Menu
2020-03-21T15:32:50-03:00
Estadão Conteúdo
E-COMMERCE

Coronavírus faz disparar a venda de farmácias e supermercados na internet

“Em qualquer crise, o ambiente de vendas online se consolida”, diz André Dias, diretor executivo do Compre & Confie, que monitora vendas reais de mais de 80% do varejo digital brasileiro

21 de março de 2020
15:32
shutterstock_461355724
Imagem: Shutterstock

Em meio à pandemia do novo coronavírus, que até a noite de sexta-feira (20) havia deixado ao menos 904 infectados e 11 mortos no Brasil, os brasileiros reforçaram suas compras de medicamentos, alimentos e itens de higiene e limpeza pela internet. É o que mostra relatório da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), em parceria com o Movimento Compre & Confie, obtido com exclusividade pela Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Desde o dia 24 de fevereiro (pouco antes da confirmação do primeiro caso da doença no País, importado) até o último dia 18 (uma semana após a Organização Mundial da Saúde declarar a covid-19 uma pandemia), o relatório aponta um aumento de 111% nas compras online da categoria saúde (que inclui medicamentos e itens de farmácia), alta de 83% em beleza e perfumaria (que engloba itens de higiene pessoal), e avanço de 80% nas compras de supermercados (que envolvem alimentos, bebidas, higiene e limpeza). Isso tudo em comparação a um período semelhante de 2019 - de 25 de fevereiro a 20 de março. Em ambos os casos, são 24 dias, 15 dos quais úteis, já descontando o carnaval.

"Em qualquer crise, o ambiente de vendas online se consolida", diz André Dias, diretor executivo do Compre & Confie, que monitora vendas reais de mais de 80% do varejo digital brasileiro. No levantamento, estão gigantes como Americanas.com, Carrefour, Extra, Via Varejo e Magazine Luiza. "Especialmente neste momento, em que o contato físico deve ser evitado, as vendas pela internet ganharam ainda mais relevância", afirma o executivo, lembrando que os dados foram coletados antes da entrada em vigor do fechamento do comércio de rua na sexta-feira (20) em São Paulo, maior mercado consumidor do País.

Em valores, as vendas online no intervalo deste ano somaram R$ 5,6 bilhões, um aumento de 28,8% em relação ao intervalo do ano passado. O número de pedidos aumentou 31,6%, para 13,16 milhões. Já o tíquete-médio foi 2,2% menor - R$ 425,30. "Isso significa que itens mais baratos passaram a compor a cesta desse período, que registrou um decréscimo, por exemplo, da venda de segmentos de maior valor agregado, como câmeras, filmadoras e drones (queda de 62%), games (-37%), eletrônicos (-29%) e automotivo (-20%).

Em relação à quanto cada categoria representa dentro do faturamento total, houve uma queda expressiva nos eletrônicos (de 7,6% do faturamento do ano passado para 5,3% do faturamento deste ano), que se contrapõe ao aumento de beleza e perfumaria (de 4% para 6,8%), de saúde (de 1,1% para 2,3%) e de alimentos e bebidas (de 1,1% para 2%).

Essa mudança no perfil de consumo, em tão poucos dias, pegou parte dos varejistas de surpresa. "Uma rede de farmácias, por exemplo, tirou as promoções do ar, porque já havia vendido todo o seu estoque, uma alta de 170% no período, e não daria conta de entregar", afirma Dias.

No recorte por região, o aumento mais expressivo veio do Sudeste, que respondeu sozinho por 62,9% das vendas no período, contra 60,8% no intervalo do ano passado.

Agora, com o agravamento da pandemia no Brasil, o executivo acredita que ganham as empresas que tiverem a logística mais bem azeitada. "Além disso, é preciso saber o quanto as autoridades vão permitir em relação à circulação de mercadorias, para que as vendas não fiquem comprometidas", diz.

No ano passado, o comércio eletrônico no Brasil movimentou R$ 75,1 bilhões, alta de 22,7% em relação a 2018. Para este ano, a previsão da Compre & Confie era um crescimento de 21%, para R$ 90,7 bilhões. O número ainda não foi revisto, segundo Dias. "É muito complexo fazer qualquer previsão neste sentido agora, sem saber com precisão os efeitos do vírus no Brasil".

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

App da Pi

Aplique de forma simples, transparente e segura

análise dos balanços

Juntos, Santander, Itaú e Bradesco têm salto no lucro, mas saúde financeira não tranquiliza mercado

Um contraste fica visível na comparação entre Santander e Itaú, principalmente: o comportamento da margem financeira das operações com clientes

Desmatamento em foco

Varejistas europeus ameaçam boicote a produtos do Brasil por risco à Amazônia

O movimento foi visto como “precipitação” por empresários brasileiros que acompanham dois projetos de lei que tramitam no Congresso sobre o tema

CÉU DE BRIGADEIRO

No pós-Copom, Ibovespa tem tudo para amanhecer com céu azul e sol brilhante

Com o Banco Central fora da cena principal, bolsa brasileira tem tudo para acompanhar o apetite por risco no exterior

Troca de presidência

Carlos Brito vai deixar o comando da AB InBev em 1º de julho

O substituto de Brito no comando da AB InBev também é brasileiro: o engenheiro catarinense Michel Dukeris, que ingressou na AmBev em 1996

primeiro trimestre

TIM anuncia alta de 57,9% do lucro e venda de controle da FiberCo

Receita líquida somou R$ 4,340 bilhões, ligeira alta de 3% sobre igual período do ano anterior

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies