BNDES vai até Brasília explicar ‘caixa-preta’
Comitiva vai dar explicações sobre a auditoria de R$ 48 milhões; estudo não encontrou nenhuma irregularidade no banco

Comitiva formada por executivos do BNDES, incluindo seu presidente, Gustavo Montezano, desembarcou em Brasília na segunda-feira, 27, numa peregrinação para dar explicações sobre a auditoria de R$ 48 milhões que prometia abrir a "caixa-preta" das operações com a JBS. A agenda ocorre uma semana após o jornal O Estado de São Paulo revelar que o estudo milionário não encontrou nenhuma irregularidade no banco, contrariando investigações feitas pelo Ministério Público Federal, Tribunal de Contas da União e uma CPI da Câmara dos Deputados.
O valor final do trabalho surpreendeu o ex-presidente da instituição Paulo Rabello de Castro, que disse ao jornal O Estado de São Paulo ter fechado um contrato inicial que custava cerca de 25% desse valor. O jornal O Estado de São Paulorevelou que um dos dois aditivos ocorreu já na gestão do atual presidente.
A primeira rodada de conversas ocorreu na Controladoria-Geral da União (CGU) e seguiu no início da tarde na Câmara dos Deputados e no Tribunal de Contas da União. Diante da agenda movimentada, os executivos do banco se dividiram entre os compromissos. Eles deixaram os encontros sem dar entrevistas. No Ministério da Economia, Montezano não usou a entrada principal para acessar o prédio, evitando assim esbarrar com a imprensa.
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Segundo a agenda oficial do BNDES, Montezano foi ao TCU para conversar com o ministro Aroldo Cedraz. Na semana passada, o ministro Augusto Sherman deu 20 dias para que o banco desse mais detalhes sobre os gastos com a auditoria. De lá, seguiu para o Ministério da Economia, onde se encontrou com o secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, e o secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, para "alinhamento institucional".
Assim que o caso foi revelado pelo jornal, no início da última semana, representantes da CPI do BNDES na Câmara encaminharam um ofício ao banco cobrando explicações. Os parlamentares queriam saber, especialmente, por que Montezano não informou ao colegiado, ao longo do ano de 2019, que uma auditoria milionária estava sendo realizada no banco público.
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Na Câmara, na segunda-feira, executivos do banco falaram por pelo menos 40 minutos com a vice-presidente da CPI, Paula Belmonte (Cidadania-DF). Justificaram que os aditivos no contrato foram feitos na medida em que o trabalho aumentou.
"A gente sabe que tem 'caixa-preta'. Com essa auditoria, eles deram argumento para a oposição se valer de uma história que não é real. Essa auditoria é inconclusiva. O BNDES reconhece isso. A própria empresa de consultoria deixou claro que ela não teve acesso a alguns tipos de informação", destacou a deputada.
À parlamentar, os representantes do BNDES garantiram que a pretensão da auditoria "nunca foi" desqualificar ou diminuir os trabalhos da CPI ou do TCU, que têm apontado em acórdãos e relatórios diversos indícios de irregularidades.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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