Menu
Matheus Spiess
Insights Assimétricos
Matheus Spiess
É economista e editor da Empiricus
2020-08-05T15:16:53-03:00
Insights Assimétricos

Onde os ricos estão investindo no segundo semestre?

55% dos escritórios familiares reequilibraram suas carteiras entre março e maio, buscando manter sua alocação estratégica de ativos a longo prazo; veja esse e outros destaques do relatório produzido pelo UBS

28 de julho de 2020
6:52 - atualizado às 15:16
confraternização festa
Imagem: Shutterstock

Anualmente, o banco suíço UBS, em parceria com instituições financeiras associadas, produz o relatório "Global Family Office". Em linhas gerais, o objetivo do material é analisar como tem sido a alocação de recursos em grandes fortunas; isto é, o banco verifica diversos escritórios ao redor do mundo de modo a identificar como os ricos têm investido seu dinheiro. Portanto, podemos dizer com confiança que as descobertas do conteúdo oferecem uma janela única para a tomada de decisão dos maiores escritórios familiares do mundo.


Para isso, o UBS estuda os 121 maiores "family offices", de modo a entender como tais gestoras superaram a tempestade de 2020 nos mercados financeiros. A premissa é a seguinte: em um período historicamente turbulento, seria muito interessante observar como as carteiras se alinhavam com seus objetivos e como elas mudaram durante e depois da crise.

Evidentemente, o relatório se aprofunda bastante em questões sucessórias, de sustentabilidade e de risco-operacional, investigando também os perfis institucionais do segmento. Por mais que tenhamos, em algum grau, certo interesse pelas temáticas mais específicas ali tratadas, vamos nos debruçar hoje sobre a alocação da carteira dos investidores, de modo a identificarmos tendências e oportunidades.

Já em minha primeira leitura, uma informação me brilhou os olhos. 55% dos escritórios familiares reequilibraram suas carteiras entre março e maio, buscando manter sua alocação estratégica de ativos a longo prazo. Assim, podemos categorizá-los como sendo relativamente oportunistas, com dois terços negociando até 15% das carteiras via uma abordagem dinâmica e tática (trading), pouco convencional para o business, que privilegia estratégias de carregamento e estruturais.

Curiosamente, o próprio movimento dos escritórios acaba gerando um efeito reflexivo e dialético nos ativos de risco (vide Soros), uma vez que, dado o tamanho das fortunas, muitas vezes a compra e venda de posições acabam por afetar elas mesmas. Isso porque o montante total gerido por esses mais de 120 escritórios somam mais de USD 146 bilhões, dos quais 24% variam entre USD 3 a 5 bilhões por empresa (vide figura abaixo).

Vale dizer, o patrimônio médio gira em torno de USD 1,6 bilhão e escritórios familiares com ativos sob gestão acima de US $ 1 bilhão costumam ter perfis bastante institucionais; ou seja, são verdadeiras empresas.

Mais de dois terços (69%) dos escritórios vêem o investimento em Private Equity como um fator essencial dos retornos. Tenho acompanhado o compêndio documentado pela UBS já há algum tempo e verifico uma tendência gradual e crescente para investimentos alternativos. Hoje, aqui na Empiricus, a maior casa de análise de investimentos do Brasil, entendemos a classe dos alternativos como parcela necessária em um portfólio sofisticado, mas devidamente ponderada em um posição correspondente à aceitação de risco do investidor.

Fica claro que, com a queda dos juros no âmbito global, os investidores têm buscado outros tipos de investimento, de modo a driblar a dinâmica de taxas de retorno cadentes em vários segmentos. A classe dos alternativos acaba sendo um destino natural, por mais que eu, particularmente, discorde do tamanho com que eles aloquem em Private Equity (em média 16% do total investido). 

Além disso, quase metade (45%) dos escritórios familiares afirmou, em maio, que planeja aumentar sua alocação em imóveis (real estate), com uma porcentagem semelhante da alocada em ações de mercados desenvolvidos e uma parcela menor destinada às ações de mercados emergentes. 

Abaixo, um esquema ilustrando a alocação média dos escritórios, em se tratando da carteira de ativos (clique para ampliar).

Note como que, para quem realmente possui dinheiro, países emergentes como o Brasil perfazem algo em torno de 20% da classe de investimentos tradicionais (59%). Ao mesmo tempo, nós aqui do Brasil costumamos concentrar nossa alocação em nosso própria moeda exótica, o real, acreditando que as melhores oportunidades estão aqui.

Ora, se os mercados são eficientes e a informação chega nas mãos dos agentes com uma facilidade incrível, não faria sentido os gringos simplesmente abandonarem o Brasil.

Eles o fazem porque sabem que o risco não compensa. Por isso que a internacionalização dos recursos é tão importante. Para nos sofisticarmos definitivamente, precisamos, gradualmente, reduzir a quantidade investida em reais de nossas carteiras. Tudo isso, claro, feito sob o devido dimensionamento das posições, conforme seu perfil de risco, e a devida diversificação de carteira, com as respectivas proteções associadas.

Ficou curioso para saber qual a melhor forma de se sofisticar nesse sentido? Gostaria de aprender como sofisticar seu patrimônio de maneira objetiva e prática? Pois bem, acredito ter a solução perfeita para caminharmos lado a lado com os titãs da indústria. Um modelo que fará com que você consiga prover robustez para sua carteira, justamente como a nata do mundo dos investimentos faz, sem perder nada.
Trata-se da assinatura mais vendida da Empiricus, a série Palavra do Estrategista. Na publicação, Felipe Miranda, estrategista-chefe e sócio fundador da Empiricus, comenta como aplicar em suas melhores ideias de investimento para a alocação patrimonial. A assinatura custa apenas R$ 5 por mês, mas você pode espiar todo o conteúdo de graça por sete dias. Deixo aqui o caminho para você conhecer os detalhes e destravar sua degustação.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

de olho na expansão

XP vê potencial para que ações da novata d1000 dobrem de valor após queda de 40% desde IPO

Para a XP Investimentos, o comprometimento da rede de farmácias com a expansão e melhoria operacional nos próximos anos abre possibilidade para que as ações se valorizem 105% em um ano

novidade na bolsa

Ações da Cury, da Cyrela, têm forte queda em estreia na B3

Papéis da construtora começam a ser negociados em dia de forte aversão ao risco nos mercados globais

Decisão do Supremo

Marco Aurélio libera meio bilhão da Andrade Gutierrez que TCU havia bloqueado

Indisponibilidade de bens foi decretada pela Corte de Contas em maio de 2018 no âmbito de auditoria que fiscalizou as obras civis da Usina Termonuclear de Angra 3, pelo prazo de um ano.

Títulos públicos

Veja os preços e as taxas do Tesouro Direto nesta segunda-feira

Confira os preços e taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra e resgate

Movimentando o mercado

Acordo para TikTok nos EUA seria capaz de desbancar Facebook

Acordo – teoricamente aprovado pelo presidente Donald Trump, mas ainda sem aprovação das companhias envolvidas – criaria uma força capaz de desafiar a dominância do Facebook na internet

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu