Guedes truca, investidores reagem mal, bolsa cai e dólar sobe
Analistas de mercado avaliam que Guedes apostou alto demais ao acusar o que ele mesmo qualificou como 'debandada' em sua pasta

O Ibovespa fechou em leve queda e o dólar subiu – ambos na contramão dos mercados internacionais – em uma sessão que desandou antes mesmo de começar.
Analistas de mercado avaliam que o ministro da Economia, Paulo Guedes, apostou alto demais ao acusar o que ele mesmo qualificou como uma “debandada” em sua pasta.
Na reta final do pregão, o Ibovespa por pouco não apagou a queda diante da expectativa de que o presidente Jair Bolsonaro sairá publicamente em defesa da agenda de Guedes. Ainda assim, o mercado de ações fechou no vermelho.
Alguns compararam a fala de Guedes a um “all in”, quando se aposta tudo no pôquer. Outros usaram como figura de linguagem o bom e velho truco. E, ao dar publicidade à saída de dois de seus mais importantes secretários em tom alarmista, talvez o ministro tenha amplificado uma notícia que, sob outras circunstâncias, teria impacto pontual sobre os mercados financeiros.
O Ibovespa até iniciou o pregão desta quarta-feira em alta na esteira da possibilidade de um acordo para um pacote de estímulo econômico nos Estados Unidos.
[captacao]
Leia Também
Também nos EUA, a notícia de que o governo norte-americano alcançou um acordo com a Moderna para a compra de milhões de doses de uma futura vacina contra a covid-19 levou os índices em Nova York a abrirem em alta, o que repercutiu imediatamente no Ibovespa.
Com o passar das horas, porém, a perspectiva de deterioração do cenário fiscal começou a falar mais alto. A partir do início da tarde, mesmo com a forte alta em Wall Street, o cenário pesado em Brasília prevaleceu sobre o humor dos investidores e o mercado brasileiro de ações passou a cair.
O peso da "debandada"
A equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, sofreu duas importantes baixas na noite de terça-feira (11). Pediram demissão o secretário especial de Desestatização e Privatização, Salim Mattar, e o secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Paulo Uebel.
Mattar tocava um eixo considerado importante pelos agentes do mercado financeiro, enquanto Uebel defendia a realização de uma reforma administrativa ainda neste ano.
Sob a alegação de motivos pessoais, também deixou o governo o diretor do programa de desburocratização, José Ziebarth.
Com isso, já são seis as baixas registradas na equipe econômica de Guedes no decorrer das últimas semanas. Em julho, Mansueto Almeida deixou o Tesouro Nacional, Caio Megale saiu da diretoria de programas da Secretaria Especial da Fazenda e foi anunciado que Rubem Novaes deixará a presidência do Banco do Brasil.
O próprio ministro referiu-se às demissões como "debandada".
O fato é que a agenda liberal de Guedes vem perdendo espaço no governo Jair Bolsonaro desde o início da pandemia por iniciativa de uma ala ligada ao presidente que deseja deixar a parte das despesas com obras e investimentos fora do teto de gastos.
Essa mesma ala cita ainda popularidade que Bolsonaro poderia reaver entre a parcela mais pobre da população se estender os pagamentos aos desempregados atingidos pela pandemia. Mas o fato é que o Brasil é um dos poucos lugares do mundo onde o controle de gastos em tempos de pandemia é visto como um debate sério.
“Guedes não poupou críticas a alas do governo que intensificam debates sobre furar o teto dos gastos”, avaliou Jefferson Lima, analista da CM Capital Markets. “O risco de Bolsonaro topar a ideia para impulsionar sua popularidade ganha força e Guedes deu sua última cartada”, prosseguiu Lima, comparando a jogada a um “all in”.
Ainda na avaliação de Lima, “a crise na pasta da economia potencializa o risco fiscal”.
E enquanto alguns analistas aventavam temores com uma possível saída do próprio Guedes e outros observavam uma pressão do ministro para usar a "debandada" a favor de sua agenda junto a Bolsonaro, o Ibovespa seguia na contramão dos mercados financeiros internacionais. No auge da queda, o índice chegou a recuar mais de 1%.
A notícia pesou principalmente sobre ações de empresas estatais incluídas nos planos de privatização do governo, em especial a Eletrobras, cujos papéis ON e PN (ELET3 E ELET6) recuaram mais de 3%.
Nos minutos finais da sessão, entretanto, a notícia de que Bolsonaro faria uma declaração à imprensa no Palácio da Alvorada levou o mercado de ações a se recuperar e fechar em queda de apenas 0,06%, aos 102.117,79 pontos.
Em Nova York, o índice Dow Jones subiu 1,05%, o Nasdaq avançou 2,13% e o S&P 500 fechou em alta de 1,40%.
Confira a seguir as maiores altas e baixas do Ibovespa na sessão de hoje.
MAIORES ALTAS
Marfrig ON (MRFG3) +4,77%
JBS ON (JBSS3) +2,57%
Klabin Unit (KLBN11) +2,38%
Vale ON (VALE3) +2,02%
Usiminas PN (USIM5) +1,89%
MAIORES QUEDAS
Hering ON (HGTX3) -5,95%
BR Malls ON (BRML3) -3,99%
Gol PN (GOLL4) -3,85%
SulAmérica Unit (SULA11) -3,53%
IRB Brasil ON (IRBR3) -3,45%
Dólar e juro
No mercado de câmbio, enquanto caía ante outras moedas, o dólar fechou em alta ante o real repercutindo a notícia da "debandada" no governo em meio a temores de aprofundamento da crise fiscal agravada pela pandemia.
Durante a tarde, um segundo leilão de 10 mil contratos de swap cambial no valor de US$ 500 milhões atenuou um pouco a apreciação do dólar. Mesmo assim, a moeda norte-americana fechou em alta de 0,66%, a R$ 5,4512.
Enquanto isso, os contratos de juros futuros fecharam em alta, especialmente nos vencimentos mais longos, acompanhando a alta do dólar.
Confira as taxas negociadas de alguns dos principais contratos negociados na B3:
- Janeiro/2021: de 1,870% para 1,875%;
- Janeiro/2022: de 2,680% para 2,770%;
- Janeiro/2023: de 3,820% para 3,950%;
- Janeiro/2025: de 5,570% para 5,710%.
SEM FOLGA EM NOVA YORK
Nasdaq leva uma queda e puxa S&P 500 para o vermelho; confira o que movimentou os mercados lá fora
12 de outubro de 2026 - 17:10HORA DE COMPRAR?
Flávio Bolsonaro eleito? Expectativa após 1° turno derruba dólar abaixo dos R$ 5 e coloca estas 4 ações no radar dos bancões
12 de outubro de 2026 - 13:01AÇÕES
5 ações para buscar ganhos na bolsa e superar o Ibovespa nesta semana, segundo Terra Investimentos
11 de outubro de 2026 - 11:00AÇÕES SE DESTACARAM
Ibovespa bate recorde após eleições e sobe 8,82% na semana; veja quem ganhou e quem perdeu
10 de outubro de 2026 - 11:25VISÃO DO GESTOR
Fundo Verde, de Stuhlberger, vê espaço para novo rali da bolsa com o ‘trade Flávio’ — mas faz alerta para risco lá fora
9 de outubro de 2026 - 17:15OPORTUNIDADE NO RADAR
A janela dos fundos imobiliários está fechando, e o BTG Pactual revela os FIIs para surfar a onda enquanto há tempo
9 de outubro de 2026 - 16:35UM OLHO NA URNA E OUTRO NA BOLSA
Ibovespa renova máxima no dia e dólar cai abaixo de R$ 5, mas IPCA lembra: a conta dos juros ainda não fechou
9 de outubro de 2026 - 12:43RADAR DE FIIS
BTLG11 quer levantar até R$ 1,2 bilhão com nova emissão de cotas; veja quem pode participar
8 de outubro de 2026 - 10:47MERCADOS
A explosão da renda fixa nos EUA: Treasury de dez anos bate máxima em 24 anos, ações caem e Ibovespa acompanha
7 de outubro de 2026 - 17:57MUDANÇAS NA CARTEIRA
Os juros vão cair? Estes são os FIIs que os analistas indicam para aproveitar a virada da Selic
7 de outubro de 2026 - 6:03EM REFORMULAÇÃO
TRBL11 quer deixar Braskem e Correios para trás? FII abre terreno para uma nova estratégia; entenda o que está em jogo
6 de outubro de 2026 - 18:01ONDE INVESTIR APÓS O RALI
Nem todas surfaram o ‘trade Flávio’: Rede D’Or (RDOR3) e outras 5 ações são as favoritas para juros menores
6 de outubro de 2026 - 13:08TRADE ELEITORAL
Flávio Bolsonaro pode levar o Ibovespa aos 250 mil pontos? Morgan Stanley indica quais ações investir em cada cenário de 2º turno
5 de outubro de 2026 - 19:20DO NEUTRO À COMPRA
O efeito Flávio Bolsonaro na bolsa: JP Morgan vira a mão com Brasil após 1º turno das eleições — e vê alta de até 20%
5 de outubro de 2026 - 15:21ELEIÇÕES 2026
Flávio Bolsonaro à frente de Lula deve gerar alta de até 45% no Ibovespa e beneficiar estas ações, segundo BTG e Citi
5 de outubro de 2026 - 14:39MERCADOS
Ibovespa dispara 7,7% e supera 206 mil pontos na máxima histórica após vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula
5 de outubro de 2026 - 10:39NOVO RECORDE
Petrobras (PETR4) supera R$ 700 bilhões em valor de mercado, o maior da história. O que impulsionou a ação?
3 de outubro de 2026 - 15:15BOM HUMOR NA BOLSA
Às vésperas das eleições, só 8 ações do Ibovespa caíram na semana. Hapvida (HAPV3) e outras 6 têm alta de dois dígitos
3 de outubro de 2026 - 11:45MAIS OTIMISMO COM O PAPEL
Bank of America vê potencial de alta de 64% para a JBS (JBSS32) e calcula a renda extra para o investidor
2 de outubro de 2026 - 19:32TOUROS E URSOS #290