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Ministro discorreu sobre a implementação de imposto sobre dividendos, não garantiu imposto sobre transação financeira e detalhou o Renda Brasil. Ele também prevê um "boom de 10 anos da construção civil"

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quinta-feira (16) durante evento da XP Investimentos que deverá ir à casa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na terça (21), para entregar a reforma tributária do governo. Segundo ele, é evidente que há "diferenças de opinião", mas não se deve iniciar a reforma pelo ponto que desune o governo e o Congresso, o qual Guedes considera "reformista".
O ministro afirmou que o processo para a aprovação da reforma deve partir de denominadores comuns, como o imposto de valor agregado (IVA). Ele disse que se está estudando uma ampla base de impostos de transação, mas que não pode afirmar se ele fará parte da reforma.
"Se o presidente da Câmara falar que não tem imposto, interdita o debate", exemplificou Guedes, dizendo que considera particularmente o sistema tributário um "manicômio", mas que não faz sentido entrar em conflito com os legisladores. "Se vamos começar pelo que nos desune, a reforma tributária acaba antes de começar."
Ele adiantou, no entanto, que haverá uma queda do imposto de renda sobre pessoa jurídica e que, como compensação, o imposto sobre dividendos — que atualmente não existe — vai subir "bastante".
Guedes disse que o governo tem o compromisso de manter o teto fiscal e o controle de gastos, pois o descontrole fiscal de governos anteriores fez a economia brasileira estagnar, trouxe a desindustrialização, a depreciação do câmbio e a alta dos juros. Para ele, não se pode concluir que um "governo grande" é bom só porque um "meteoro caiu na terra".
Segundo Guedes, a retomada econômica se dará por meio dos investimentos que serão destravados com a aprovação dos marcos regulatórios, como o do gás natural, das ferrovias e da cabotagem, que o governo quer aprovar em até 4 meses. "O Estado brasileiro está em transformação", afirmou.
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Olhando à frente, para os próximos meses, Guedes disse que a economia manifestará os efeitos do crédito chegando na ponta às empresas e do auxílio emergencial aos desassistidos, mantendo o consumo privado.
Guedes disse que gostaria de privatizar "todas" as estatais, mas que isso depende do andar do cenário político. O chefe da pasta da Economia afirmou que o governo quer aprovar 3 ou 4 grandes privatizações nos próximos meses
O ministro afirmou que, dos 38 milhões de brasileiros descobertos no mercado informal com a digitalização feita por meio do auxílio emergencial, 10 milhões deles, no máximo, entrarão no Renda Brasil. Guedes também defendeu que haja a focalização de programas sociais que permitam maior eficiência.
"Terminamos esse eixo emergencial. Então, veremos nos próximos meses o efeito do crédito de um lado, e do auxílio emergencial também, com consumo privado se mantendo", afirmou.
O ministro disse que vê o Brasil com "números interessantes" durante a pandemia. Ele citou, entre eles, o consumo de energia elétrica apenas 4% abaixo de junho do ano passado, as exportações do 1º semestre praticamente iguais às exportacoes do mesmo período do ano passado e, também, o setor de construção civil, que contratou 5 mil no ano.
"Com juros baixos de 2% ao ano, pode ter um boom de 10 anos de construção civil no Brasil, calculando que de 1 a 2 milhoes de clientes vão entrar no mercado", afirmou ele, que ressaltou que a Caixa teve seu melhor resultado com crédito imobiliário.
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