Menu
2020-12-28T14:05:24-03:00
Estadão Conteúdo
Entrevista

Investidor pessoa física surpreendeu na crise, diz presidente da B3

As pessoas físicas viram na queda da Bolsa uma oportunidade de entrada, e não de retirada de seus investimentos, disse o presidente da B3, Gilson Finkelsztain

28 de dezembro de 2020
14:03 - atualizado às 14:05
Gilson Finkelsztain, presidente da B3, em cerimônia na sede da bolsa
Gilson Finkelsztain, presidente da B3 - Imagem: Vinícius Pinheiro/Seu Dinheiro

O juro baixo trouxe uma revolução para o mercado de capitais brasileiro em 2020, a despeito do baque econômico que veio com a pandemia. Um dos efeitos mais evidentes foi o crescimento do número de investidores pessoa física, que dobrou. Hoje são 3,2 milhões, que possuem R$ 424 bilhões investidos em ações. A tendência segue de crescimento.

Leia também:

Para o presidente da B3, Gilson Finkelsztain, essa foi a grande surpresa positiva em meio à pandemia. "As pessoas físicas viram na queda da Bolsa (no início da pandemia) uma oportunidade de entrada, e não de retirada de seus investimentos", afirma.

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:

Apesar da pandemia, de um ano de volatilidade e economia fragilizada, a bolsa brasileira bateu recorde de ofertas. O que explica?

Todo mundo esperava um ano positivo no início do ano, mas ninguém esperava essa trajetória. Eu credito esse movimento, sem dúvida, ao juro baixo. O atual patamar da Selic, definitivamente, faz as pessoas repensarem seus investimentos. Os brasileiros estavam muito acostumados ao juro de 1% ao mês, algo que era totalmente fora do normal e alijado da realidade do mundo. Esse foi o grande catalisador. Essa agora é uma tendência sem volta.

Algum outro fator?

Fora isso, tivemos o tema tecnologia, que está facilitando o investimento. Finalmente o segmento de distribuição está tomando uma certa forma. Está ficando claro que vai haver os vitoriosos desse cenário de consolidação do sistema de distribuição independente, algo capitaneado pela XP, principalmente, mas com o BTG também ganhando corpo. Esse movimento fez com que os grandes bancos também revisassem a sua forma de trabalhar. E ainda tem uma nova geração que está estudando mais investimento. Mas o que tirou o mercado da inércia foram os juros e o resto ajudou. Essa agora é uma tendência sem volta.

O número de pessoas físicas na Bolsa cresceu em todos os meses, apesar da crise. Esse comportamento era esperado?

Acho que talvez essa tenha sido a maior surpresa positiva nesse período. Estamos no início do processo de diversificação e de educação financeira, e acho que isso também ajudou no comportamento das pessoas físicas, que viram na queda da Bolsa uma oportunidade de entrada, e não de retirada de seus investimentos (após a forte queda do preço das ações no início da pandemia). As pessoas físicas colocaram mais de R$ 80 bilhões diretamente em ações. O volume e a velocidade dos investimentos foram a maior surpresa no meio da crise.

A Bolsa está se tornando mais democrática para empresas menores conseguirem fazer suas captações?

Definitivamente sim. Durante muito tempo se questionou sobre o porquê de as empresas médias não abrirem capital. Mas a verdade é uma só: sempre houve bons casos e boas empresas. Oferta sempre teve, mas não se tinha demanda. Não tinha demanda porque os fundos de ações não recebiam recursos e as pessoas físicas não compravam ações. O problema para as empresas médias abrirem capital no Brasil era a falta de demanda por conta de juro alto. O que vimos nesse ano foi empresas fazendo IPO de R$ 200 milhões a R$ 12 bilhões. Isso veio para quebrar paradigmas. Fora isso, também tivemos maior diversidade regional das empresas que abriram capital.

E qual é o principal risco para interromper esse crescimento do mercado?

A normalização dos juros deve ser ao redor de inflação mais 1 ponto, de 4% a 5%. Se for esse o patamar, com retomada de crescimento, continua sendo muito positivo e não vejo motivo para isso frear o desenvolvimento do mercado de capitais no ano que vem. O mercado se preocupa não é nem se teremos uma pauta arrasadora de reformas, mas se será preservada a responsabilidade fiscal, teto de gastos e equilíbrio fiscal. Na minha visão, se tiver uma combinação de equilíbrio fiscal com uma pequena agenda de reformas, que preserve teto de gastos e, principalmente, focada em concessões e privatizações, já será o suficiente para termos um ano muito bom. O maior risco é uma agenda que não garanta a preservação de inflação e juros baixos.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Que pi… é essa?

Eu decidi sair do banco, mas não queria entrar em uma enrascada. Bem, acredito que eu tenha encontrado um portal para fugir dessa Caverna do Dragão das finanças. E cá estou para explicar essa descoberta.

FII DO MÊS

Os melhores fundos imobiliários para investir em maio, segundo 10 corretoras

O fundo preferido das corretoras no mês está exposto ao segmento de supermercados, hipermercados e atacarejos e engatou duas vitórias consecutivas em nosso ranking

O melhor do Seu Dinheiro

A Pedra Filosofal do mercado financeiro e mais destaques da noite

O minério de ferro converteu-se na pedra filosofal dos mercados: tudo o que toca, vira ouro — como as ações da Vale e das siderúrgicas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Mercado Financeiro e a Pedra Filosofal

De certa maneira, o mercado financeiro está cheio de alquimistas: tentam transformar dinheiro em mais dinheiro. Ações, câmbio, títulos de renda fixa, fundos imobiliários — no fim, o objetivo dos investidores é multiplicar o patrimônio. O problema é que não há fórmula mágica. Nem sempre as poções funcionam; na verdade, é relativamente comum que o […]

FECHAMENTO

Commodities dão força extra e bolsa fecha o dia em alta firme enquanto NY fica no vermelho

Com o exterior negativo, restou ao setor de commodities e energia salvar o Ibovespa da cautela. O dólar à vista aproveitou e teve um dia de leve queda

Oferta de ações

Softbank deve participar do IPO da Dotz, dizem fontes

Mesmo com a participação do fundo japonês e da presença de dois investidores-âncora, a demanda pelas ações da Dotz no IPO ainda está apertada, segundo fontes

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies