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Dividendos e o fim dos passivos ambientais devem impulsionar os papéis da mineradora, segundo o analista

A redução das projeções para produção de minério de ferro em 2020 e 2021 pela Vale (VALE3) pode ter desagradado muitos investidores – quando o ajuste foi anunciado, na quarta-feira (2), as ações caíram 1,7% –, mas o analista Victor Penna, do BB Investimentos, acredita que a decisão não abala a tese de investimento da mineradora.
Na verdade, ele avalia que as condições de mercado estão favoráveis à companhia – perspectiva de retomada da economia global, especialmente a China, e preços de minério de ferro maiores que o projetado – e que ela melhorou aspectos de governança e a segurança de suas operações, fatores que apontam um rumo para crescer com segurança.
Projetando que as ações devem passar por um processo de revisão dos patamares de preços com a retomada dos pagamentos de dividendos, o analista do BB Investimentos decidiu elevar o preço-alvo delas, de R$ 78,00 para R$ 99,00, patamar que pressupõe um potencial de alta de 25,4%. A recomendação permanece sendo de compra.
“Após a tragédia de 2019, a companhia vem sendo negociada a múltiplos inferiores aos seus pares internacionais BHP e Rio Tinto. Como tais entraves foram praticamente deixados para trás, ao nosso ver, a lacuna de avaliação está aos poucos sendo preenchida, e catalisadores como dividendos e o fim dos passivos ambientais devem impulsionar os papéis da Vale à frente”, diz trecho do relatório.
Escrito após o Vale Day, evento que reúne executivos da empresa com analistas e investidores, ocorrido na quarta-feira (2), o relatório destaca que a companhia está trabalhando para tornar suas operações seguras e que está tratando o episódio de Brumadinho com prioridade, buscando uma solução. Já foram desembolsados mais de US$ 2,6 bilhões em indenizações e reparação ambiental, entre outros, e o saldo de provisões esperado para o final de 2020 é de cerca de US$ 2,7bi.
“A Vale tem constantemente reforçado sua ambição de se tornar a mineradora mais segura e confiável do mundo”, diz trecho do comunicado.
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A mesma postura foi identificada no caso de temas ESG, sigla em inglês que engloba questões sobre meio ambiente, aspectos sociais e governança corporativa.
O analista do BB Investimentos também abordou a questão da revisão das metas de produção.
No caso do minério de ferro, a expectativa de produção em 2020 foi rebaixada para uma faixa de 300 milhões a 305 milhões de toneladas, de um período de 310 milhões a 330 milhões de toneladas anunciado anteriormente. Para 2021, a empresa estima de 315 milhões a 335 milhões de toneladas (antes ela esperava algo entre 375 milhões a 395 milhões de toneladas).
Segundo ele, o guidance de 2020 acabou sendo alterado por conta das fortes chuvas que atingem a região Norte. E destacou que a expectativa de atingir o patamar de 400 milhões de toneladas por ano (Mtpa) ao final de 2022 foi mantida, com a empresa concentrando esforços em ganhar produtividade.
“Com o aumento da produção e da produtividade, a empresa espera reduzir o custo caixa de minério de ferro (ou ‘C1’) de cerca de US$ 13,60 por tonelada em 2020 para US$ 10,50 a 12,00 a tonelada quando chegar ao nível de produção de 400 Mtpa”, diz trecho do relatório.
Depois de registrar no terceiro trimestre o maior lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) desde 2014, a Vale projeta uma geração de caixa consistente até 2023, segundo o analista do BB Investimentos, abrindo espaço para redistribuir dividendos com regularidade.
Suspensa após o rompimento da barragem de Brumadinho, a política de remuneração foi restabelecida e prevê pagamentos semestrais cujo valor mínimo é calculado por 30% do Ebitda ajustado menos investimento corrente (capex).
“Em nosso modelo, estimamos que o valor distribuído poderá alcançar US$ 6,4 bilhões em 2021, o que representaria um yield [rendimento] de 8,2% sobre o valor da cotação atual”, diz trecho do relatório.
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