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Matheus Spiess
Caçador de assimetrias
Matheus Spiess
É economista e editor da Empiricus
2020-02-27T09:05:11-03:00
CAÇADOR DE ASSIMETRIAS

Quarteirão, Quarter Pounder ou Royale, não importa… temos que comprar ouro

25 de fevereiro de 2020
6:00 - atualizado às 9:05
ouro barras
Barras de ouro - Imagem: Shutterstock

Uma curiosidade: alguns lanches mudam de nome a depender do país em que estamos. Sabe por quê? Devido ao sistema métrico de cada território. Por exemplo, um Quarteirão com Queijo aqui no Brasil leva o nome de Quarter Pounder with Cheese nos EUA e Royale with Cheese na França. 

Quem me ensinou isso foi Pulp Fiction, clássico dos anos 90 escrito e dirigido por Quentin Tarantino. Ao longo dos anos, Pulp se tornou sinônimo de filme cult por ser considerado uma das obras de maior relevância de Tarantino. Sou testemunha, a história é realmente excelente.

Logo no início da trama nos deparamos com esse diálogo entre Vincent Vega (John Travolta) e Jules Winnfield (Samuel L. Jackson), em que Vega nos conta de sua experiência na França e de como ficou maluco por notar a mudança de nome entre o mesmo produto só pelo fato de estar em outro país.

“Vincent: Você sabe como eles chamam o Quarteirão com Queijo em Paris? [...] Eles chamam de Royale with Cheese” – Vincent Vega, trecho do filme Pulp Fiction.

Posso não ser o maior especialista em cinema, muito menos em roteiro, mas eu entendo tais trechos de conversas despretensiosas, sempre presentes nos trabalhos de Tarantino, como sendo a espinha dorsal da qualidade do enredo. Em meia dúzia de frases que conseguimos dos personagens, podemos criar uma atmosfera muito mais imersiva.

Mas sou suspeito. Muito dificilmente você me verá criticando algum trabalho do diretor. De qualquer forma, assim como tais pequenas parcelas de diálogo são importantes para a criação de uma personagem mais robusta e interessante, carteiras de investimentos também possuem peculiaridade em até certo ponto semelhante.

Conversando com investimentos

Vamos imaginar um portfólio de um investidor mediano, ou moderado. Vamos trabalhar sobre a carteira em percentual, dividindo as grandes classes de ativos em caixas para que completemos um total de 100%.

É intuitivo nosso entendimento de que, quando temos alguma convicção, precisamos pesar a mão em ativos que se beneficiariam do cenário que acreditamos que se materializará mais à frente. Por exemplo, se temos convicção de que o Brasil vai decolar, natural alocarmos mais de nosso capital em Bolsa e juro longo.

Mas isso é só parte da história toda.

Isso porque uma das lições mais importantes na alocação de recursos repousa justamente sobre a necessidade de uma visão holística para o patrimônio investido.

E o que eu quero dizer com holística? Bem, justamente para olharmos os dois lados da equação. Ao mesmo tempo que acredito na alta da Bolsa, também acredito na minha própria falibilidade.

Isso se chama humildade epistemológica. Tão raro em um mercado coberto por pessoas arrogantes e egos inflados.

Temos que sempre considerar a possibilidade de estarmos errados. Como diria Taleb, "start looking from the tails" (comece olhando da cauda – da distribuição). Em uma distribuição normal de probabilidade, eventos mais raros, com menor chance de acontecer, residem na cauda (ponta) da distribuição.

Isso sugere uma necessidade de se começar a alocação de recursos partindo do pressuposto de que estamos errados.

Aonde quero chegar?

Digo tudo isso para nos trazer ao ponto nevrálgico de minhas palavras. Não é porque acredito em um futuro positivo para o Brasil que não devo ter proteções clássicas, como ouro e dólar.

Pelo contrário, é justamente porque acredito em um futuro positivo que alocaria mais em ativos de risco e, por conta disso, deverei acompanhar também meus investimentos com uma boa fatia, de até 10% do total, de proteções.

Assim, se eu estiver certo, perfeito. Minha carteira como um todo vai muito bem, porque 90% dela estará bem alocada, balanceada e diversificada, em ativos que se beneficiam de um contexto de céu de brigadeiro.

Do mesmo modo, se eu estiver errado, não haverá tanto problema, porque carrego 10% dos meus investimentos em ativos que se beneficiam de um cenário mais adverso. Moeda forte e metais preciosos são as reservas de valor mais tradicionais nesse sentido. É para eles que o dinheiro foge quando uma hecatombe acontece – e elas acontecem com mais frequência e com maior intensidade do que pressupomos.

Compre ouro

Ouro, em meu entendimento, é o investimento mais clássico para que possamos nos proteger de maneira consistente no longo prazo. Sempre foi a reserva de valor da humanidade e, desde o início do terceiro milênio, tem vivido um bull market inacreditável. Abaixo, note como o ouro costuma se valorizar acentuadamente em momento de estresse frente à Bolsa americana.

Fonte: Empiricus e Bloomberg

Algo que perfaz até 10% do seu patrimônio investido é uma excelente pedida, dividido entre moeda forte e ouro. É possível ganhar exposição a estes ativos por meio de um fundo de investimento barato na sua corretora.

Para quem tem menos recursos disponíveis no momento, um fundo de ouro dolarizado é uma excelente pedida. Tais fundos são meus favoritos mesmo, porque você ganha exposição, ao mesmo tempo, a ouro e dólar. Ou seja, uma dupla proteção.

Hoje, você consegue encontrar produtos assim na Órama, no BTG e na Vitreo. Novamente, eu gosto de prezar pelo ouro dolarizado e conheço a qualidade das instituições acima, por isso as citei.

Dicas como essa e muitas outras vocês podem encontrar na Empiricus, por meio do nosso best-seller, Palavra do Estrategista. Trata-se da série do do Felipe Miranda, Estrategista-Chefe da Empiricus, ideal para todos os tipos de investidores.

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