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Se voltarmos em março deste ano, foi um erro muito grande aqueles que optaram pelo pânico e preferiram sair do mercado, abandonaram as posições
Neste momento, vemos a bolsa já superado os 100 mil pontos e se aproximando dos 110 mil. Nos EUA, a gente olha para o Nasdaq e vê rompimentos de recordes históricos, assim como no S&P.
O que nos perguntamos é: o quanto ali existe de realidade e o quanto tem de expectativa? A verdade é que uma combinação dos dois, e muito dificilmente você vai conseguir diferenciar um do outro.
Neste momento, temos uma dose de expectativa turbinada por sinais de que uma recuperação em V pode estar acontecendo.
Também vemos sinais positivos de que, se por um lado a epidemia segue em alta, também se mostra – de uma certa forma – em níveis controláveis, que permitem uma reabertura ou pelo menos atuações focadas. Vemos também um excesso de liquidez.
Neste sentido, a combinação de expectativas e fatos é o que realmente move os mercados. Inclusive, existe um ditado muito famoso: “a bolsa sobe no boato e cai no fato”.
De uma certa maneira, isso acontece porque o mercado se antecipa, buscando embutir aos preços de hoje o que projeta, o que está imaginando para o futuro.
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E hoje, o que a gente vê é um grande otimismo nos mercados.
O que nós sempre temos que tomar cuidado é: se por um lado, é quase impossível distinguir expectativa de realidade, ou antecipar o que o mercado vai entregar de fato no futuro, se corresponderá às expectativas.
Por outro lado, o que nos cabe é adotar posturas que nos dispensem de duas alternativas: ou ter que adivinhar o futuro ou ficar comprando expectativas de forma exagerada.
É bastante difícil porque, aqui, cabe uma dose do famoso FOMO (Fear Of Missing Out). Como você vai em um momento de euforia manter caixa – por exemplo – enquanto todos estão batendo recordes de rentabilidade e de ganhos?
Contudo, esta disciplina precisa ser desenvolvida. Então, aqui fica minha mensagem: mesmo nos momentos de alta euforia, nos quais as expectativas estão demasiadamente positivas, não podemos deixar a segurança e a gestão de risco de lado.
Devemos adotar uma maneira mais cautelosa de também surfar esta alta, porém tendo ciência do componente “expectativa”
Este componente é indefinido por natureza, possui difícil quantificação e, quando materializa-se de fato, pode ocorrer uma surpresa, caso o mercado já tenha precificado tal “expectativa”.
Lembrando da máxima, o mercado sobe no boato, na expectativa. Quando vem o fato, já está precificado e, o que acontece, é que boa parte dos investidores começam a realizar ganhos que foram antecipados.
Em suma, a mensagem de hoje é muito simples: fiquem sempre atentos. Isso vale tanto para os momentos de alta, como o de agora, como para os de baixa.
Mais do que a atenção contínua, a principal conclusão é que não existem somente fatos concretos no preço.
Uma boa parte do que está ali na tela (e nas valorizações ou quedas da bolsa) é explicada por expectativas.
Quanto mais infladas elas tiverem para o negativo ou para o positivo, maiores podem ser as chances de surpresa na direção contrária culminarem em realizações do mercado.
A única coisa que podemos fazer é: não baixar a guarda na nossa cautela, nem tampouco abandonar o barco.
Se voltarmos em março deste ano, foi um erro muito grande aqueles que optaram pelo pânico e preferiram sair do mercado, abandonaram as posições.
Ali, era um carrego de expectativas negativas muito elevado. O que aconteceu foi: quem saiu antes da hora, ficou com o prejuízo como único fato real da sua carteira.
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