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Kaype Abreu

Kaype Abreu

Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Colaborou com Estadão, Gazeta do Povo, entre outros.

efeito coronavírus

Banco Central projeta estagnação da economia em 2020

Estimativa anterior era de alta de 2,2% do PIB; autarquia também divulgou que o IBC-Br avançou 0,24% em janeiro

Kaype Abreu
Kaype Abreu
26 de março de 2020
9:37 - atualizado às 10:08
Imagem: Shutterstock

O Banco Central alterou a projeção de alta do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020 de 2,2% para zero, em Relatório de Inflação divulgado nesta quinta-feira (26). A autarquia também divulgou que o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) avançou 0,24% em janeiro.

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Segundo a instituição, a revisão foi feita por conta dos impactos econômicos da pandemia do novo coronavírus e por causa dos resultados de indicadores mais recentes abaixo do esperado.

A instituição prevê neste ano um recuo acentuado do PIB no segundo trimestre, seguido de retorno relevante nos últimos dois trimestres. No âmbito da oferta, o crescimento esperado da agropecuária foi mantido em 2,9% pelo BC, refletindo melhora nos prognósticos para a safra de grãos.

A estimativa para a variação do setor industrial foi reduzida de 2,9% para -0,5%, com perspectiva de menor crescimento em todas as atividades em função dos efeitos do surto de COVID-19.

A projeção para o desempenho da indústria de transformação passou de variação de 2,1% para -1,3%, motivada pela previsão de queda na demanda final, principalmente por bens de consumo duráveis e de capital, além da possível redução na oferta por causa das medidas de restrição de locomoção e da escassez de insumos importados em alguns segmentos.

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A previsão de crescimento para a indústria extrativa recuou de 7,5% para 2,4%, ante expectativa de menor demanda por minério de ferro e petróleo, em cenário de desaceleração mundial, ainda segundo o BC.

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Segundo a instituição, a construção deve apresentar retração de 0,5%, comparativamente à projeção de crescimento de 3,0% em dezembro, em meio ao comportamento de maior cautela das famílias e dos empresários do setor.

Efeitos da restrição de mobilidade

O BC prevê grande impacto em áreas que dependem da locomoção do consumidor. A projeção para o comércio recuou de 2,6% para -0,7%, a de transporte, armazenagem e correio, de 1,9% para -1,2%, e a de outros serviços, que engloba atividades como alojamento, alimentação fora de casa e atividades artísticas, de 2,2% para -1,1%.

Segmentos como administração pública e aluguéis, com significativa representação no setor terciário, tendem a ser impactados em magnitudes relativamente menores, diz o BC.

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Com relação aos componentes domésticos da demanda agregada, houve recuo na projeção para o consumo das famílias, de 2,3% para 0,8%, repercutindo impactos esperados da pandemia sobre o comportamento dos consumidores – maior cautela das famílias em relação aos gastos –, sobre a evolução da massa de rendimentos do trabalho, além dos efeitos decorrentes das medidas de distanciamento social e de restrições à mobilidade.

Para o BC, o ambiente de maior incerteza e a expectativa de recuo acentuado da atividade econômica devem ocasionar postergação de decisões de investimentos.

"Nesse contexto, a previsão para o desempenho anual da formação bruta de capital fixo (FBCF) recuou de 4,1% para -1,1%".

A projeção para o consumo do governo permaneceu praticamente inalterada (passou de 0,3% para 0,2%). Apesar da estimativa de redução de receitas, o governo tende a preservar gastos essenciais em momento de crise.

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