Acordo entre família Ermírio de Moraes e Banco do Brasil libera IPO do Banco Votorantim
O documento dos sócios é o ponto de partida para a abertura de capital do BV, que deverá render R$ 5 bilhões e está marcada para o mês de abril

O Banco do Brasil e a família Ermírio de Moraes chegaram a um acordo que vai garantir a abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) do Banco Votorantim, que hoje se autodenomina BV.
O documento é o ponto de partida para a operação que deverá render R$ 5 bilhões e está marcada para o mês de abril.
A assinatura de um novo acordo de acionistas é fundamental, pois o antigo não permitia que o BB vendesse ações ou tivesse outros sócios no negócio, explicou uma das quatro fontes consultadas sobre o tema. Até agora, eram permitidas apenas vendas de participações diretas, e não no mercado financeiro.
Com o novo acordo de acionistas, que depende do aval dos órgãos reguladores, o BV ficará livre para protocolar o pedido de IPO na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Procurados, o BB e a família Ermírio de Moraes não comentaram. O BV também não se manifestou.
A ideia dos sócios é avaliar o BV na Bolsa entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões. Na quinta-feira, o banco anunciou lucro de R$ 1,37 bilhão ao longo de 2019, alta de 29,1% ante o ano anterior. Antes de 2018, o banco havia passado por um período de reestruturação.
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Para o diretor de renda variável da Eleven Financial, Carlos Daltozo, considerada uma aceleração do lucro em 2020 e as mesmas projeções feitas a bancos tradicionais, o BV poderia ser avaliado em R$ 19 bilhões na Bolsa. "É um cenário possível, considerando a dinâmica atual da economia", disse.
Porém, o analista chama atenção para a possibilidade de o mercado exigir algum desconto no caso do BV, que tem o BB como controlador. Daltozo lembra que o banco público é negociado hoje com 25% de desconto sobre os pares privados no mercado financeiro.
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De cara nova
O BV está debruçado em se posicionar na nova onda dos bancos digitais, que tem motivado a volta do setor à Bolsa. "Em vez de tentar mudar uma cultura corporativa e a forma como a organização está estruturada, o BV tenta se tornar um parceiro popular para as fintechs", disse Victor Schabbel, analista do Bradesco BBI, em breve comentário ao mercado.
Não foi apenas o nome do Votorantim que mudou. Em termos de resultado, o BV chegará à Bolsa com outra cara. Além da alta no lucro, os empréstimos avançaram 10% no ano passado, a rentabilidade média sobre o patrimônio líquido foi a 14%, ante 11,5% em 2018.
Na semana passada, o presidente do BB, Rubem Novaes, confirmou, em entrevista, que o banco e a família devem vender fatias proporcionais no IPO do BV. Conforme antecipou a Coluna do Broadcast em 28 de janeiro, cada sócio vai se desfazer de R$ 2 bilhões em ações do Votorantim na oferta.
Assim, a oferta secundária, que vai para o bolso dos acionistas, totalizaria R$ 4 bilhões. O R$ 1 bilhão restante será a parte primária, que injetará recursos no caixa do banco para financiar a expansão de suas atividades, com foco no digital.
Assim, os sócios vão manter a mesma proporção no BV, a despeito da oferta inicial de ações. Atualmente, a família Ermírio de Moraes detém 50,01% do capital com direito a voto do banco , enquanto o BB tem os demais 49,99%.
"É muito importante ter a oxigenação para o BV que a abertura para o mercado dá. O Votorantim está passando por um processo de modernização. Esperamos que seja um sucesso o IPO. Vamos vender apenas um pedaço na mesma proporção dos outros sócios", disse Novaes a jornalistas, depois de evento do Credit Suisse, na semana passada.
Os sócios também já bateram o martelo quanto ao sindicato de bancos que vai coordenar o IPO do BV. Além do próprio BB e do JPMorgan, que fez o trabalho de preparação do banco para a oferta, estão ainda envolvidos Goldman Sachs, Morgan Stanley, Itaú BBA, UBS e Bank of America.
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