2020-04-15T15:57:57-03:00
Estadão Conteúdo
Projeções para ano que vem

Governo projeta alta de 3,30% do PIB e déficit de R$ 149,6 bilhões em 2021

Ministério da Economia indicou uma meta de déficit primário de R$ 149,6 bilhões para as contas do Tesouro Nacional, INSS e Banco Central em 2021

15 de abril de 2020
15:56 - atualizado às 15:57
23/01/2019 Almoço de Trabalho “ O Futuro do Brasil “
(Davos - Suíça, 23/01/2019) Palavras do Ministro de Estado da Economia, Paulo Guedes. - Imagem: Alan Santos/PR

O governo brasileiro projeta uma alta do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021 de 3,30%. A estimativa foi incluída no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do próximo ano, enviado nesta quarta-feira, 15, ao Congresso, mas os números já estão defasados pelos efeitos da covid-19. É que na trajetória dos parâmetros macroeconômica da LDO o governo manteve a previsão de crescimento de 0,02% para este ano, que os próprios integrantes da equipe econômica afirmaram que está defasada diante do quadro recessivo de 2020.

Para 2022, a previsão é de alta do PIB de 2,40% e 2,50% para 2023.

O projeto estima o IPCA de 3,65% no próximo ano; 3,50% em 2022 e 3,50% em 2023. A projeção de taxa Selic média ficou em 4,36% no próximo ano; 5,56% em 2022 e 6,04% em 2023. O PLDO de 2021 projeta ainda um câmbio médio a R$ 4,29 no próximo ano; R$ 4,20 em 2022 e R$ 4,25 em 2023.

A dívida bruta vai saltar para 84,34% do PIB no próximo ano; 85,52% do PIB em 2022 e 86,38% do PIB em 2023. Já a dívida líquida estimada é 65,64% do PIB no próximo ano; 68,30% do PIB em 2022 e 70,39% do PIB em 2023.

Déficit primário

O Ministério da Economia indicou uma meta de déficit primário de R$ 149,6 bilhões para as contas do Tesouro Nacional, INSS e Banco Central em 2021. No entanto, dadas as incertezas na arrecadação diante da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, o governo deixou a porta aberta para que essa meta seja flexível e possa ser alterada na própria formulação do Orçamento ou até mesmo durante a execução das despesas no ano que vem.

A principal âncora fiscal será o teto de gastos, mecanismo que limita o avanço das despesas à inflação.

O Ministério da Economia ainda indicou que o Brasil caminha para uma década inteira de rombos consecutivos nas contas públicas. Desde 2014 as finanças do governo estão no vermelho e devem seguir assim pelo menos até 2023. O governo indicou metas negativas em R$ 127,5 bilhões em 2022 e R$ 83,3 bilhões em 2023. São resultados piores que o previsto inicialmente.

Na apresentação dos números, o governo ressalta que uma das premissas é "manter austeridade fiscal" para o período de 2021 a 2023. Hoje o Tesouro reconheceu pela primeira vez o risco de não conseguir se financiar no mercado, o que detonou um cuidado do governo em ressaltar o compromisso com o ajuste.

A equipe econômica reconheceu, porém, que há muitas incertezas em relação às receitas para o ano que vem. As projeções incluídas no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2021 levaram em conta o histórico de arrecadação, "que em 2020 está em declínio mas ainda sem reflexos significativos (da covid-19) para a estimação no PLDO 2021".

Pelo desenho, a meta será a receita projetada menos o teto de gastos. A meta poderá ser atualizada no projeto de Lei Orçamentária Anual, na própria LOA ou nos relatórios bimestrais ou extemporâneos de reavaliação de receitas e despesas. Um mecanismo diferente do atual, que depende de aval do Congresso Nacional para cada necessidade de alteração na meta fiscal.

"A política fiscal se apoia no teto dos gastos que atua pelo lado da despesa, dada a incerteza para previsão da receita para 2021, mitigando os riscos de shutdown (apagão) e garantindo o compromisso com a solvência das contas públicas", diz o Ministério.

Setor público

O Ministério indicou que as contas do setor público consolidado devem ter um déficit de R$ 153,38 bilhões em 2021. A conta inclui o resultado do governo central (Tesouro Nacional, INSS e Banco Central), Estados e municípios e estatais federais.

Para 2022, o rombo esperado é de R$ 126,44 bilhões. No ano seguinte, espera-se um déficit de R$ 82,12 bilhões.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Clique aqui e receba a nossa newsletter diariamente

As estatais federais devem ter déficit nos três anos projetados na proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2021: R$ 3,97 bilhões em 2021, R$ 4,23 bilhões em 2022 e R$ 4,52 bilhões em 2023.

Os Estados e municípios, por sua vez, têm um indicativo de meta de superávit nos três anos: R$ 0,2 bilhão em 2021, R$ 5,3 bilhões em 2022 e R$ 5,7 bilhões em 2023.

A meta para governos regionais, porém, é apenas um indicativo. Ou seja, se houver frustração, a União não será obrigada a compensar.

No governo central, as metas estipuladas também são todas negativas. O rombo de R$ 149,61 bilhões esperado para 2021 equivale a 1,84% do PIB. Já o déficit de R$ 127,50 bilhões em 2022 corresponde a 1,47% do PIB. Em 2023, o resultado negativo de R$ 83,31% bilhões será o mesmo que 0,90% do PIB.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Clique aqui e receba a nossa newsletter diariamente
Comentários
Leia também
UMA OPÇÃO PARA SUA RESERVA DE EMERGÊNCIA

Um ‘Tesouro Direto’ melhor que o Tesouro Direto

Você sabia que existe outro jeito de investir a partir de R$ 30 em títulos públicos e com um retorno maior? Fiz as contas e te mostro o caminho

Resultados

João Doria vence prévias e será candidato à presidência pelo PSDB; Em discurso, manda recado à Lula e Bolsonaro e faz aceno para 3ª via

“Ninguém faz nada sozinho. Precisamos da ajuda de todos. Da união do Brasil. Da união do PSDB. Da união com outros líderes e partidos”, afirmou

Décimo Andar

O mercado imobiliário americano segue vencedor: confira uma nova opção na B3 para investir na área

Mesmo com a perspectiva de aumento dos juros no exterior, o mercado imobiliário americano segue forte na alta dos preços; veja um ativo para investir sem sair da B3

NOVATA NA FINAL

Não estranhe: patrocinadora da final entre Palmeiras e Flamengo é a nova corretora de criptomoedas do Brasil; conheça Crypto.bom

A exchange resolveu investir no segmento de esportes e patrocina Fórmula 1, NBA e até o campeonato europeu

Raio-X

Análise: Por que a alta da inflação pode ameaçar o pacote de infraestrutura de Joe Biden?

O presidente americano tem ambiciosos planos pela frente, mas a alta da inflação e gargalos estruturais da economia podem alterar o rumo

A SEMANA EM GRÁFICOS

Covid-19 pressiona aéreas, turismo, Ibovespa e bitcoin, mas inflação avança no mundo: entenda a última semana com estes gráficos

As companhias aéreas sofreram perdas significativas na bolsa esta semana e nem o bitcoin (BTC) conseguiu se salvar