Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

O que falta para um rali de fim de ano na bolsa brasileira?

Movimento ainda é possível; o problema é que teremos que alinhar uma tendência mais definida, como explico abaixo

17 de novembro de 2020
6:09 - atualizado às 13:31
carro corrida rali
Imagem: Divulgação

“[...] Creio que sofro do fígado. Aliás, não entendo níquel da minha doença e não sei, ao certo, do que estou sofrendo. Não me trato e nunca me tratei, embora respeite a medicina e os médicos. Ademais sou supersticioso ao extremo; bem, ao menos o bastante para respeitar a medicina. [...]”

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
“Memórias do Subsolo”, de Fiódor Dostoiévski

Poderia ser a descrição do mercado em tempos recentes, mas se trata, na verdade, do início da obra “Memórias do Subsolo”, de Fiódor Dostoiévski. Publicado na segunda metade do século 19, a história é um dos principais marcos para a escrita existencialista do escritor russo, conhecido, entre outras coisas, por suas obras de notável profundidade psicológica. Curiosamente, a introdução do livro me lembrou o mercado das últimas semanas (meses, a depender do ponto de vista).

O mercado está doente.

O sintoma? Excesso de volatilidade.

Breve parêntese. Veja, não quero aqui que o leitor entenda que brado por ausência de volatilidade; pelo contrário, ausência de volatilidade é muitas vezes pior do que a presença dela. Tampouco indico aqui que volatilidade é risco, pois não deve ser considerado a mesma coisa, ainda que boa parte dos financistas e da teoria clássica aponte para tal. Ausência de volatilidade não significa ausência de risco, por exemplo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Feito o disclaimer, podemos verificar o excesso de volatilidade pautado, principalmente, pelo grau incessante de rotação setorial presente nos mercados globais. A crise atual, diferente de qualquer coisa pela qual já passamos, tem criado uma dicotomia na qual duas cestas de ativos se destacam.

Leia Também

É uma batalha entre as teses de valor (value) ou crescimento (growth), respectivamente, pautada pelo interesse em buscar ativos com preços descontados ou aqueles que têm potencial de crescimento acima do mercado, como empresas de tecnologia.

Value X growth

A primeira dessa cesta de ativos pertence ao combo “stay at home” (fique em casa) e se beneficia dos rumores de novos lockdowns ao redor do mundo. Estão neste grupo, por exemplo, ações que ganham nas condições em que as pessoas ficam mais em casa. São nomes em setores de tecnologia, e-commerce e saúde verticalizada (healthcare).

A segunda cesta diz respeito aos nomes que se beneficiam da reabertura da economia, notadamente as teses de valor (value) que ficaram bem descontadas com o rali das empresas de tecnologia. Figuram aqui ações de real estate, shoppings, combustíveis fósseis e bancos. Note, no gráfico abaixo, o movimento de desconto.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Aparentemente, o ciclo entre crescimento e valor está se alterando. Inclusive, na semana passada, com as vacinas e a tese de reabertura ganhando força (Pfizer e a BioNTech parecer ser mais de 90% eficaz contra a Covid-19), a relação entre valor e crescimento apresentou o maior movimento percentual (%) já registrado em um só dia – na semana da eleição americana, por outro lado, quando já era esperado que Biden seria o vencedor, as empresas de tecnologia que voaram.

Inclusive, em diversos índices conseguimos ver o rompimento de growth e value:

A questão é: é possível rali de fim de ano com tanta volatilidade?

Pergunta para qual eu respondo: sim, é possível.

O problema é que teremos algum trabalho a ser feito no sentido de alinhar uma tendência mais definida. Isto é, a Bolsa pode subir, mas se quiser um rali de verdade, precisaremos tentar alinhar as expectativas em uma só e não viver só da interminável ambivalência vigente. Assim, diferentemente do que Dostoiévski colocou, precisamos tratar a doença que nos aflige – muito não depende de nós, é verdade, mas há como agir em nossos portfólios.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

4 motivos para o rali das bolsas

1 - Dias de alta + dias de alta

Em primeiro lugar, temos motivos para ficar otimista. Já falamos neste espaço sobre os clusters de volatilidade, como ensina Mandelbrot. Segundo o professor, volatilidade tende a atrair mais volatilidade. Contudo, há também sequências positivas que indicam continuidade de certos ralis. Ou seja, volatilidade para cima também pode ser preservada (dias de alta seguidos por dias de alta).

2 - Maré de otimismo

Em segundo lugar, parece ter crescido um sentimento mais otimista relativamente ao que testemunhamos no início do ano.

Os riscos derivados da pandemia (da reação e do medo para com o vírus, não com o vírus em si) ainda existem, mas eles são mitigados pelos seguintes fatores:

  1. o vírus já chegou e já sabemos como funciona (teremos que, no máximo, nos acostumar com o problema humanitário e de saúde pública);
  2. as estruturas de combate e prevenção ao vírus já estão de pé;
  3. estímulos fiscais e monetários vigentes (precisaremos de mais nos países desenvolvidos);
  4. cepa de vírus plausivelmente mais contagiosa, porém menos mortal; e
  5. lockdowns atuais são apenas parciais.

Com isso, gradualmente, estabelecemos, mesmo com a ameaça do vírus, um maior otimismo. Abaixo, o sentimento bullish verificado no mercado. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

3 - Boas perspectivas para 2021

Em terceiro lugar, a próxima etapa da recuperação em forma de V, segundo estrategista do Morgan Stanley, tem crescimento mundial de 6,5% no próximo ano, significativamente acima do consenso. Com isso, o mercado segue construtivo quanto às perspectivas para os mercados em 2021. Pela ótica macroeconômica, a economia global tenderá a entrar na próxima fase da recuperação em forma de V.

Na primeira fase, a economia global deve recuperar os níveis de produção pré-Covid-19, uma posição importante que devemos alcançar até o final do primeiro trimestre de 2021. No 2T21, por sua vez, a economia poderá retomar sua trajetória pré-COVID-19; isto é, onde o PIB estaria sem o choque COVID-19.

4 - A era Biden e o fluxo comercial pró-emergentes

Em quarto lugar, a eleição de Biden parece soar positiva para o mercado americano e para os ativos de risco globais. A combinação de uma Casa Branca multilateralista, uma Câmara democrata, um Senado republicano e uma Suprema Corte conversadora poderá proporcionar aos mercados, possivelmente, um bom equilíbrio.

O fluxo comercial pode ser recuperado, desvalorizando o dólar, apreciando as commodities e valorizando ativos de mercados emergentes. Nós, claro, nos beneficiaremos desse movimento, ainda que o governo brasileiro atual não se veja representado na Casa Branca a partir de 2021 como se vê hoje – vale lembrar, se trata mais de retórica do que fato prático. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Logo, como é possível verificar, é sim possível um rali de fim de ano na segunda metade de novembro e dezembro.

Será fácil? Jamais.

Como vimos, a volatilidade veio para ficar. Mas podemos nos beneficiar dos movimentos agitados se alinharmos o discurso. O mercado tem tentado fazer isso.

Não se trata de oito ou oitenta. Não é sobre ter um ou outro, em relação às cestas que mencionei no início, mas um pouco de cada – um pouco da tese de reabertura e um pouco da tese “stay at home”, no Brasil e lá fora.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Tudo isso, claro, feito sob o devido dimensionamento das posições, conforme seu perfil de risco, e a devida diversificação de carteira, com as respectivas proteções associadas.

O que pode impedir o rali?

Riscos ainda existem, vale ressaltar:

  1. novas ondas mais mortais de coronavírus ao redor do mundo;
  2. questão fiscal nos EUA;
  3. risco institucional nos EUA;
  4. um Brexit mais complicado do que o esperado;
  5. Brasil não ajustar a trajetória fiscal.

Creio que o mercado sofra de fígado. Mas dá para tratar… Como diria Dostoiévski, basta que não sejamos supersticiosos ao extremo, ainda que isto nos faça acreditar em medicina.

Se você gostou do texto e da ideia que tentei passar aqui, talvez seja válido aprofundar um pouco mais e saber exatamente qual ativo comprar para o rali de fim de ano. Deixo aqui o convite para você entender melhor a tese e encontrar uma lista de ações para se posicionar bem para o rali.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As novas fronteiras do Nubank e o cessar-fogo nos mercados: tudo o que você precisa saber antes de investir hoje

8 de abril de 2026 - 8:49

A fintech Nubank tem desenvolvido sua operação de telefonia, que já está aparecendo nos números do setor; entenda também o que esperar dos mercados hoje, após o anúncio de cessar-fogo na guerra do Oriente Médio

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A normalização da inflação e dos juros, o recorde de pedidos de RJ, mudanças na Petrobras (PETR4), e o que mais afeta a bolsa hoje

7 de abril de 2026 - 8:53

Sem previsibilidade na economia, é difícil saber quais os próximos passos do Banco Central, que mal começou um ciclo de cortes da Selic

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Entre a crise geopolítica e a rigidez inflacionária: volta ao normal no Brasil é adiada em um mundo fragmentado

7 de abril de 2026 - 7:17

Há risco de pressão adicional sobre as contas públicas brasileiras, aumento das expectativas de inflação e maior dificuldade no cumprimento das metas fiscais

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A verdadeira diversificação nos FIIs, a proposta de cessar-fogo no Irã, e o que mais move as bolsas hoje

6 de abril de 2026 - 8:09

O TRX Real Estate (TRXF11) é o FII de destaque para investir em abril; veja por que a diversificação deste fundo de tijolo é o seu grande trunfo

TRILHAS DE CARREIRA

Entre o que você faz e onde você está: quanto peso dar à cultura organizacional nas suas escolhas de carreira?

5 de abril de 2026 - 8:00

Por que uma cultura organizacional forte é um ativo de longo prazo — para empresas e carreiras

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O poder elétrico na sua carteira, as novas ameaças de Trump, e o que mais move os mercados

2 de abril de 2026 - 8:30

Axia Energia (AXIA6) e Copel (CPLE3) disputam o topo do pódio das mais citadas por bancos e corretoras; entenda quais as vantagens de ter esses papéis na carteira

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Volta da inflação? Aprenda a falar a língua do determinismo estocástico 

1 de abril de 2026 - 19:45

Com inflação no radar e guerra no pano de fundo, veja como os próximos dados do mercado de trabalho podem influenciar o rumo da Selic

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O novo momento da Boa Safra (SOJA3), o fim da guerra no Irã e o que mais você precisa ler hoje

1 de abril de 2026 - 8:28

A fabricante de sementes está saindo de uma fase de expansão intensa para aumentar a rentabilidade do seu negócio. Confira os planos da companhia

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os terremotos nos mercados com a guerra, a reestruturação da Natura (NATU3) e o que mais mexe com seu bolso hoje

31 de março de 2026 - 8:37

Entenda como o prolongamento da guerra pode alterar de forma permanente os mercados, e o que mais deve afetar a bolsa de valores hoje

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Da escalada militar à inflação global: o preço da guerra entre EUA e Irã não é só o petróleo

31 de março de 2026 - 7:24

Curiosamente, EUA e Israel enfrentam ciclos eleitorais neste ano, mas o impacto político do conflito se manifesta de forma bastante distinta

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Uma nova estratégia para os juros, eleições presenciais, guerra no Oriente Médio e o que mais move os mercados hoje

30 de março de 2026 - 8:10

O Brasil pode voltar a aumentar os juros ou viver um ciclo de cortes menor do que o esperado? Veja o que pode acontecer com a taxa Selic daqui para a frente

DÉCIMO ANDAR

As águas de março geraram oportunidades no setor imobiliário, mas ainda é preciso um bom guarda-chuva

29 de março de 2026 - 8:00

Quedas recentes nas ações de construtoras abriram oportunidades de entrada nas ações; veja quais são as escolhas nesse mercado

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O melhor emprego do mundo: as dicas de um especialista para largar o CLT e tornar-se um nômade digital 

28 de março de 2026 - 9:02

Uma mudança de vida com R$ 1.500 na conta, os R$ 1.500 que não compram uma barra de chocolate e os destaques da semana no Seu Dinheiro Lifestyle 

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O corte de dividendos na Equatorial (EQTL3), a guerra em Wall Street, e o que mais afeta seu bolso hoje

27 de março de 2026 - 8:17

A Equatorial decepcionou quem estava comprado na ação para receber dividendos. No entanto, segundo Ruy Hungria, a força da companhia é outra; confira

SEXTOU COM O RUY

Nem todo cão é de guarda e nem toda elétrica é vaca. Por que o corte de dividendos da Equatorial (EQTL3) é um bom sinal?

27 de março de 2026 - 6:01

Diferente de boa parte das companhias do setor, que se aproveitam dos resultados estáveis para distribui-los aos acionistas, a Equatorial sempre teve outra vocação: reter lucros para financiar aquisições e continuar crescendo a taxas elevadíssimas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O sucesso dos brechós, prévia da inflação, o conflito no Oriente Médio e o que mais afeta seu bolso hoje

26 de março de 2026 - 8:17

Os brechós, com vendas de peças usadas, permitem criar um look mais exclusivo. Um desses negócios é o Peça Rara, que tem 130 unidades no Brasil; confira a história da empreendedora

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Será que o Copom que era técnico virou político?

25 de março de 2026 - 20:00

Entre ruídos políticos e desaceleração econômica, um indicador pode redefinir o rumo dos juros no Brasil

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As empresas nos botes de recuperação extrajudicial, a trégua na guerra do Oriente Médio, e o que mais move os mercados hoje

25 de março de 2026 - 8:00

Mesmo o corte mais recente da Selic não será uma tábua de salvação firme o suficiente para manter as empresas à tona, e o número de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial pode bater recordes neste ano

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como se proteger do cabo de guerra entre EUA e Irã, Copom e o que mais move a bolsa hoje

24 de março de 2026 - 8:10

Confira qual a indicação do colunista Matheus Spiess para se proteger do novo ciclo de alta das commodities

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Quando Ormuz trava, o mundo sente: como se proteger da alta das commodities e de um início de um novo ciclo

24 de março de 2026 - 7:25

O conflito acaba valorizando empresas de óleo e gás por dois motivos: a alta da commodity e a reprecificação das próprias empresas, seja por melhora operacional, seja por revisão de valuation. Veja como acessar essa tese de maneira simples

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia