La bolsa de papel
O roteiro dramático da bolsa nesses tempos de crise do coronavírus muitas vezes me lembra o da série espanhola La Casa de Papel. Para quem não conhece, trata-se da história de um grupo de ladrões que invade a Casa da Moeda para produzir e roubar o próprio dinheiro. A quarta temporada, aliás, acaba de estrear […]

O roteiro dramático da bolsa nesses tempos de crise do coronavírus muitas vezes me lembra o da série espanhola La Casa de Papel.
Para quem não conhece, trata-se da história de um grupo de ladrões que invade a Casa da Moeda para produzir e roubar o próprio dinheiro. A quarta temporada, aliás, acaba de estrear na Netflix.
As semelhanças com a bolsa estão nas sucessivas viradas na trama. Quando tudo parece favorável para os ladrões ou para a polícia, surge um fato novo (e quase nunca plausível) que inverte a situação e embaralha o desfecho.
(Antes de continuar, um breve parêntese: mesmo em meio ao verdadeiro tsunami que varreu as bolsas mundiais, as ações da Netflix acumulam valorização de 15% em 2020…)
Com a experiência de quem já viu e cobriu outras crises no mercado, posso dar um “spoiler” sobre o que vai acontecer com a bolsa. Em algum momento, o coronavírus e seus efeitos na economia vão ficar para trás e as ações vão subir.
O problema é que nem eu nem ninguém no mercado financeiro é capaz de afirmar quantas temporadas ainda teremos de coronavírus. Isso significa que a bolsa ainda passará por muitas viradas, para cima e para baixo.
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No melhor momento do dia, o Ibovespa chegou a encostar nos 80 mil pontos. Mas logo a animação deu lugar a uma certa cautela e o principal índice de ações da B3 diminuiu boa parte dos ganhos.
Ainda assim, fechou em alta pelo segundo dia consecutivo, engatando um rali de quase 10% em pleno bear market. O nosso jornalista e roteirista de mercados Victor Aguiar conta para você a história do que movimentou a bolsa e o dólar.
Ajuda em boa hora
O aguardado desembolso de R$ 600 para os trabalhadores informais, autônomos e MEIs começa a sair do papel. A Caixa Econômica Federal lançou um site e um aplicativo para os beneficiários do programa. A ajuda emergencial foi uma das medidas do governo para enfrentar a crise disparada pela pandemia do coronavírus. O Kaype Abreu mostra nesta matéria os requisitos para ter direito ao auxílio.
As duas faces do varejo
Os dados de fevereiro que vêm sendo divulgados só agora dão uma dimensão do que poderia ser o ano para a economia sem o coronavírus. Pela manhã, o IBGE anunciou que as vendas do varejo registraram alta de 1,2% no mês do Carnaval. Mas os primeiros dados de março já mostram a realidade do que deve ser 2020: o indicador de atividade do comércio calculado pela Serasa apresentou a maior queda de toda a série histórica. Confira o tamanho do tombo do varejo no mês passado.
Mais rápido aí
A empresária Luiza Trajano, presidente do conselho do Magazine Luiza, elogiou as medidas tomadas pelo governo contra a crise. Mas fez uma ressalva: a demora de sair o crédito. “Os recursos precisam chegar mais rápido nas pontas.” Ela puxou a orelha dos bancos, que estariam represando o dinheiro que deveria chegar às empresas, e também do Supremo Tribunal Federal. Saiba o que disse a empresária.
Não é para sempre
Os gastos para conter os efeitos do novo coronavírus não podem continuar depois da crise, alertou Eduardo Guardia, ex-ministro da Fazenda, ao Estadão. Ele citou o comportamento do governo na crise de 2008 como um exemplo a não ser seguido e também disse que as medidas adotadas pelo governo e do Banco Central atualmente são corretas. Leia a íntegra da entrevista.
Mais rombo
Não é só a União que quer um rombo maior para equacionar os custos da crise: os Estados e municípios pretendem o mesmo. Tudo dependerá do Plano Mansueto, que prevê socorro financeiro a eles. Diferentemente do governo, entretanto, esses entes da federação não podem captar no mercado. A ideia é se financiar de outra forma, como mostra esta matéria.
O dia seguinte da crise
Ainda não está claro se a fase pior dos mercados já passou, mas o dia seguinte da crise dependerá do que cada governo fizer hoje. Mesmo que a cartilha liberal esteja sendo deixada de lado por uma razão justa, não se pode perder de vista que a dívida do Brasil será de quase 90% após a pandemia. É o que alerta o nosso colunista Felipe Miranda. No texto de hoje, ele fala como o bear market brasileiro pode continuar mesmo após o coronavírus.
Uma ótima noite para você!
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