Setor de serviços cai 6,9% em março e tem pior resultado da série iniciada em 2011
Desempenho é resultado da crise do coronavírus; em fevereiro índice já havia recuado 1%, segundo o IBGE

O volume de serviços no Brasil caiu 6,9% em março, informou nesta terça-feira (12) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o resultado negativo mais intenso desde o início da série histórica, que começou em janeiro de 2011.
O índice havia recuado 1,0% em fevereiro. No mês seguinte teve início as medidas de isolamento social em todo o país por conta da pandemia do novo coronavírus.
De acordo com o gerente da pesquisa do IBGE, Rodrigo Lobo, os impactos sobre as empresas do setor de serviços foram sentidos principalmente nos últimos dez dias do mês de março, quando começaram as paralisações.
“Aos poucos os governos locais foram tomando medidas mais fortes no sentido de se praticar o isolamento social e com isso algumas empresas de setores considerados não essenciais, como restaurantes, acabaram tendo que funcionar de forma parcial, muitas vezes migrando para o sistema de delivery, mas os hotéis não têm essa opção e acabaram fechando”, diz.
Segundo o instituto, no confronto com março de 2019, o volume de serviços recuou 2,7%, interrompendo uma sequência de seis taxas positivas. No acumulado do ano, o volume de serviços mostrou variação negativa de 0,1% frente a igual período do ano anterior e, nos últimos doze meses, acumula alta de 0,7%.

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Serviços prestados às famílias tomba 31,2%
A retração do volume de serviços, de fevereiro para março de 2020, foi acompanhada por todas as cinco atividades investigadas, com destaque para as quedas em serviços prestados às famílias (-31,2%), e por transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (-9,0%).
Os serviços profissionais, administrativos e complementares (-3,6%) acumularam perda de 7,6% nos últimos 6 meses e os de informação e comunicação (-1,1%) caíram 3,2% entre janeiro e março deste ano. Já os outros serviços (-1,6%) eliminaram uma pequena parte do ganho de 8,3% acumulado entre setembro de 2019 e março de 2020.
Ainda na série com ajuste sazonal, a média móvel trimestral para o volume de serviços caiu 2,5% no trimestre encerrado em março de 2020 frente ao nível do mês anterior, intensificando o ritmo de queda frente a janeiro (-0,1%) e fevereiro (-0,4%), diz o IBGE.
Na comparação com igual mês de 2019, o recuo foi de 2,7% em março de 2020, com retração em apenas duas das cinco atividades de divulgação. Houve ainda crescimento em 39,8% dos 166 tipos de serviços investigados.
A maior parte (24) das 27 unidades da federação teve retração no volume de serviços em março de 2020, em relação a fevereiro, acompanhando o recuo (-6,9%) do país. São Paulo (-6,2%) e Rio de Janeiro (-9,2%) sofreram as perdas mais importantes, pressionados pelos segmentos de alojamento e alimentação.
Outras pressões negativas relevantes vieram do Rio Grande do Sul (-11,0%), Distrito Federal (-10,9%) e Paraná (-5,4%). Em contrapartida, os únicos impactos regionais positivos vieram do Amazonas (1,9%), de Rondônia (3,1%) e do Maranhão (1,1%).
Índice de atividades turísticas tomba 30%
Em março de 2020, o índice de atividades turísticas caiu 30,0% frente a fevereiro, queda mais intensa da série histórica. Todas as doze unidades da federação onde as atividades turísticas são avaliadas acompanharam esta retração, com destaque para Rio de Janeiro (-36,6%), Minas Gerais (-30,8%) e São Paulo (-28,8%), segundo o IBGE.
Na comparação com março de 2019, o volume de atividades turísticas no Brasil caiu 28,2%, interrompendo seis taxas positivas seguidas e pressionado, principalmente, pela queda de receita de restaurantes, hotéis, e transporte aéreo e rodoviário coletivo de passageiros. Em sentido oposto, o segmento de locação de automóveis apontou a principal contribuição positiva sobre a atividade turística.
As doze unidades da federação onde o indicador é investigado mostraram recuo nos serviços voltados ao turismo, com destaque para Rio de Janeiro (-30,5%), Minas Gerais (-28,3%) e São Paulo (-28,2%).
No acumulado do ano, as atividades turísticas caíram 6,2% frente a igual período de 2019, pressionado, mais uma vez, pelos ramos de restaurantes, hotéis, transporte rodoviário coletivo de passageiros e catering, bufê e outros serviços de comida preparada. Mas o segmento de locação de automóveis teve, de novo, o maior impacto positivo.
Os doze locais investigados também tiveram taxas negativas, com destaque para o Distrito Federal (-15,3%), Rio Grande do Sul (-10,1%), Minas Gerais (-8,5%) e São Paulo (-7,9%).
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