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Crise do coronavírus volta a demandar atuação forte dos governos – que, para bem ou para o mal, têm papel decisivo em momentos críticos desde o início do século passado
Desde 11 de março, portanto há 101 dias, minha mulher e eu estamos isolados aqui em casa, nos protegendo do contágio da Covid-19. Dispensamos a cozinheira, embora mantendo seu salário integral, até que o vírus desapareça ou sua disseminação caia para níveis estatisticamente desprezíveis.
Isso não atrapalha em nada meu trabalho de escritor e cronista, já que vivo no regime de home office desde maio de 1995. Mesmo assim, é chato a gente não poder sair de casa para comer uma pizza e tomar uns chopes com os amigos. Ou passar o fim de semana numa fazenda.
Para esta crônica, pensei em escrever sobre a atual crise política. Mas desisti. Como os acontecimentos têm se desenvolvido muito rapidamente, o texto ou o áudio poderiam chegar obsoletos aos olhos e ouvidos dos assinantes.
A Polícia Federal, por exemplo, efetua prisão em Atibaia (município que, sem ter culpa nenhuma disso, está se tornando famoso nos anais das falcatruas) e meus comentários vão para o brejo.
Vou então falar sobre algo, muito mais importante, que o coronavírus trouxe de volta. Refiro-me ao poder do Estado, que andou meio fora das pautas da imprensa mundial mas que ressurgiu com força nos últimos tempos.
Retroagindo quase um século, o Estado, no caso o governo central e as autoridades monetárias norte-americanas, tiveram, por omissão, enorme responsabilidade na ocorrência da Grande Depressão dos anos 1930.
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Embora, em 1929, a SEC (Securities and Exchange Commission – Comissão de Títulos e Câmbio) ainda não existisse (só seria criada em 1934), o FED (Federal Reserve Bank), fundado em 1913, ou o Departamento do Tesouro, então dirigido pelo ultraexperiente banqueiro Andrew Mello, poderiam ter impedido os IPOs absurdos da época, boa parte deles pura fantasia.
Na ocasião, auge dos Esfuziantes Anos Vinte (The Roaring Twenties), dizia-se abertamente que os EUA estavam iniciando uma era na qual todos seriam ricos. O pior é que as pessoas acreditaram e jogaram suas economias em Wall Street.
Resultado: crash da Bolsa, quebradeira de bancos aos milhares. Mesmo cidadãos que jamais tinham aplicado um centavo em Bolsa perderam tudo que tinham.
Sobreveio a depressão, que rapidamente se espalhou pelo mundo. Foi preciso a irrupção da Segunda Guerra Mundial para que a crise (financeira, bem entendido) terminasse.
Durante o conflito houve pleno emprego, como sempre acontece nessas ocasiões.
Terminada a guerra, a grande preocupação do governo dos Estados Unidos era que os mais de dez milhões de americanos, a maioria jovens, que lutaram na Europa, no Norte da África e no Pacífico se transformassem, ao voltar para casa, num exército de desempregados.
O mesmo poderia acontecer na Europa, com os combatentes desmobilizados dos países de lá. Para estes, a solução foi o Plano Marshall, de reconstrução de praticamente tudo que fora destruído (e fora destruído praticamente tudo) e que custou 13,2 bilhões de dólares (188 bilhões em valores de hoje).
Nos Estados Unidos, cujo território não fora bombardeado, teria de haver uma solução diferente. Daí surgiu a G. I. Bill.
A origem do nome é curiosa. Nas costas das fardas dos soldados havia a inscrição G. I. Isso significava Government Inventory (Inventário do Governo), deixando claro que o uniforme pertencia ao Estado e não ao militar que o vestia.
Pois bem, através da G. I. Bill, todos os ex-combatentes tinham direito a financiamento para compra ou construção de casas a juros baixíssimos e prazos longos, empréstimos para montar um negócio ou adquirir uma fazenda, um ano de salário desemprego, curso universitário gratuito, com verba para alojamento e alimentação.
O custo total dos benefícios concedidos pela G. I. Bill foi de 18,8 bilhões de dólares (US$ 274 bi em valores atuais).
Em diversas outras vezes, a mão do Estado foi necessária para combater ou evitar crises econômicas americanas.
No crash da Bolsa de Valores de Nova York em 19 de outubro de 1987, por exemplo, o então recém empossado chairman do FED, Alan Greenspan, inundou o mercado de dinheiro.
Naquela época, Wall Street olhava mais para a prime rate, fixada pelos bancos individualmente, do que para a taxa básica do FOMC, como acontece hoje.
Pois bem, após a Black Monday, quando as ações perderam um quinto de seu valor, a liquidez do sistema aumentou tanto que vários bancos importantes reduziram a prime, impedindo que o tombo da Bolsa tivesse seguimento.
Três anos mais tarde, o mesmo Greenspan pôs fim à bolha das pontocom num discurso no American Enterprise Institute, classificando o comportamento do mercado como “exuberância irracional”. A bolsa Nasdaq realmente levou um tombo, mas a New York Stock Exchange segurou o tranco.
Mais uma vez o poder do Estado impediu que a crise adquirisse proporções “milnovecentosevinteenoveanas”, se o caro leitor me permite o palavrão.
A crise do subprime (2007/2010) também foi debelada pelo governo de Washington. As duas maiores sociedades de crédito imobiliário dos Estados Unidos, Fannie Mae e Freddie Mac, foram simplesmente estatizadas.
Empresas do porte da General Motors, que pediu recuperação judicial em 2009 (Chapter 11 of the Bankruptcy Code), foi salva pela mão forte do governo federal, além de diversas outras grandes corporações.
Nenhuma das demonstrações acima do poder do Estado, para salvar a economia, se equivalem, em números, à que está acontecendo agora, durante a pandemia do coronavírus.
Desta vez são trilhões de dólares nos Estados Unidos, trilhões de euros na Europa, dezenas de trilhões de ienes no Japão (o iene equivale a menos do que um centavo de dólar), mais de um trilhão de reais no Brasil.
Isso fora a política monetária, em nível mundial, de juros reais, e até nominais, negativos.
Com isso, as bolsas de valores se tornaram destino quase que obrigatório para o dinheiro dos aplicadores, tanto pessoas físicas como fundos de investimento.
É importantíssimo ter sempre em mente que há o risco dos investidores, em determinado momento, concluírem que as ações já estão caras demais e fugirem ao mesmo tempo por uma porta estreita.
Ao que tudo indica, isso não está perto de acontecer. O poder dos bancos centrais em debelar tormentas continua prevalecendo. Mas quando surgirem os primeiros sinais de inflação, eles arrocharão a economia. Já vi esse filme diversas vezes.
Se os Estados tivessem o dom alquímico e infinito de criar prosperidade, teríamos, dessa ver para valer, uma sociedade na qual todos seríamos ricos.
Pena que isso jamais irá acontecer.
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