Menu
Matheus Spiess
Caçador de assimetrias
Matheus Spiess
É economista e editor da Empiricus
2020-03-03T18:55:47-03:00
CAÇADOR DE ASSIMETRIAS

Teria Lester medo do Coronavírus? Sinal para comprar Bolsa – e digo aqui qual papel

É difícil ficar bravo, quando há tanta razão para continuar otimista com os fundamentos da Bolsa brasileira

3 de março de 2020
9:11 - atualizado às 18:55
Kevin Spacey, como Lester Burnham, no filme “Beleza Americana”, de Sam Mendes (1999)
Kevin Spacey, como Lester Burnham, no filme "Beleza Americana", de Sam Mendes (1999) - Imagem: Reprodução

Você sobreviveu à semana passada? Se sim, ótimo. Sinal de que tem lido minhas poucas e humildes palavras. Caso não as tenha apenas lido, mas também seguido alguma coisa do que eu disse, ao menos na margem, deve ter comprado um pouquinho de proteção, como ouro ou moeda forte (dólar, por exemplo).

Se foi isso, meus parabéns. Muito provavelmente o retorno consolidado de sua carteira deve ser superior ao de muito profissional no mercado atualmente. Gente de ponta.

Não me leve a mal. Não sou do tipo que prega apocalipse ad eternum para que, algum dia no futuro, esteja finalmente certo, de modo que minhas provocações acabam funcionando de um jeito de outros.

Não. Nunca.

Sou daqueles que tem completa noção de que até um relógio quebrado mostra a hora certa duas vezes ao dia.

Aliás, por mais controverso que possa soar, o cara (eu no caso) que agora diz ter falado da importância de ouro para proteger as carteiras de investimento também é o mesmo otimista que está esperando a Bolsa tocar, em um futuro próximo, a marca dos 150 mil pontos.

Antes que me perguntem: sim, existe fundamento para acreditar nisso. E sim, é possível gostar de ouro e Bolsa ao mesmo tempo.

Na verdade, as posições são complementares e não antagônicas, como um olhar mais desatento poderia pressupor.

Todos já estão cansados de ouvir como a Bolsa sofreu na semana passada, tendo atravessado a pior semana desde 2011. Loucura total. Caos.

Mas enquanto uns choram, outros vendem lenço. Poderíamos, inclusive, traçar um paralelo com uma das últimas brilhantes observações de Lester Burnham em "American Beauty" (1999):

"Acho que eu deveria estar muito puto pelo que aconteceu comigo. Mas é difícil ficar bravo, quando há tanta beleza no mundo.”

Deveríamos estar putos devido a Bolsa ter despencado? Se o leitor está tão otimista como eu, deve ter algo como 40% de exposição à Bolsa.

Em minha opinião, não, não deveríamos.

Lester não teria medo do Coronavírus. É difícil ficar bravo, quando há tanta razão para continuar otimista com os fundamentos da Bolsa brasileira

Não sou ingênuo também. Tenho convicção de que as medidas tomadas, em especial na China, para o combate do novo vírus afetarão no curto prazo a cadeia de suprimento global e, consequentemente, os indicadores mais importantes da economia mundial.

Contudo, vale lembrar que, em geral, o mercado costuma extrapolar os efeitos de longo prazo de ruídos de cauda conjunturais.

O que eu quero dizer? Que o mercado (aqui leia-se os agentes de mercado) adora exagerar quando toma um susto. Acredito ter sido esse o caso.

Note abaixo um gráfico interessantíssimo. Ele descreve o movimento dos ciclos econômicos, empresariais e sentimentais. Veja como, grosso modo, o ciclo emocional é o de maior amplitude. Isso porque gostamos de viver a vida com emoção.

Fonte: Empiricus

Basicamente, após um exagero que nos leva ao fundo do poço (vale), vivenciamos uma alta ainda mais acentuada. Quando os ciclos econômicos e empresariais se unem em apoio então, nem se fale.

O que eu quero dizer é que acredito ter verificado uma única janela de oportunidade para esse grande Bull Market iniciado em 2016. É provavelmente uma das últimas chances de se pegar esse ciclo com maior intensidade antes que uma desaceleração mais forte chegue no exterior.

Na prática, a necessidade imperativa é de ir comprando algumas coisas que acabaram ficando bem baratas com o sell off da semana passada.

A Bolsa tem que subir, pois não faz sentido que ela permaneça nos patamares atuais. Vivemos em um país que passa por um momento de ciclo econômico favorável, em estágio de plena recuperação, somado ao início da potencial pujança empresarial que vem em seguida.

Além disso, o Brasil passa pelo maior, mais profundo e mais abrangente programa de reformas estruturantes de sua história. Não existe outro país emergente no momento que esteja se propondo a mudar tanto para melhor em tão pouco tempo.

A consequência óbvia, paralelamente à política fiscal restritiva, monetária expansionista e cambial depreciativa, é que ativos de risco se tornam cada vez mais atrativos aos agentes econômicos locais e, posteriormente, ao estrangeiros.

Meu entendimento aponta para ETFs (fundos de índice) como estando entre as principais oportunidades na classe dos investidores responsavelmente ousados.

É o caso do SMAL11, fundo negociado em Bolsa que busca replicar o retorno do índice de small caps do mercado acionário brasileiro. Dessa forma, é possível se expor de maneira diversificada, sempre controlando os riscos.

Ideias como essa são normais nas séries da Empiricus. O SMAL11 tem sido acompanhado de perto pelo próprio Felipe Miranda, estrategista-chefe da Empiricus, em sua publicação Carteira Empiricus, um dos best-sellers de Miranda ao lado de a Palavra do Estrategista.

Os convido a conferir essas e outras ideias lá na Empiricus!

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

Pesquisa Datafolha

59% são contra e 37% a favor da renúncia de Bolsonaro em meio à pandemia

Um levantamento do Datafolha, divulgado neste domingo, 5, mostra que 59% dos brasileiros são contra uma renúncia do presidente Jair Bolsonaro em meio ao combate à pandemia pela covid-19. Outros 37% são a favor, conforme vem sendo pedido por políticos da oposição. Outros 4% não sabem dizer. Para apenas 33% dos entrevistados, a gestão da […]

LIÇÕES PARA O SEU DINHEIRO

Recomendações de leitura para um investidor em quarentena

Três livros para você sobreviver ao isolamento e sair deste furacão como um investidor ainda melhor.

O BC e o coronavírus

Preferimos ter um lado fiscal um pouco pior para que as pessoas possam honrar seus contratos, diz Campos Neto

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, destacou que a instituição se preocupa em dar condições às empresas cumprirem suas obrigações financeiras, evitando um movimento de quebra massiva de contratos

Crise da Covid-19

Brasil ultrapassa marca de 10 mil casos de coronavírus

Em 24 horas, o Brasil notificou mais de mil novos casos de coronavírus e outros 72 casos fatais. A taxa de mortalidade no país está em 4,2%

Em conversa com o setor de varejo

Governo faz o máximo para o dinheiro chegar à ponta final, diz Guedes

O ministro Paulo Guedes, participou de conferência com líderes do setor de varejo neste sábado, detalhando as inciativas do governo na crise do coronavírus

Guerra de preços

Arábia Saudita e Rússia continuam trocando farpas e trazem preocupação ao mercado de petróleo

Arábia Saudita e Rússia voltaram a trocar acusações no âmbito da guerra de preços do petróleo — e já se começa a falar que a reunião emergencial da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) da próxima segunda-feira foi por água abaixo

Impactos

Crise do coronavírus reduz consumo de carne e já paralisa 11 frigoríficos no país

A indústria da carne já começa a sentir os primeiros efeitos da crise do coronavírus, com uma menor demanda por produtos — o que paralisa alguns frigoríficos no país

Seu Dinheiro no Sábado

MAIS LIDAS: Um bilionário na luta contra o coronavírus

A notícia a respeito das iniciativas do bilionário Elon Musk no combate à pandemia de coronavírus foi a mais lida dessa semana no Seu Dinheiro

Ano difícil

Braskem fecha 2019 com prejuízo líquido de R$ 2,8 bilhões, revertendo o lucro de 2018

A Braskem encerrou 2019 com um prejuízo bilionário e contração nas receitas e no Ebitda em relação a 2018

LIÇÕES PARA AVALIAR UM NEGÓCIO

8 formas de saber se é um bom investimento

Na escola, seu boletim é a marca do seu sucesso. Nos negócios, são as demonstrações financeiras. Se você quer ser bem-sucedido, precisa saber como tirar conclusões sobre a saúde da empresa e seu potencial.

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu