notícias negativas e positivas: a dívida líquida da Braskem subiu de US$ 4,869 bilhões ao fim de setembro para US$ 5,369 bilhões no término de dezembro — um salto de 10% em um trimestre.
Com isso, a alavancagem da companhia, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda nos últimos 12 meses, chegou a 3,70 vezes — em setembro, a relação era de 2,84 vezes e, em dezembro de 2018, era de 2,06 vezes.
Do ponto de vista de geração livre de caixa, a Braskem fechou 2019 com R$ 3,1 bilhões — um resultado positivo, mas ainda 56% menor que os R$ 7,06 bilhões gerados em 2018.
A posição de caixa da petroquímica no fechamento de 2019, contudo, era de US$ 2,373 bilhões, montante 32% maior que o visto em dezembro de 2018. Essa cifra, aliada ao perfil alongado do endividamento — quase metade da dívida possui vencimento apenas a partir de 2030 — dá tranquilidade à empresa.
A Braskem não passou qualquer tipo de projeção financeira para 2020. A única informação referente a esse ano é a de investimentos previstos, no montante de US$ 3,01 bilhões.
Ações em baixa
Em 2019, as ações PNA da Braskem (BRKM5) acumularam baixa de 35,22% e tiveram o pior desempenho de todo o Ibovespa — e olha que o índice brasileiro subiu 31,58% no ano passado.
A tendência de queda continua firme neste ano: em meio ao colapso das bolsas globais por causa do surto de coronavírus, os papéis da petroquímica já recuam 47,67% — na última sexta-feira (3), recuaram 7,41%, a R$ 15,62.

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