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Recuperação intensa

Alívio no risco político derruba o dólar a R$ 5,58 e recoloca o Ibovespa nos 83 mil pontos

A reunião entre o presidente Jair Bolsonaro e os governadores fez a tensão no cenário político diminuir e, com isso, deu força aos ativos domésticos. O dólar já cai mais de 4% na semana e o Ibovespa foi às máximas em maio

Selo Mercados FECHAMENTO Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Ainda durante a manhã desta quinta-feira (21), era possível perceber que teríamos uma sessão atípica no Brasil. Afinal, o dólar à vista dava sinais de alívio intenso e o Ibovespa aparecia no campo positivo, mesmo com um viés mais cauteloso nos mercados globais — um indício de que os fatores domésticos se sobrepunham ao noticiário internacional.

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Ora essas, ver o panorama local assumindo o protagonismo não é de todo estranho: o incomum é a combinação de otimismo doméstico e pessimismo global. Ou, em outras palavras: incomum é ver boas notícias no país — e com capacidade para animar os investidores.

Pois foi exatamente isso que aconteceu nesta quinta-feira, com a reunião entre o presidente Jair Bolsonaro e os governadores sendo bem recebida pelo mercado: sinais de maior sintonia entre as partes e de maior coesão dentro do próprio governo foram comemorados por aqui.

  • Eu gravei um vídeo para explicar melhor a dinâmica por trás dos mercados nesta quinta-feira. Veja abaixo:

Como resultado, o dólar à vista fechou a sessão em forte baixa de 1,88%, a R$ 5,5818. Somente nesta semana, a divisa já acumula baixa de 4,40% — desde o começo de maio, ainda tem alta de 2,63%.

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A bolsa também conseguiu uma recuperação firme: o Ibovespa fechou em alta de 2,10%, aos 83.027,09 pontos — é o maior nível desde 29 de abril. O desempenho chama ainda mais a atenção quando comparado aos mercados americanos: o Dow Jones recuou 0,41%, o S&P 500 teve baixa de 0,78% e o Nasdaq caiu 0,97%.

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Sinais positivos

Os investidores monitoraram de perto os desdobramentos da reunião do presidente Jair Bolsonaro com diversos governadores — um dos objetivos era tentar uma reaproximação entre as partes. Esteve em pauta a questão do reajuste aos servidores púbicos, previsto na PEC de auxílio financeiro emergencial a Estados e municípios.

E os sinais vindos do encontro indicaram que há um alinhamento entre o governo federal e as lideranças estaduais no sentido de vetar o aumento, o que foi comemorado pelo mercado por manter o ajuste fiscal minimamente nos trilhos. Com o apoio, Bolsonaro disse que irá liberar o auxílio até amanhã.

Além disso, a presença dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, também contribuiu para diminuir a percepção de tensão política em Brasília — ambos assumiram discursos conciliadores após a reunião.

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No fim da tarde, o ministério da Economia fez uma apresentação para detalhar as medidas de suporte aos Estados e municípios, citando um repasse de R$ 125,8 bilhões — desse montante, R$ 60,15 bilhões dizem respeito às transferências diretas da União, conforme o projeto aprovado pelo Congresso.

Assim, os investidores puderam tirar alguns riscos do radar: ao que tudo indica, o reajuste aos servidores será vetado, o que ajudará a preservar as contas do governo e dará maior respaldo ao ministro da Economia, Paulo Guedes, que vinha sofrendo com uma perda de prestígio no governo — parte do mercado temia, inclusive, sua saída da administração Bolsonaro.

Alívio do BC

O dólar ainda contou com uma ajuda extra nesta quinta-feira: as recentes declarações do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, no sentido de reduzir as apostas contra o real.

Ontem, Campos Neto participou de uma live promovida pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) e, entre outros pontos, afirmou que a autoridade monetária continuará atuando no câmbio, podendo até mesmo aumentar a atuação se necessário.

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A declaração foi entendida pelo mercado como um sinal de que o BC não vê como adequada a escalada do dólar à vista — na semana passada, a divisa chegou a encostar nos R$ 6,00 — e provocou mais uma onda de alívio à cotação da moeda.

[captacao]

EUA x China

No front externo, os agentes financeiros mostraram-se cautelosos em relação às novas farpas trocadas entre EUA e China, que têm discutido a respeito de uma eventual 'responsabilidade' pela pandemia do coronavírus — e têm sinalizado a adoção de novas sobretaxas de importação, como 'moeda de troca'.

O clima azedou de vez a partir de um tuíte do presidente dos EUA, Donald Trump, usando palavras duras contra o governo de Pequim:

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"Algum maluco na China divulgou um comunicado culpando a todos, exceto a China, pelo vírus que já matou centenas de pessoas. Por favor, expliquem a esse idiota que foi a 'incompetência da China', e nada mais, que causou essa matança global", escreveu Trump.

O tom mais agressivo usado pelo presidente americano elevou a percepção de que um reaquecimento da guerra comercial entre EUA e China está prestes a acontecer — e, considerando o atual estado recessivo da economia mundial, o mercado preferiu adotar uma postura mais cautelosa lá fora.

Juros em baixa

O mercado de juros futuros passou por ajustes negativos nesta quinta-feira, acompanhando o movimento do dólar e também repercutindo as declarações de Campos Neto. Os movimentos dos DIs, contudo, foram relativamente amenos, sem indicar uma grande mudança de postura dos investidores quanto às perspectivas para a Selic:

  • Janeiro/2021: de 2,54% para 2,49%;
  • Janeiro/2022: de 3,45% para 3,36%;
  • Janeiro/2023: de 4,59% para 4,49%.

Top 5

Confira abaixo as cinco ações de melhor desempenho do Ibovespa nesta quinta-feira:

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CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
CCRO3CCR ON14,18+11,65%
CYRE3Cyrela ON15,54+11,00%
ECOR3Ecorodovias ON12,29+9,83%
BPAC11BTG Pactual units47,00+9,38%
HGTX3Cia Hering ON14,19+8,40%

Veja também as cinco maiores baixas do índice:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
IRBR3IRB ON7,05-7,36%
SUZB3Suzano ON38,48-4,40%
MRFG3Marfrig ON12,51-4,21%
KLBN11Klabin units19,07-3,93%
BEEF3Minerva ON12,68-3,65%
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