Você vai lembrar disso quando fizer 64 anos
Seja qual for a data em que você pretende se aposentar, a parcela do seu patrimônio destinada à previdência tem uma importante vantagem em relação a outros investimentos: o horizonte.

Com quantos anos você pretende se aposentar? Quem tem plano de previdência já se deparou com essa pergunta no formulário da corretora ou seguradora. A resposta é quase um chute, mas me lembro muito bem da minha: 64 anos. Nem preciso me esforçar para desvendar a origem desse número mágico que brotou do meu subconsciente. É Beatles. Ou melhor, Paul McCartney, que compôs “When I’m sixty-four”.
Isso não quer dizer que quando chegar aos 64 anos eu pretenda parar. Como o próprio Paul não parou. Acaba de completar 78 e só não está em turnê pela Europa neste momento porque os shows previstos para o segundo trimestre foram cancelados em função do coronavírus. E, ainda que em quarentena forçada, duvido que esteja dedicando-se à jardinagem, como previa na música.
E nada de casinha alugada na costa inglesa. Está passando o verão em sua mansão milionária nos Hamptons. E mais importante: com uma esposa maravilhosa para precisar dele, alimentá-lo, e tudo mais que ele queria (mas os netos não se chamam Vera, Chuck e Dave). Enfim, o tempo mostrou que Paul foi modesto demais em seu projeto de aposentadoria...
Seja qual for a data em que você pretende se aposentar, a parcela do seu patrimônio destinada à previdência tem uma importante vantagem em relação a outros investimentos: o horizonte. No longo prazo, podemos tolerar mais risco, em busca de colhermos melhores retornos lá na frente. Ouro puro quando se tem um portfólio bem pensado e diversificado.
A matemática para alcançarmos uma aposentadoria afortunada seria bem simples, então. Os melhores gestores e uma boa parcela alocada em ativos que entregam mais rentabilidade no longo prazo. Infelizmente, na vida real, ainda temos uma longa e sinuosa estrada a percorrer.
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Quando se trata do universo de previdência, há uma série de limitações regulatórias que impedem os gestores de oferecer seu potencial máximo. Na prática, eles são obrigados a adaptar suas estratégias, e torna-se muito difícil que as versões de previdência acompanhem os retornos dos produtos originais.
Vou dar um exemplo. Hoje, uma gestora especialista em ações que queira oferecer um fundo de previdência ao varejo só poderá investir até 70% do patrimônio desse produto em Bolsa. Se você quiser um fundo de ações puro na previdência, que aloque 100% em renda variável (e vamos combinar que é um pedido coerente para o longo prazo), é preciso ser investidor qualificado (com mais de R$ 1 milhão em investimentos ou alguma certificação reconhecida pela CVM).
No caso dos multimercados, a classe não pode alavancar ou ter exposição cambial superior a 20% no mundo da previdência. Sem poder usar todo o potencial para tomar risco, a tarefa de entregar algum valor em um mundo de juros baixos – e justificar a cobrança de taxas aos cotistas – torna-se ainda mais desafiadora.
E um detalhe: na estrutura da previdência, há um intermediário a mais que precisa ser remunerado, a seguradora.
Como reflexo dessas amarras, a oferta de fundos bons de previdência é escassa, mas não perdemos a esperança. Ao mesmo tempo, seria injusto não reconhecer que esse mercado vem evoluindo – e quem é assinante da série Os Melhores Fundos de Investimento sabe que acompanhamos cada novidade bem de perto. Vemos produtos sendo lançados semanalmente e um grande esforço das gestoras para se adaptarem às limitações impostas.
Da nossa parte, seguimos atentos à necessidade de uma regulação mais flexível, ainda mais por se tratar de um investimento de longo prazo. Enquanto isso, nos empenhamos em oferecer aquela que acreditamos ser a melhor alternativa para a nossa previdência.
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