Vendas do varejo recuam 2,5% em março, com queda limitada pelos serviços essenciais
Em meio à crise do coronavírus, supermercados e artigos médicos registram forte alta, diz IBGE; varejo ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, tombou 13,7%

No início da crise do novo coronavírus, as vendas no varejo recuaram 2,5% em março em relação a fevereiro, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo o IBGE, a queda só não foi mais intensa por causa de áreas consideradas essenciais durante o período de isolamento social — como supermercados (avanço de 14,6%) e artigos médicos, de perfumaria e cosméticos (alta de 1,3%). Foram os dois únicos setores com avanços nas vendas frente a fevereiro.
O IBGE relevou no último dia 8 que os preços de alimentos e bebidas seguiram aumentando em abril por causa da crise. No geral, o país registrou uma queda generalizada dos preços, de 0,31%, por causa da baixa demanda.
Ainda segundo a pesquisa divulgada nesta quarta, na série sem ajuste sazonal, o comércio varejista recuou 1,2% em relação a março de 2019, contra aumento de 4,7% em fevereiro. Foi a primeira queda após 11 meses consecutivos de variações positivas nesta comparação. O varejo acumulou alta de 1,6% no ano e 2,1% nos últimos doze meses.
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Seis de oito atividades recuaram
Segundo o IBGE, seis das oito atividades pesquisadas registraram queda no volume de vendas do comércio varejista, sobretudo aquelas que tiveram suas lojas físicas fechadas em algumas cidades do país, a partir da segunda quinzena do mês.
Apresentaram resultados negativos:
- Tecidos, vestuário e calçados (-42,2%);
- Livros, jornais, revistas e papelaria (-36,1%);
- Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-27,4%);
- Móveis e eletrodomésticos (-25,9%);
- Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-14,2%);
- Combustíveis e lubrificantes (-12,5%).
Veículos e materiais de construção
No varejo ampliado, que inclui as atividades de Veículos, motos, partes e peças e de Material de construção, o volume de vendas recuou 13,7% em relação a fevereiro. Foi a queda mais intensa desde o início da série, em fevereiro de 2003.
Em relação a março de 2019, o comércio varejista ampliado recuou 6,3%, primeira queda após 11 meses consecutivos de variações positivas, com estabilidade (0,0%) no acumulado no ano.
De acordo com o IBGE, ao justificar a variação detectada em suas receitas de vendas em março, 43,7% das empresas citaram o coronavírus como principal causa.
Na comparação com março de 2019, a queda no volume de vendas das empresas que relataram impacto do Covid-19 em suas atividades foi de 23,0%, enquanto a retração das que não reportaram qualquer impacto da quarentena em suas receitas foi de 1,5%, na mesma comparação.
O comércio varejista recuou 1,2% em relação a março de 2019 e a influência das receitas das empresas que relataram algum impacto devido ao Covid-19 nesse indicador foi de (-2,6 p.p.) enquanto a influência das que não relataram qualquer impacto foi de 1,4 p.p.
No varejo ampliado, a queda no volume de vendas das empresas impactadas pelo Covid-19 foi de 26,8%, enquanto a das que não relataram impacto foi de 3,1%. A influência do subgrupo de empresas impactadas na variação do varejo ampliado em relação a março de 2019 (-6,3%) foi de -3,7 p.p, enquanto o subgrupo das demais influiu com -2,6 p.p.
Impactos da crise
A crise do coronavírus derrubou a oferta e a demanda a partir de meados de março, mas o país passou a conhecer o reflexo da pandemia sobre a economia nas últimas semanas.
A produção industrial caiu 9,1% em março, em comparação com o fevereiro, segundo o IBGE. O resultado é o pior para o mês desde 2002. A queda foi de 3,8% em relação ao mesmo período de 2019, ainda conforme o instituto. O setor industrial acumula baixa de 1,7% no ano e de 1% em 12 meses.
Também em março, o volume de serviços no Brasil caiu 6,9%. Foi o resultado negativo mais intenso desde o início da série histórica, que começou em janeiro de 2011. O índice havia recuado 1,0% em fevereiro.
Em abril, a produção de veículos caiu 99,3%, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), na comparação é com o mesmo período do ano passado. As fábricas produziram 1,8 mil unidades no mês, o menor resultado para um mês desde o início da série histórica, em 1957.
O mercado já projeta um tombo de 4,11% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, segundo o boletim Focus, do Banco Central, desta segunda-feira (11). A perspectiva de recuo da economia fez a autoridade monetária reduzir a taxa básica de juros para 3% ao ano, no último dia 6.
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