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Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

Pressão no câmbio

Cautela com o petróleo e possível corte na Selic levam dólar a R$ 5,41; Ibovespa sobe

O dólar à vista renova as máximas intradiárias em meio às incertezas geradas pela instabilidade no petróleo e à deterioração do cenário político doméstico. O Ibovespa opera em alta

Victor Aguiar
Victor Aguiar
22 de abril de 2020
10:45 - atualizado às 16:26
Selo Mercados AGORA Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Os mercados brasileiros voltam a operar nesta quarta-feira (22), após permanecerem fechados ontem por causa do feriado do Dia de Tiradentes. E, considerando o turbilhão visto no exterior por causa do novo colapso do petróleo, a reabertura das negociações por aqui é nervosa, especialmente para o dólar à vista.

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Por volta de 16h20, a moeda americana operava em alta de 1,94%, a R$ 5,4107 — o dólar à vista nunca tinha superado a marca de R$ 5,32. O mercado doméstico de câmbio vai na contramão do exterior, já que a divisa exibe um comportamento estável em relação a maior parte dos ativos de países emergentes.

Na bolsa, a situação é mais amena: o Ibovespa opera em alta de 2,22%, aos 80.725,88 pontos — no mercado acionário, o índice brasileiro pega carona na tendência global, já que as praças da Europa e dos EUA têm ganhos firmes.

  • Eu gravei um vídeo para explicar a dinâmica dos mercados nesta quarta-feira. Veja abaixo:

O comportamento do Ibovespa chama a atenção, uma vez que ontem, enquanto os mercados brasileiros estavam fechados por causa do feriado, tivemos um dia de perdas em bloco nas bolsas globais. Apesar disso, o índice brasileiro vai ignorando a necessidade de ajustes.

O pano de fundo para a instabilidade vista no exterior na terça-feira é a forte incerteza vista no mercado de petróleo desde o começo da semana: em meio à demanda quase nula pela commodity por causa da crise do coronavírus, os contratos do WTI e do Brent sofreram uma nova onda de desvalorização massiva nos últimos dias.

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Nesta quarta-feira, o tom é de recuperação no petróleo: o WTI para junho dispara 21,61%, a US$ 14,07, enquanto o Brent para junho tem alta de 7,50%, a US$ 20,78 — apesar da recuperação, os níveis de preço ainda estão bastante baixos, o que não alivia a situação para as petroleiras.

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Em parte, esse alívio visto na commodity se deve a uma declaração do presidente dos EUA, Donald Trump. Via Twitter, ele disse ter instruído a marinha do país a 'atirar e destruir qualquer embarcação iraniana' em caso de ameça aos navios americanos — boa parte dos estoques de petróleo dos Estados Unidos é feita em cargueiros em alto mar.

A recuperação do petróleo é acompanhada pelo tom mais positivo dos mercados globais: na Europa, as principais praças sobem mais de 1% e, nos Estados Unidos, o Dow Jones (+2,35%), o S&P 500 (+2,66%) e o Nasdaq (+3,12%) também sobem, revertendo parte das perdas da semana.

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Por aqui, contudo, o impulso positivo vindo do exterior é diluído pelos ajustes do feriado e pela cautela em relação ao petróleo — por mais que a commodity se recupere, as ações da Petrobras exibem ganhos moderados nesta manhã: as PNs (PETR4) sobem 3,51%, enquanto as ONs (PETR3) têm alta de 2,96%.

Corte na Selic = dólar em alta

A perspectiva de novos cortes na taxa Selic também coopera para o salto na moeda americana — juros menores diminuiriam o diferencial em relação às taxas dos EUA, o que reduziria a atratividade dos investimentos no país.

E, de fato, o dia é de forte correção negativa no mercado de juros futuros — sinais do BC quanto a possíveis novas baixas na Selic aumentam a percepção de que o ciclo de cortes na taxa básica continuará:

  • Janeiro/2021: de 2,83% para 2,65%;
  • Janeiro/2023: de 4,37% para 4,21%;
  • Janeiro/2025: de 5,96% para 5,84%.

No front local, os investidores continuam acompanhando de perto as movimentações em Brasília: o clima no cenário político é de profunda deterioração, especialmente após o presidente Jair Bolsonaro ter participado de atos anti-democracia no fim de semana.

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Nesse ambiente belicoso, há duas grandes preocupações por parte do mercado: em primeiro lugar, há o temor de uma descoordenação ainda maior nos esforços para combate ao surto de coronavírus, tanto do ponto de vista da saúde pública quanto da economia.

Em segundo, há a percepção de que qualquer pauta defendida pelo governo encontrará oposição ferrenha no Congresso, o que põe em risco a retomada da agenda de reformas econômicas no pós-crise e pode favorecer o avanço de eventuais 'pautas-bomba' na Câmara e no Senado.

Tal cenário acaba trazendo pressão extra ao câmbio, que já busca novos recordes — o que aumenta a pressão sobre o Banco Central e possíveis atuações para conter o avanço descontrolado do dólar à vista.

A autoridade monetária até realizou um leilão de swap no meio da tarde, oferecendo até 10 mil contratos (US$ 500 milhões). No entanto, a oferta não foi integralmente absorvida pelo mercado e pouco contribuiu para trazer alívio à cotação do dólar.

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Top 5

Veja abaixo as cinco maiores altas do Ibovespa nesta quarta-feira:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
BTOW3B2W ON76,64 18,53%
VVAR3Via Varejo ON7,43 12,75%
PCAR3GPA ON71,31 9,71%
LAME4Lojas Americanas PN25,03 8,78%
MRFG3Marfrig ON10,38 8,46%

Confira também as maiores quedas do índice:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
IRBR3IRB ON11,14 -6,62%
EMBR3Embraer ON8,92 -3,04%
AZUL4Azul PN16,31 -2,22%
SANB11Santander Brasil units25,42 -2,04%
GNDI3NotreDame Intermédica ON56,75 -1,37%

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