Passada a ressaca, Ibovespa fecha em alta e dólar cai com alívio na cena externa
Liquidez abundante foi apontada como motivo principal para que investidores ignorassem temores relacionados com paralisação dos testes com vacina da AstraZeneca

O antiácido receitado para a ressaca observada ontem nos mercados financeiros fez o efeito desejado e os investidores viveram nesta quarta-feira um dia de alívio para os ativos de risco.
O Ibovespa operou em alta do início ao fim da sessão desta quarta-feira. Desde o princípio, os movimentos apontavam para uma recuperação pelo menos moderada dos preços dos ativos negociados na B3 diante da retomada do apetite por risco no exterior.
Enquanto as bolsas asiáticas repercutiram hoje a queda registrada ontem em Wall Street, os mercados de ações da Europa fecharam em alta consistente em meio à expectativa com a decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), amanhã, e à recuperação dos papéis do setor de tecnologia.
Em Nova York, depois de três sessões seguidas de queda, os principais índices da bolsa norte-americana recuperaram um pouco de terreno nesta quarta-feira. O índice Dow Jones avançou 1,60%, o S&P-500 subiu 2,01% e o Nasdaq fechou em alta de 2,71%.
Na B3, o Ibovespa ensaiou um avanço robusto na abertura, mas passou a andar em linha com o índice Dow Jones assim que o pregão teve início em Nova York.
Leia Também
Posteriormente, a alta se acelerou em Wall Street, mas sem uma maior repercussão no principal índice brasileiro de ações. Depois de muitas idas e vindas, o Ibovespa rompeu definitivamente a resistência na marca de 101 mil pontos apenas na reta final do pregão, fechando em alta de 1,24%, aos 101.292,05 pontos.
Liquidez abundante sustenta apetite por risco
A grande liquidez despejada pelos bancos centrais no decorrer dos últimos meses foi apontada como motivo principal para que os investidores ignorarem hoje os temores relacionados com a paralisação dos testes com a vacina contra o novo coronavírus produzida pela AstraZeneca e retomarem o apetite por risco. Os testes foram paralisados depois do surgimento de suspeita de efeitos colaterais em um dos participantes da pesquisa.
“A dificuldade em se promover uma correção mais profunda dos ativos vem necessariamente da contínua e forte liquidez promovida por bancos centrais, em especial o Fed”, observa Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset.
“Neste contexto, os investidores ignoram as decepcionantes notícias sobre a vacina contra a covid-19, a necessidade de correção dos valores diversas ações do mercado e se mantêm numa postura no mínimo propensa à volatilidade”, prossegue ele.
No caso brasileiro, uma atípica situação de taxa de juro real ex-post negativa reforça a percepção de que essa liquidez abundante ainda se manterá por um bom tempo, garantindo fôlego à busca por mais risco nos mercados financeiros.
Confira a seguir as maiores altas e quedas do dia entre os componentes do Ibovespa.
MAIORES ALTAS
- Usiminas PN (USIM5) + 6,36%
- CSN ON (CSNA3) +4,98%
- Gerdau Metalúrgica PN (GOAU4) +4,93%
- BTG Pactual Unit (BPAC11) +4,46%
- Cemig PN (CMIG4) +4,38%
MAIORES BAIXAS
- Cogna ON (COGN3) -4,07%
- IRB Brasil ON (IRBR3) -3,12%
- Gol PN (GOLL4) 2-,70%
- Yduqs ON (YDUQ3) -2,64%
- Embraer ON (EMBR3) -2,31%
Inflação avança em agosto, mas dentro do esperado
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,24% em agosto na comparação com julho, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Analistas esperavam um avanço de 0,25% da inflação em agosto na comparação mensal. Embora o índice tenha desacelerado em relação a julho (+0,36%), o IPCA de agosto foi o mais alto para o mês desde 2016.
Pesaram mais no bolso do consumidor a gasolina, que subiu pelo terceiro mês seguido, e os alimentos (+0,78%). Para as famílias de menor renda, o impacto é ainda maior.
Dólar e juro
O dólar fechou em queda com o real acompanhando a recuperação dos ativos locais. A moeda norte-americana também perdeu terreno ante divisas de outros países emergentes e de exportadores de commodities ao longo dia.
Frente ao real, o dólar fechou em queda de 1,25%, cotado a R$ 5,2982.
Os contratos de juros futuros acompanharam a queda do dólar ao mesmo tempo em que refletiram a percepção de que os dados mais recentes de inflação apontam para o fim do ciclo de cortes na taxa Selic pelo Banco Central.
O economista-chefe da Necton Corretora, André Perfeito, aponta para a situação de juro real negativo no Brasil, calculado a partir da subtração da inflação de 2,44% no acumulado de 12 meses até agosto sobre uma taxa Selic de 2% ao ano.
"Temos desta forma uma taxa de juros real de -0,44% ex-post. Isto somado aos ruídos da agenda de reformas sugere que não teremos de fato corte da Selic na reunião que acontecerá entre os dias 15 e 16 de setembro", comenta Perfeito.
Confira as taxas negociadas de alguns dos principais contratos negociados na B3:
- Janeiro/2022: de 2,830% para 2,790%;
- Janeiro/2023: de 4,040% para 4,000%;
- Janeiro/2025: de 5,840% para 5,790%;
- Janeiro/2027: de 6,790% para 6,740%.
MESMO QUE 'DÊ RUIM'
Faça chuva ou faça sol nas urnas: JP Morgan seleciona ações que podem ganhar com o melhor ou o pior resultado eleitoral
30 de setembro de 2026 - 13:05TAG SUMMIT
Não tem tempo ruim para a infraestrutura: as empresas preferidas da Perfin para atravessar crises e juros altos
29 de setembro de 2026 - 17:53PRÊMIO DE RISCO
Dólar a R$ 4,80? As pistas que as últimas eleições na América Latina dão para o desempenho do real
28 de setembro de 2026 - 18:45VISÃO DO GESTOR
“Não se ganha dinheiro comprando o que é popular”: onde a Inter Asset está vendo pechinchas na bolsa brasileira
27 de setembro de 2026 - 12:01INTER INVEST SUMMIT
Ações “órfãs” na bolsa, juros altos e uma armadilha no crédito: onde investir em 2027, segundo especialistas
26 de setembro de 2026 - 18:08RALI NA B3
Ibovespa a 207 mil pontos? Especialista do Inter diz o que pode destravar a bolsa brasileira após as eleições
25 de setembro de 2026 - 16:40ALÉM DA BOLSA
Os fundos imobiliários cetipados vieram para ficar? Entenda por que eles estão em alta e o que você precisa saber antes de investir
25 de setembro de 2026 - 15:54SETOR DE AUTOPEÇAS
JP Morgan pisa no freio e rebaixa Frasle (FRAS3) para venda. Analistas preferem outras 3 ações que podem saltar até 69%
25 de setembro de 2026 - 13:18MAIS AQUISIÇÕES
TRXF11 enche o carrinho de novo e paga R$ 2,83 bilhões, mas FII cai na bolsa; veja o que entra no portfólio
24 de setembro de 2026 - 13:02O OUTRO LADO DA MOEDA
R$ 4,50 ou R$ 5,80? O gatilho que vai definir o preço do dólar depois das eleições
23 de setembro de 2026 - 18:33RADAR DE FIIS
Fundo imobiliário leva calote de inquilino em recuperação judicial; entenda o impacto no bolso dos cotistas
23 de setembro de 2026 - 13:01SD ENTREVISTA
Tubarões saem e varejo entra: sinal de alerta para os FIIs? LAREAL revela o que os institucionais estão vendo
23 de setembro de 2026 - 6:01AS MAIS SAUDÁVEIS
Dasa (DASA3) é compra para o UBS BB, mas banco revela outras 2 favoritas — uma delas para dividendos
22 de setembro de 2026 - 19:50EM DESACELERAÇÃO
FIIs de shoppings sob pressão: é hora de separar o joio do trigo — e o BTG Pactual já escolheu os ativos favoritos
21 de setembro de 2026 - 20:01EM ESPERA...
Nubank, BTG Pactual e Banco do Brasil: os gringos já escolheram onde investir, agora só falta o gatilho certo para apertar compra
21 de setembro de 2026 - 17:19DIRETO PELA B3
IA, Ibovespa e até farmacêuticas gringas: Itaú BBA diz como investir em 800 ações com retorno de 23% ao ano sem dor de cabeça
18 de setembro de 2026 - 19:20EM TOM DE CAUTELA
Lula turbina Bolsa Família em 15% e faz o Ibovespa perder 3 mil pontos. Por que o mercado torceu o nariz?
17 de setembro de 2026 - 13:00DEU RUIM
Ação da Marcopolo (POMO4) despenca 26% no ano e XP rebaixou para neutra; mas há 2 fatores que podem impulsionar a ação
17 de setembro de 2026 - 12:46ONDE APOSTAR NA BOLSA
Lula ou Flávio? Você não deve esperar as eleições para se posicionar nestas ações, segundo a Kinea
17 de setembro de 2026 - 9:01VISÃO DO GESTOR