Menu
Dados da Bolsa por TradingView
2020-05-07T16:11:57-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.
Câmbio estressado

Após surpresa com o Copom, dólar dispara e chega a R$ 5,85; Ibovespa tem dia instável

As indicações de continuidade no ciclo de cortes da Selic, mesmo após a baixa de 0,75 ponto promovida ontem, pressionam o dólar e o levam a novas máximas

7 de maio de 2020
10:39 - atualizado às 16:11
Selo Mercados AGORA Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

O dólar à vista cravou um novo recorde na sessão passada, encerrando pela primeira vez acima de R$ 5,70. Pois essa máxima já ficou para trás: a moeda americana abriu essa quinta-feira (7) sob intensa pressão e chegou a R$ 5,8768 na máxima (+3,06%), ajustando-se às sinalizações emitidas ontem pelo Copom.

Por volta de 16h10, o dólar à vista avançava 2,69%, a R$ 5,8559. Com o desempenho do momento, a divisa americana já acumula ganhos de mais de 7% nesta semana — em 2020, o salto já supera os 45%.

E boa parte dessa nova onda de estresse no câmbio se deve às surpresas do mercado com a decisão de juros do Banco Central. A autoridade monetária cortou a Selic em 0,75 ponto, ao nível de 3% ao ano — a maioria dos investidores apostava numa redução mais branda, de 0,50 ponto.

  • Eu gravei um vídeo para explicar a dinâmica dos mercados nesta quinta-feira. Veja abaixo:

Mas essa não foi a única novidade: no comunicado, o Copom deixou claro que poderá promover mais um corte de até 0,75 ponto na próxima reunião, o que levaria a taxa básica de juros a 2,25% ao ano — e, considerando a baixa inflação e a contração no PIB por causa do coronavírus, esse passou a ser o cenário-base de muitos analistas.

Essa disposição indicada pelo Banco Central, dando a entender que não vê problemas numa Selic cada vez mais baixa mostrando-se despreocupado com eventuais pressões da alta do dólar sobre a inflação, contribui para dar ainda mais força a escalada da moeda americana ante o real.

Em linhas gerais, cortes na Selic acabam reduzindo o chamado diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos — a subtração entre os juros dos dois países. Com a baixa de ontem, esse gap ficou ainda menor.

Isso mexe com o câmbio porque, quanto menor o diferencial, menor é o apelo do Brasil para os investidores que buscam apenas a rentabilidade fácil dos juros. Claro, trata-se de um capital especulativo e que pouco contribui para o desenvolvimento econômico.

Ainda assim, a ausência desse tipo de agente financeiro diminui a entrada de dólares no país, pressionando o câmbio.

Ibovespa instável

Na bolsa, o dia até começou tranquilo: o Ibovespa chegou a subir 1,17% logo depois da abertura, aos 79.989,25 pontos, mas rapidamente mergulhou aos 78.061,44 pontos na mínima (-1,27%). Agora, opera em baixa de 0,59%, aos 78.601,15 pontos.

Com isso, o Ibovespa vai vai ficando aquém das bolsas globais: na Europa, as principais praças avançaram mais de 1% nesta quinta-feira, tom semelhante ao visto nos EUA, com o Dow Jones (+1,07%), o S&P 500 (+1,40%) e o Nasdaq (+1,60%) também subindo.

Esse bom humor externo se deve, em grande parte, aos dados mais fortes da balança comercial chinesa: as exportações subiram 3,5% em abril, enquanto as importações recuaram 14,2% — ambos os resultados superaram as expectativas dos analistas.

Os números vindos da China aumentam a esperança de que a retomada econômica na Europa e nos EUA após a fase mais crítica do surto de coronavírus poderá ocorrer de maneira mais intensa que o inicialmente planejado — vale lembrar que, no país asiático, o pico dos casos ocorreu em janeiro e fevereiro.

O otimismo em relação às perspectivas de retomada da atividade se sobrepõe aos dados mais preocupantes vistos nos Estados Unidos, onde os dados de desemprego continuam crescendo. E mesmo os recentes atritos entre os governos americano e chinês não trazem maiores preocupações aos investidores.

Mas, apesar dessa tranquilidade externa, no Brasil o clima ainda é de cautela e apreensão. Por aqui, os investidores seguem atentos ao cenário político: ontem, a Câmara aprovou o pacote de auxílio financeiro emergencial a Estados e municípios, não cedendo às contrapartidas solicitadas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

Além disso, as movimentações do governo e do Congresso continuam sendo monitoradas de perto, considerando a forte deterioração nas relações entre as partes. Declarações dos principais atores da cena política, assim, podem mexer com o humor dos investidores ao longo do dia.

E os juros?

Após o corte mais agressivo da Selic e as indicações de que o ciclo de ajustes negativos tende a continuar, o mercado de juros futuros opera em queda na ponta curta, ajustando-se às sinalizações emitidas ontem:

  • Janeiro/2021: de 2,75% para 2,52%;
  • Janeiro/2022: de 3,30% para 3,35%;
  • Janeiro/2023: de 4,66% para 4,61%.

Balanços e dólar

No front corporativo, os investidores reagem de maneira contida ao balanço do Banco do Brasil no primeiro trimestre deste ano: a instituição fez provisões de R$ 2 bilhões para se preparar para o impacto do coronavírus e, como resultado, fechou o período com queda de 20% no lucro, para R$ 3,39 bilhões — os papéis ON (BBAS3) têm baixa de 2,30%.

Ainda no lado dos resultados trimestrais, Ambev ON (ABEV3) cai 2,79%, Totvs ON (TOTS3) tem baixa de 6,15% e NotreDame Intermédica ON (GNDI3) avança 3,67% — veja aqui o resumo dos balanços das três empresas.

Em termos de desempenho no Ibovespa, destaque para as exportadoras Suzano ON (SUZB3) e Klabin units (KLBN11), com ganhos de 9,89% e 11,19%, nesta ordem — empresas que vendem ao exterior se beneficiam com o nível mais elevado do dólar.

Veja abaixo as cinco ações de melhor desempenho do Ibovespa no momento:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
KLBN11Klabin units20,66 +11,19%
SUZB3Suzano ON46,01 +9,89%
MRFG3Marfrig ON13,80 +8,75%
GGBR4Gerdau PN12,40 +6,53%
GOAU4Metalúrgica Gerdau PN5,52 +6,15%

Confira também as maiores quedas do índice:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
RENT3Localiza ON30,27 -6,86%
IGTA3Iguatemi ON27,84 -6,86%
ECOR3Ecorodovias ON9,75 -6,79%
QUAL3Qualicorp ON22,57 -6,62%
AZUL4Azul PN13,86 -6,16%
Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

App da Pi

Aplique de forma simples, transparente e segura

Tartaruga x lebre

Warren Buffett está prestes a bater o retorno do fundo de empresas de tecnologia que brilhou na crise

As ações da Berkshire Hathaway, holding do bilionário, conseguiram lentamente se aproximar do retorno do ARK Innovation ETF, da badalada gestora Cathie Wood

Concurso 2446

Mega Sena acumula; confira os números sorteados e a previsão de prêmio para o próximo concurso

As dezenas sorteadas do concurso 2446 da Mega Sena foram 1-13-27-41-51-58. Próximo sorteio acontece no dia 25 de janeiro

Em busca de liquidez

WDC Livetech da Bahia (LVTC3) fará oferta para destravar negociações com ações para o pequeno investidor

Os papéis da WDC estrearam na B3 em julho do ano passado em oferta de ações restrita a investidores profissionais

Criptocrash

O que acontece com o bitcoin? 4 razões para o novo crash do mercado de criptomoedas

O bitcoin não é o mesmo desde que atingiu a máxima histórica de quase US$ 70 mil no início de novembro. Saiba as razões para o mau momento do mercado cripto

Sonho mais distante

Carro zero mais barato agora custa pelo menos 40 salários mínimos

Com alta de 27%, salário mínimo não conseguiu acompanhar o salto três vezes maior no período (83%) do preço do carro zero mais barato; confira

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies