Menu
2020-03-15T15:20:23-03:00
Análise

Reformas podem atenuar o efeito de crise

15 de março de 2020
15:20
Entrevista coletiva do ministro da economia, Paulo Guedes
Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Medidas que possam reduzir a exposição do Brasil ao caos verificado ontem em todo o mundo passam por entendimento entre Executivo e Legislativo para iniciar, de imediato, as reformas urgentes como a administrativa, a tributária e a PEC emergencial, segundo vários economistas ouvidos pelo jornal "O Estado de S. Paulo".

Mas há também quem defenda a continuidade da redução de juros, liberação de compulsórios e até a suspensão do teto de gastos por dois anos.

"Se tivermos clareza sobre as reformas, como elas vão andar, se virmos um clima de parceria entre Executivo e Congresso em volta de uma agenda que permita reduzir a incerteza doméstica, melhoraria o ambiente de negócios e tornaria o Brasil muito mais interessante do ponto de vista do investimento", diz Armando Castelar, coordenador da área de Economia Aplicada do Ibre/FGV.

Para José Roberto Mendonça de Barros, economista e sócio da MB Associados, a área de infraestrutura é a que mais precisa de investimentos no momento. "A lei do saneamento, por exemplo, geraria grandes obras públicas e teria efeito social enorme, como a geração de empregos."

Já Bráulio Borges, pesquisador do Ibre, acredita que a agenda da infraestrutura teria enorme potencial não só para dinamizar a atividade no curto prazo, como aumentar a produtividade brasileira no médio e longo prazo. "Mas essas coisas não saem do papel do dia para a noite."

De imediato, Borges defende o uso da política monetária para atenuar o impacto do turbilhão externo provocado pelo coronavírus e acentuado pela guerra do petróleo. Ele lembra que, assim como na crise de 2008, hoje o efeito líquido da alta do câmbio e da queda das commodities é desinflacionário. "Por isso há espaço para o Banco Central cortar juros e tentar reativar a economia como já fez no passado."

Teto de gastos

Sérgio Vale, da MB Associados, também acredita que há espaço para o BC continuar cortando juros, que, para ele, ainda são muito elevados no Brasil na comparação com o resto do mundo. Ele lembra que a regra do teto de gastos impede o aumento dos investimentos públicos e acredita que o mercado faria uma leitura ruim se as regras fossem mudadas, mesma opinião de Borges, para quem não se deve mudar regras "no olho do furacão".

"Mexer no teto de gastos é suicídio", concorda Castelar. O professor da Universidade de Brasília, José Luís Oreiro, pensa de forma diferente. "É preciso mudar a política econômica e suspender o teto de gastos por dois anos para aumentar investimentos públicos." Para ele, se o ministro da Economia, Paulo Guedes, não mudar a política econômica, "então que se mude o ministro".

Para enfrentar o choque externo, Samuel Pessoa, professor da FGV, também defende urgência na aprovação das reformas para arrumar o desequilíbrio fiscal. Isso abriria espaço para uma política fiscal contracíclica, com estímulo à demanda. Ele admite, porém, que o desentendimento entre Executivo e Legislativo impede o processo.

"O governo já estava meio perdido antes da semana trágica", afirma Mendonça de Barros. O melhor seria o ministro Guedes parar de falar em dólar e se concentrar nas reformas."

As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

Comentários
Leia também
OS MELHORES INVESTIMENTOS NA PRATELEIRA

Garimpei a Pi toda e encontrei ouro

Escolhi dois produtos de renda fixa para aplicar em curto prazo e dois para investimentos mais duradouros. Você vai ver na prática – e com a translucidez da matemática – como seu dinheiro pode render mais do que nas aplicações similares dos bancos tradicionais.

Em pronunciamento

Bolsonaro defende hidroxicloroquina e diz respeitar autonomia de governadores e prefeitos

“Todos devem estar sintonizados comigo”, afirmou Bolsonaro, dizendo que tem a responsabilidade sobre decisões do país de forma ampla usando a equipe de ministros que escolheu

Seu Dinheiro na sua noite

Um risco a menos

Caro leitor, No início do ano, antes de o coronavírus se espalhar pelo mundo, virar de cabeça para baixo todas as projeções para o futuro próximo e talvez mudar o nosso modo de vida para sempre, o principal risco citado por analistas e gestores para os mercados em 2020 eram as eleições presidenciais americanas. Alguns […]

Dinheiro à vista

Raia Drogasil aprova pagamento de R$ 20 milhões em dividendos

O pagamento dos dividendos será realizado até 31 de maio de 2020, sem correção monetária, informou a Raia Drogasil em comunicado ao mercado

Crypto News

Quando e como ter dólar e bitcoin na carteira

A despeito dos 10 milhões de desempregados nos EUA, o S&P500 está subindo quase 20% desde o último fundo. Isso faz sentido para você? Para mim, não

Cuidado com o fiscal

Secretário diz que situação fiscal do Brasil exige ‘cautela e serenidade’

Secretário de Política Econômica Adolfo Sachsida disse que a situação fiscal exige cautela e serenidade ao se adotar medidas no contra coronavírus

Mortes sobem 20%

Brasil registra 800 mortes pelo novo coronavírus

São Paulo concentra o maior número de pessoas mortas pela covid-19

Pegando carona

Ibovespa engata a terceira alta e vai ao maior nível em quase um mês, puxado por Wall Street

O fortalecimento dos mercados americanos impulsionou o Ibovespa nesta quarta-feira, levando-o para além dos 78 mil pontos. O dólar à vista caiu pelo terceiro dia, voltando ao nível de R$ 5,14

BC americano

Fed vê como adequado manter juro parado até que membros estejam ‘confiantes’ com economia

Juro americano prosseguirá entre 0% e 0,25% até que formuladores da política monetária estejam confiantes de que a economia “resistiu a eventos recentes” e “estava no caminho certo”

Alívio depois do tombo

Após chegarem às mínimas desde 2011, ações da Cielo disparam mais de 20%

Desde o começo da semana, os papéis da Cielo já sobem mais de 25%, aproveitando a onda de otimismo vista na bolsa para se afastar das mínimas

Saída de dólares

Saída de dólar supera entrada em US$ 13,079 bilhões no ano até 3 de abril, diz BC

Fluxo cambial até 3 de abril foi negativo em US$ 13,079 bilhões, informou o BC. No mesmo período de 2019, dado era positivo em US$ 2,729 bilhões

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements