2020-03-26T11:16:05-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.
Economia impactada

Pedidos de seguro-desemprego nos EUA saltam ao maior nível da história com a crise do coronavírus

Em meio ao surto de coronavírus, o número de pedidos de seguro-desemprego nos EUA ultrapassou a marca de 3 milhões na semana, marcando um novo recorde histórico

26 de março de 2020
11:16
Imagem: Shutterstock

O surto global de coronavírus já causa os primeiros estragos na economia dos EUA. Há pouco, o Departamento de Trabalho do país reportou uma disparada no número de cidadãos que deram entrada nos pedidos de seguro-desemprego — um indício de que os impactos da pandemia serão intensos por lá.

Na semana encerrada em 21 de março, foram registrados 3,28 milhões de novas solicitações de auxílio-desemprego — um aumento de mais de 3 milhões em relação à semana anterior, quando apenas 282 mil pedidos foram feitos.

O resultado divulgado hoje representa o maior nível já registrado na série histórica do departamento — o recorde anterior era de 695 mil, marcado em outubro de 1982. O dado superou a média das projeções dos analistas consultados pela Business Insider, que apontava para cerca de 2,7 milhões de pedidos de seguro-desemprego na semana.

A forte elevação ocorre em paralelo à disseminação do coronavírus pelo território americano. Segundo dados compilados pela universidade John Hopkins, já são quase 70 mil casos da doença e mais de 600 mortes no país — a região de Nova York é a mais crítica nos EUA, com 280 óbitos.

Evolução dos pedidos de seguro-desemprego nos EUA. a linha pontilhada mostra o resultado da semana encerrada em 21 de março (Fonte: Departamento de Trabalho dos EUA)

Com o surto da doença, autoridades do mundo todo têm incentivado o isolamento social e o fechamento dos comércios não-essenciais para tentar conter o avanço do vírus — uma situação que pressiona especialmente os pequenos e médios negócios, que costumam ter uma situação de caixa mais apertada e, consequentemente, não conseguem suportar um período prolongado sem atividades.

Mas, por mais que os dados sejam alarmantes, as bolsas americanas continuam operando em alta nesta quinta-feira (26). Por volta de 11h05, o Dow Jones avançava 3,09%, o S&P 500 subia 3,09% e o Nasdaq tinha ganhos de 2,66%.

O mercado financeiro continua apostando suas fichas em mais medidas de estímulo e injeção de liquidez na economia, de modo a dar sustentação à atividade durante a crise. Um pacote de US$ 2 trilhões já foi aprovado pelo Senado americano — e, a partir dos números preocupantes do mercado de trabalho, há quem aposte que novas rodadas de auxílio serão disparadas.

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