2020-03-13T15:35:52-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Diretor de redação do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA, trabalhou nas principais publicações de economia do país, como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances O Roteirista, Abandonado e Os Jogadores
Efeito coronavírus

Panamby Capital reduz previsão de PIB para 1,5% e muda visão sobre Selic

Com queda na atividade econômica e inflação baixa, juros devem cair 0,5 ponto, segundo Reinaldo Le Grazie, ex-diretor do Banco Central e sócio da gestora

13 de março de 2020
15:35
Reinaldo Le Grazie, ex-diretor do Banco Central e sócio da Panamby Capital - Imagem: Foto: Beto Nociti/BCB

Diante dos impactos da pandemia do coronavírus na economia, a gestora Panamby Capital, do ex-diretor do Banco Central Reinaldo Le Grazie, decidiu reduzir a projeção para o PIB para 1,5% em 2020. A expectativa anterior era que a economia brasileira crescesse 2% neste ano.

A gestora também mudou a visão para a trajetória da taxa básica de juros (Selic). Antes do agravamento do surto do coronavírus, a Panamby fazia parte do grupo que acreditava que o Banco Central não deveria ter cortado os juros na última reunião do Copom.

“A conjuntura prescreve alívio monetário, no mundo e no Brasil, via compulsório, QE [quantitative easing] e taxa de juro.” Em uma entrevista por telefone, Le Grazie me disse que a expectativa agora é que o BC reduza a Selic em meio ponto.

“Acho que 0,50 [ponto percentual] é razoável em um dia em que o Fed [BC dos EUA] deve derrubar a taxa em 0,75 ou 1 ponto” – Reinaldo Le Grazie, Panamby Capital

A decisão do Banco Central sobre os juros acontece na próxima quarta-feira, no mesmo dia da reunião do Fed nos EUA, onde os juros poderão cair para perto de zero.

Para o ex-diretor de política monetária do BC, a queda na atividade econômica esperada com o coronavírus e os índices de inflação baixos prescrevem juros para baixo.

Ele não espera, contudo, um novo ciclo de cortes, e sim que o Copom faça toda ou quase toda a redução de juros já na próxima reunião.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Clique aqui e receba a nossa newsletter diariamente

Comprado em dólar e aumentando bolsa

A avaliação de que o BC vai cortar a Selic para conter os efeitos do coronavírus na economia levou a Panamby a adotar posições compradas no mercado de juros, que passou por um forte estresse ao longo desta semana.

Um corte de 0,50 ponto percentual não pode provocar mais pressão sobre o câmbio? “Vai provocar. Eu continuo vendo o dólar para cima”, respondeu Le Grazie.

A Panamby segue comprada na moeda norte-americana, mas o ex-diretor do BC avalia que a maior parte do ajuste que ele esperava para o câmbio já foi feito. A gestora também vê espaço para aumentar as posições em bolsa depois da queda violenta das ações nas últimas semanas.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Clique aqui e receba a nossa newsletter diariamente
Comentários
Leia também
UMA OPÇÃO PARA SUA RESERVA DE EMERGÊNCIA

Um ‘Tesouro Direto’ melhor que o Tesouro Direto

Você sabia que existe outro jeito de investir a partir de R$ 30 em títulos públicos e com um retorno maior? Fiz as contas e te mostro o caminho

O melhor do Seu Dinheiro

A vez dos shoppings voltou: está na hora de investir na ‘praia do paulistano’

Os shopping centers foram por muitos anos apelidados de “praia de paulistano”, principalmente por quem é de fora de São Paulo. Com o tempo e a explosão desses empreendimentos pelo Brasil, o apelido jocoso perdeu força, mas ainda comunica. O fato é que a tal praia do paulistano foi uma das mais duramente afetadas quando […]

COLUNA DO JOJO

Bolsa hoje: licença para gastar

Hoje, a UE deve divulgar as proporções da dívida sobre PIB dos membros para 2020 – os valores deverão ser volumosos, repercutindo a pandemia, que mudou a relação da atuação dos governos na economia

Tendências da bolsa

AGORA: Ibovespa futuro amplia queda após Paulo Guedes lavar as mãos para furo no teto de gastos e dólar vai acima de R$ 5,60

No panorama doméstico, o risco fiscal permanece no radar, enquanto a temporada de balanços segue no exterior

MELOU O NEGÓCIO

Ações da Evergrande saem de suspensão e despencam em meio a desacordo sobre venda de fatia da incorporadora

A própria empreiteira chinesa cancelou um acordo para a venda de uma participação de 50,1% em unidade de serviços imobiliários para a Hopson Development Holdings

De olho na bolsa

Esquenta dos mercados: exterior tem dia de correção e bolsa brasileira deve ter desempenho fraco por mais um dia após fala de Paulo Guedes sobre teto de gastos

Os balanços do exterior devem movimentar os negócios, com Evergrande de volta ao radar após fracasso na venda de uma subsidiária