Uma dose de otimismo, outra de cautela: Ibovespa perde força e fecha estável, acompanhando Wall Street
Dados mais fortes que o esperado no mercado de trabalho dos EUA pelo segundo mês consecutivo injetaram confiança nos investidores durante a manhã. Mas, considerando que Wall Street estará fechada nesta sexta, um tom mais prudente tomou conta do Ibovespa e das bolsas americanas

O Ibovespa abriu o pregão desta quinta-feira (2) com força total: poucos minutos após a abertura, já subia mais de 1,5% e voltava aos 97 mil pontos. E não à toa, já que tanto as praças da Europa quanto os futuros dos mercados americanos operavam em alta firme.
A manhã, afinal, era de bom humor generalizado: os investidores comemoraram a nova surpresa com os dados do mercado de trabalho nos EUA — pelo segundo mês consecutivo, o payroll veio mais forte que o esperado, sinalizando uma recuperação da economia americana.
No câmbio, a manhã também era tranquila, com o dólar à vista chegando a bater os R$ 5,2669 (-0,96%) na mínima — a primeira vez em mais de uma semana que a moeda americana ficou abaixo dos R$ 5,30.
- Eu gravei um vídeo para falar um pouco mais sobre a dinâmica por trás dos mercados nesta quinta-feira. Veja abaixo:
Essa animação toda, contudo, não se sustentou ao longo do dia. O Ibovespa, veja só, fechou praticamente estável, em ligeira alta de 0,03%, aos 96.234,96 pontos — Wall Street também ficou longe das máximas, com o Dow Jones (+0,36%), o S&P 500 (+0,45%) e o Nasdaq (+0,52%) tendo ganhos moderados.
E, no câmbio, o dólar à vista não conseguiu se sustentar abaixo da linha de R$ 5,30: ganhou força ao longo da tarde e, ao fim do dia, estava cotado a R$ 5,3472, em alta de 0,55%.
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O que aconteceu? Bem, a sessão desta quinta-feira foi, de certa maneira, atípica: os dados do mercado de trabalho americano costumam sair apenas às sextas-feiras — e o motivo que provocou essa antecipação foi o mesmo que desencadeou uma onda de cautela durante a tarde.
Recuperação antecipada?
Grande parte do otimismo visto lá fora durante a manhã estava relacionado com o relatório do mercado de trabalho nos EUA em junho: foram criados 4,77 milhões de empregos no país — as estimativas dos analistas eram mais modestas, indicando numa abertura de 3,5 milhões a 4 milhões de novos postos.
Foi o segundo mês consecutivo em que o mercado de trabalho americano surpreendeu os investidores: em maio, quando boa parte dos agentes financeiros acreditava que seriam fechadas milhões de vagas no país, foram abertos 2,5 milhões de novos postos.
Com isso, ganhou força a leitura de que uma recuperação econômica está em curso nos EUA, o que, em última instância, pode dar força à atividade global e permitir uma retomada já no segundo semestre de 2020. E tal interpretação se sobrepôs à cautela gerada pelo aumento nos casos de coronavírus, ao menos para os mercados financeiros.
Do lado da taxa de desemprego, também houve uma tendência de melhora: o indicador caiu de 13,3% em maio para 11,1% em junho — nível ainda elevado, mas que indica uma trajetória favorável.
E, além dos dados do mercado de trabalho, os investidores mostraram otimismo em relação aos avanços no tratamento para a Covid-19: a Pfizer, em parceria com a BioNTech, anunciou resultados positivos com a sua versão da vacina para a doença.
[captacao]
Tinha um feriado no meio do caminho
Apesar disso tudo, o fato de as bolsas americanas estarem fechadas amanhã, em comemoração ao feriado do dia da Independência dos EUA, aumentou a prudência entre os investidores.
É comum que, às vésperas de uma parada prolongada, muitos agentes financeiros optem por diminuir a exposição ao risco, receosos quanto a algum acontecimento inesperado durante os dias de mercado parado.
Assim, por mais que os dados do mercado de trabalho dos EUA tenham sido encorajadores, a cautela acabou pesando: é melhor adotar uma postura mais prudente agora e evitar surpresas desagradáveis no retorno das operações — pensamento que reduziu os ganhos em Wall Street e afetou o desempenho do Ibovespa por tabela.
Indústria se recupera
No Brasil, destaque para o crescimento de 7% reportado na produção industrial em maio, dado que também serve para animar as operações. Naturalmente, esse crescimento vem após uma queda brusca em abril e março, mas, ao menos, ele mostra uma interrupção na tendência de desaquecimento do setor.
Mas, assim como nos EUA, também tivemos focos de preocupação ao longo da tarde por aqui. Declarações do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmando que os riscos aos países emergentes aumentaram durante a crise do coronavírus — o que pode atrasar o processo de recuperação — provocaram uma piora no humor dos investidores.
Tanto é que as curvas de juros de médio e longo prazo ganharam força na reta final da sessão e fecharam em alta, após passarem o dia perto da estabilidade — os DIs curtos continuaram praticamente inalterados:
- Janeiro/2021: estável em 2,06% ;
- Janeiro/2022: de 2,89% para 2,91%;
- Janeiro/2023: de 3,96% para 3,98%;
- Janeiro/2025: de 5,61% para 5,63%.
Top 5
Veja abaixo as cinco ações de melhor desempenho do Ibovespa nesta quinta-feira:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| BPAC11 | BTG Pactual units | 79,00 | +3,27% |
| CSNA3 | CSN ON | 10,86 | +2,55% |
| GOAU4 | Metalúrgica Gerdau PN | 7,23 | +2,26% |
| JBSS3 | JBS ON | 21,30 | +1,96% |
| GGBR4 | Gerdau PN | 15,78 | +1,94% |
Confira também as maiores baixas do índice:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| IRBR3 | IRB ON | 8,96 | -12,24% |
| LAME4 | Lojas Americanas PN | 31,20 | -4,27% |
| GNDI3 | Intermédica ON | 65,50 | -4,07% |
| VVAR3 | Via Varejo ON | 15,39 | -3,75% |
| BTOW3 | B2W ON | 107,93 | -3,65% |
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