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Ruy Hungria
Sextou com o Ruy
Ruy Hungria
É formado em Física e especialista em bolsa e opções na Empiricus
2020-09-04T08:22:47-03:00
Sextou com o Ruy

Pague pouco, e leve menos ainda: a diferença entre investir no IRB e na Amazon

Eu já perdi as contas de quantas pessoas eu vi quebrar a cara depois de comprar uma ação só porque ela tinha despencado 50%, 70%, ou mais

4 de setembro de 2020
6:03 - atualizado às 8:22
Ibovespa queda bolsa
Imagem: Shutterstock

O objetivo de qualquer investidor é comprar barato e vender caro. Ponto final. 

Até aqui, nenhuma novidade, né? Não é preciso ser nenhum Warren Buffett para chegar a essa conclusão. 

Mas como definir o que está barato?

Como encontrar um negócio que custa X hoje, mas que tem potencial para valer o dobro daqui a alguns meses?

"Vai subir porque já caiu muito"

Se é baseado no argumento acima que você está pensando em comprar a sua próxima barganha na bolsa, esqueça!

Você tem grande chances de se dar mal. 

Eu já perdi as contas de quantas pessoas eu vi quebrar a cara depois de comprar uma ação só porque ela tinha despencado 50%, 70%, ou mais. 

Aliás, neste 2020 tão atípico, o que não falta por aí são essas "promoções imperdíveis" na bolsa brasileira. Mas será que o fato de ter despencado é o suficiente para definir que o papel tem um amplo espaço para valorização?

80% de desconto?

Se 2020 foi ruim para muitas companhias, ele fez um verdadeiro estrago nas ações do IRB (IRBR3). 

Se não bastassem os impactos da pandemia nos resultados, a companhia ainda se viu envolvida em um esquema de manipulação de dados contábeis para inflar a sua rentabilidade de curto prazo.

Como você já deve ter visto, as ações derreteram e já acumulam cerca de 80% de desvalorização no ano. 

 Fonte: Google

Mas e aí? Será que agora ficou barato? 

O fundo do poço tem porão 

E se eu te disser que as ações do IRB ficaram ainda mais caras do que antes, você acredita?

Parece loucura, eu sei, mas foi exatamente isso o que aconteceu.

Com a saída dos antigos CEO e CFO, o caminho ficou aberto para a companhia "limpar" o balanço e dar a volta por cima, o que é ótima notícia.

Mas os ajustes não vão acontecer do dia para a noite. O prejuízo recorde de quase R$ 700 milhões apresentado na última sexta representa apenas o começo de um longo processo de ajustes de contratos que continuarão afetando os lucros e a rentabilidade por algum tempo.

Elaboração: Empiricus. Fonte: IRB.

As ações da companhia se desvalorizaram muito, mas a expectativa é de que os lucros recuem ainda mais nos próximos trimestres.

É por isso que, sob a ótica do múltiplo "preço/lucros", o papel está ainda mais caro do que antes.

Fonte: Bloomberg

É como se fosse uma promoção ao estilo "pague pouco, e leve menos ainda".

Se essa é a sua praia, vai fundo. Eu tô fora!

Nem tudo o que subiu está caro 

O mesmo raciocínio vale para o que subiu. Nem todas as ações que sobem estão "sobrevalorizadas".

A pandemia trouxe uma série de dificuldades, principalmente para as companhias que já estavam enfrentando problemas operacionais. 

Mas a mesma pandemia ajudou ainda mais algumas empresas que já estavam voando, o que ajudou a aumentar ainda mais a sua distância para as rivais. 

A Amazon é um exemplo claro disso. O lockdown não apenas forçou as vendas online, como fez a penetração das vendas no e-commerce aumentar em 8 semanas o que teria demorado pelo menos mais 10 anos.

Isso quer dizer que, apesar da pandemia ter representado um problemão para a maior parte dos setores, para a Amazon, as perspectivas de vendas só melhoraram. 

É verdade que o preço das ações da companhia subiu mais de 80% neste ano. 

Fonte: Google

Mas somente no segundo trimestre de 2020 (2T20) o lucro dobrou na comparação com o mesmo período do ano passado. Ou seja, os lucros estão crescendo a uma taxa ainda maior do que o preço das ações, sustentando a alta dos preços.

Elaboração: Empiricus. Fonte: Amazon

Separar o joio do trigo 

Será que a ação subiu porque fez jus, ou trata-se de uma bolha?

Será que o papel despencou porque mereceu ou será que a queda já foi longe demais?

Essa é a pergunta a se fazer na hora de decidir comprar uma ação, e não "comprar a que caiu mais" ou "vender a que mais subiu". 

Se precisar de ajuda para separar o joio do trigo na bolsa, deixo o convite para conhecer a série As Melhores Ações da Bolsa.

Por exemplo, lá você vai encontrar tanto uma companhia de varejo que se valorizou no ano depois de aproveitar a pandemia para aumentar ainda mais o seu poderio, como também uma operadora de shoppings que, depois de cair mais de 40% no ano, já se encontra com amplo espaço para recuperação com a retomada. 

Além dessas, o Max Bohm ainda separou mais 15 ações com grande potencial para você investir agora e surfar da melhor maneira a retomada da bolsa brasileira.

Um grande abraço e até a próxima!

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