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Dados da Bolsa por TradingView
2020-08-27T08:52:33-03:00
Jasmine Olga
Jasmine Olga
É repórter do Seu Dinheiro. Cursa jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo
esquenta dos mercados

Tensão em Brasília e expectativa por discurso de Powell sustentam cautela nos mercados

Investidores buscam sinais que garantam a permanência de Guedes no governo. Lá fora, a atenção do mercado se concentra no presidente do Federal Reserve

27 de agosto de 2020
8:21 - atualizado às 8:52
Ibovespa mercados em queda
Imagem: Shutterstock

A tensão política em Brasília segue em primeiro plano entre os investidores locais. O mercado segue de olho nos sinais de desgaste na relação do presidente Jair Bolsonaro com o ministro Paulo Guedes, sensível aos ruídos sobre a permanência de Guedes no governo e a apresentação de um novo plano para o Renda Brasil.

Outra pauta importante do dia é o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que acontece no meio da manhã. Os agentes financeiros buscam dicas sobre o futuro da política monetária da maior economia do mundo. Além disso, dados do PIB do segundo trimestre nos Estados Unidos e o número de pedidos de auxílio-desemprego no país também são muito aguardados.

Tempo fechado

A relação entre Jair Bolsonaro e Paulo Guedes é o grande motor do mercado financeiro brasileiro nos últimos dias. Guedes é visto como uma peça-chave do governo, responsável por manter a situação fiscal sob controle e seguir com a agenda reformista. Por essa razão, qualquer ruído vindo de Brasília com relação ao ministro e sua permanência no governo é suficiente para movimentar a bolsa brasileira.

A situação começou a azedar no início da semana, com o adiamento do pacote 'big bang' - um esperado conjunto de medidas econômicas e sociais que seria divulgado na terça-feira pelo Ministério da Economia - e a falta de consenso entre Bolsonaro e Guedes com relação ao valor do programa Renda Brasil - provável substituto do auxílio-emergencial e que deve ampliar o alcance do Bolsa-Família.

Na terça-feira, dia previsto para a apresentação do pacote, Guedes não apareceu na celebração de lançamento do programa Casa Verde e Amarela, substituto do Minha Casa, Minha Vida. O gesto aumentou a cautela dos investidores e indicou problemas em Brasília.

Com relação ao Renda Brasil, Bolsonaro não aceita um valor menor que R$ 300 (o proposto por Guedes seria R$ 247) e para o ministro da Economia, o valor só seria possível com a extinção do abono salarial e mudançan em outros programas sociais, como o Farmácia Popular.

A ideia desagrada o presidente, que mostra o seu descontentamento de forma pública. Bolsonaro afirmou que a proposta do Ministério da Economia não será enviada ao Congresso e que a equipe econômica deve apresentar um novo plano até sexta-feira. Com a tensão em Brasília e rumores de que Paulo Guedes teria pedido demissão, o Ibovespa foi na direção contrária das bolsas americanas e fechou o dia em queda de 1,46%, aos 100.627,33 pontos. O clima tenso também pressionou o dólar. A moeda americana subiu 1,59%, a R$ 5,6150.

Nos piores momentos do dia, o principal índice da bolsa brasileira chegou a perder o patamar dos 100 mil pontos enquanto aumentavam . Mas uma nota do Ministério no fim da tarde, desmentindo as especulações sobre a demissão do ministro, foi o suficiente para afastar o Ibovespa das mínimas.

A expectativa agora é pela apresentação de um novo projeto para o Renda Brasil na sexta-feira (28), mais alinhado ao desejado pelo Planalto. No entanto, a equipe econômica insiste que para respeitar o teto de gastos é preciso mexer no abono salarial.

Teto de gastos

Outro fator também pode influenciar a visão dos investidores sobre a piora no quadro fiscal do país.

A Câmara aprovou ontem a criação do Tribunal Regional Federal da 6ª região, em Minas Gerais. Rodrigo Maia já havia criticado o projeto, que visa a criação de novas estruturas enquanto se discute a contenção de despesas públicas. A matéria segue para o Senado.

Todos os olhos em Powell

No exterior, o clima de cautela também predomina. Os investidores estão em compasso de espera pelo discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, no simpósio de Jackson Hole (10h).

A expectativa é que no encontro virtual Powell - que deve falar sobre o quadro inflacionário americano - dê dicas sobre o futuro da política monetária americana e o posicionamento do Fed com relação à alta dos preços.

Enquanto isso, as bolsas europeias operam no vermelho, assim como os índices futuros em Nova York.

Na Ásia, dados positivos da economia chinesa impulsionaram os negócios em alguns países. Os lucros das grandes empresas do setor industrial subiu 19,6% em julho, sinalizando boa recuperação da economia. No continente, as bolsas fecharam sem uma direção definida.

Agenda

Além da participação de Powell em Jackson Hole (10h10), os investidores também aguardam os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre nos Estados Unidos (9h30). Quinta-feira também é dia da divulgação do número de pedidos de auxílio-desemprego (9h30), um indicador importante para medir o impacto da pandemia na economia.

No Brasil, o destaque é a reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) (15h).

Fique de olho

  • A Câmara aprovou o projeto que institui uma nova lei de Recuperação Judicial e Falências no País. Projeto agora segue para o Senado.
  • BR Distribuidora pagará R$ 601,6 milhões em juros sobre capital próprio e dividendo mínimo
  • A Petrobras irá vender a sua participação restante na BR Distribuidora.
  • Anatel pediu o adiamento da assembleia de credores da Oi, prevista para o dia 8.
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