Ibovespa fecha no maior nível em 11 meses com alta de bancos, Vale e Ambev, e fica a menos de 2 mil pontos do topo histórico
Principal índice de ações da B3 fecha sessão aos 117.860 pontos, no maior patamar de encerramento desde 24 de janeiro; agora, o índice está a 1.733 pontos da máxima histórica intradiária, de 119.593 pontos

O Ibovespa era um marasmo até por volta das 14h50 desta quarta-feira (16). Um marasmo com viés de baixa, que se diga, por incertezas relacionadas à aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2021 e um certo compasso de espera com a agenda que contava com a decisão do Federal Reserve (banco central americano, o Fed).
Mas, a partir desse horário, o jogo mudou de figura: o principal índice acionário da B3 passou reduzir a sua queda e foi, paulatinamente, intensificando a sustentar alta no período da tarde, uma hora após a aprovação da LDO na Câmara dos Deputados.
O dia prometia volatilidade, com o vencimento de opções sobre o Ibovespa, e assim foi, tanto que o índice abriu a sessão alternando altas e baixas, oscilando perto da estabilidade.
Os papéis de bancos eram alguns dos que recuavam mais cedo, constituindo importante pressão de baixa, mas viraram e acabaram por sustentar a forte alta do Ibovespa.
Blue chips, Ambev ON e Vale ON avançaram e também sustentaram a alta do índice.
No exterior, se as principais bolsas europeias terminaram em altas de no mínimo 0,3%, não foi o caso de Nova York.
Leia Também
Por lá, os agentes financeiros digeriram o comunicado do Fed, que vê as taxas de juros paradas até 2023 e indicou a manutenção da compra de títulos públicos do Tesouro dos EUA e títulos hipotecários ao ritmo atual pelos próximos meses, até que haja avanço na meta de inflação média e de estabilidade dos preços.
Além disso, o cenário político se desanuviou com a perspectiva de que um pacote de estímulos possa enfim sair do papel. Houve desenvolvimentos nas conversas entre democratas e republicanos que chegaram a animar os investidores.
Os líderes do Congresso estavam mais perto de um acordo de cerca de US$ 900 bilhões, que deve incluir outra rodada de pagamentos diretos às famílias, disse o Wall Street Journal.
Com isso, S&P 500 fechou a sessão em leve alta, de 0,2%, enquanto o Dow Jones cedeu 0,15%. O índice de ações de tecnologia Nasdaq avançou 0,5%.
[captacao]
No fim do dia, o Ibovespa, empurrado por bancos, Ambev e Vale, encerrou os negócios com uma alta de fazer inveja, de 1,5%. Foi a maior alta do índice desde 10 de dezembro. Com isso, fechou aos 117.860 pontos, no maior patamar de fechamento desde 24 de janeiro — na ocasião, terminou o dia em 118.380 pontos.
Só neste mês, o Ibovespa acumula ganhos de 8,2%. No ano, possui alta de 1,9%. Agora, o índice está a 1.733 pontos da máxima histórica intradiária, de 119.593 pontos, registrada também em 24 de janeiro.
Quem sobe, quem desce
As ações das companhias de proteína animal, como JBS ON, Minerva ON e Marfrig ON, avançaram no mínimo 3%, em meio a notícias de um novo surto de gripe aviária no Japão, ajudando a puxar o índice.
Os bancos, que têm um grande peso na composição da carteira do Ibovespa, marcaram fortes altas hoje. Bradesco PN e Itaú PN, por exemplo, subiram ao menos 2%.
Enquanto isso, outra gigante, a Vale teve ganhos de 2%, seguindo os ganhos do minério de ferro negociado no porto de Qingdao, na China. Na esteira dos ganhos da commodity, CSN ON subiu 0,8%.
Papel de peso no Ibovespa, Ambev ON avançou 1,7%.
Veja as principais altas do dia:
| CÓDIGO | EMPRESA | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| BRKM5 | Braskem PNA | 22,40 | 5,61% |
| BEEF3 | Minerva ON | 10,29 | 4,26% |
| NTCO3 | Natura ON | 50,90 | 3,88% |
| BTOW3 | B2W ON | 81,49 | 3,84% |
| MRFG3 | Marfrig ON | 14,59 | 3,26% |
Os papéis da Eletrobras, por sua vez, lideraram as quedas do índice, após o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, dizer que o modelo de venda da empresa está "sob suspeição", o que explicaria a demora em sua privatização.
Em vista da declaração de Maia, a Associação de Empregados da Eletrobras pede a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para avaliar o caso.
Confira as principais quedas do Ibovespa:
| CÓDIGO | EMPRESA | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| ELET3 | Eletrobras ON | 37,40 | -3,36% |
| ELET6 | Eletrobras PNB | 37,42 | -2,83% |
| SBSP3 | Sabesp ON | 44,60 | -2,47% |
| YDUQ3 | Yduqs ON | 33,75 | -2,17% |
| GOLL4 | Gol PN | 26,68 | -1,22% |
Dólar e juros sobem
O dólar avançou mesmo após o andamento da votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias. Ainda assim, terminou a sessão distante das máximas intradiárias. A moeda americana fechou em alta de 0,3%, cotada a R$ 5,1062.
Nova intervenção do Banco Central (BC), que ofereceu US$ 800 milhões em uma operação de swap (venda de dólar no mercado futuro), ajudou a manter a divisa acomodada, registrando apenas um leve ganho.
Hoje foi dia de definição do orçamento na Câmara. O texto-base da LDO foi aprovado por 444 votos a 10. Deputados também rejeitaram destaque que previa crédito extra para comprar vacinas.
A proposta prevê como meta fiscal no próximo ano um déficit primário (resultado das receitas menos despesas antes do pagamento de juros) de R$ 247,1 bilhões e a correção do salário mínimo em janeiro dos atuais R$ 1.045 para R$ 1.088.
Falas de Maia sobre os ministro da Economia, Paulo Guedes, e da Saúde, Eduardo Pazuello, também voltaram ao radar e deixaram investidores um pouco aflitos sobre as relações entre governo e Congresso.
[captacao]
O deputado, que está de saída da presidência da Casa, disse que Guedes está enfraquecido no cargo e que Pazuello "é um desastre para o País e para o governo".
"Teve muita coisa junta no dia, LDO, Fed, fala do Maia, incerteza sobre quando começa a vacinação, mas eu te diria que o dólar está bem comportado", afirmou Cleber Alessie, operador de câmbio da Commcor. "A tendência recente da moeda é de queda, o que vemos hoje é um ajuste, o real é uma moeda líquida com que os investidores especulam normalmente."
Apesar do avanço de hoje, no mês o dólar ainda cai 4,5% e prossegue nos níveis mais baixos vistos desde junho, o que também leva os investidores a realizarem alguns lucros de curtíssimo prazo com a moeda brasileira.
Frente a outras divisas emergentes, o dólar registrou queda — caindo em relação ao peso mexicano, ao rublo russo e ao rand sul-africano.
Enquanto isso, os juros intermediários e longos subiram fortemente, devolvendo os alívios vistos ontem, quando a sinalização de que o BC não elevará a Selic no curto prazo, um leilão do Tesouro de títulos atrelados à inflação e a definição de meta fiscal fixa derrubaram as taxas.
Hoje, os juros futuros ao longo de toda a curva operaram para cima, mesmo após a votação da LDO, refletindo persistentes temores fiscais e a incerteza do avanço da pauta de reformas estruturantes em 2021. Os juros para janeiro/2023 e janeiro/2025 terminaram a 0,05 ponto percentual das suas máximas.
Confira as taxas dos principais vencimentos:
- Janeiro/2021: de 1,902% para 1,904%
- Janeiro/2022: de 2,95% para 2,98%
- Janeiro/2023: de 4,27% para 4,35%
- Janeiro/2025: de 5,83% para 5,93%
FUTURO NEBULOSO
Usiminas (USIM5) tem a maior baixa do Ibovespa com balanço aquém do esperado; o que pesou nos números do 3T26?
30 de outubro de 2026 - 12:40FÓRMULA MILIONÁRIA
De inquilina a dona: Coca-Cola compra imóvel do ALZR11 por R$ 140 milhões; veja ganho por cota
30 de outubro de 2026 - 11:52A CONTA CHEGOU
Casas Bahia (BHIA3) coloca aluguéis em dia, mas FII reduz projeção de dividendos; entenda o porquê
30 de outubro de 2026 - 10:19PESSIMISMO CONTINUA
Ibovespa tem 4º pregão seguido de baixa, com queda de 17% desde a eleição; em NY, dia também foi tingido de vermelho
29 de outubro de 2026 - 18:17Conteúdo Empiricus
Enquanto muitos investidores focam nos dividendos, este mercado bilionário bate recordes de crescimento na B3 em 2026
29 de outubro de 2026 - 14:00DE OLHO NO GRINGO
Um fundo imobiliário, duas versões: o que falta para os FIIs ‘falarem a língua’ do investidor estrangeiro?
29 de outubro de 2026 - 7:30SANGRIA ESTANCOU?
Vale investir na Bolsa depois da ‘segunda-feira sangrenta’? Estrategista da Monte Bravo diz quais setores olhar, mas tem um ativo preferido
27 de outubro de 2026 - 18:40PECHINCHAS NA BOLSA
Tombo da Bolsa após as eleições abre oportunidades, e Itaú BBA lista 7 ações para incluir na carteira agora
27 de outubro de 2026 - 16:08A RAZÃO DA QUEDA
A derrocada da bolsa: estudo mostra que crises globais estão por trás dos maiores tombos do Ibovespa
26 de outubro de 2026 - 18:15RESSACA ELEITORAL
Fundos imobiliários sentem mudança de humor dos mercados com vitória de Lula e devolvem todo ganho desde o 1º turno
26 de outubro de 2026 - 16:04O QUE VEM POR AÍ
Tombo de 20% do Ibovespa e dólar acima de R$ 5,50 são os novos normais? JP Morgan diz o que o investidor deve esperar
26 de outubro de 2026 - 15:31DA PRIMAVERA AO OUTONO?
Dólar a R$ 6, bolsa em queda de até 30% e juros mais altos: o que Wall Street espera do Brasil após a reeleição de Lula
26 de outubro de 2026 - 13:51SANGRIA NA BOLSA
Ibovespa cai 14%, dólar sobe a R$ 5,40, mas nem todo mundo perdeu — entenda o caos nos mercados
26 de outubro de 2026 - 12:29DEPOIS DA BONANÇA, A TEMPESTADE
Ibovespa em choque: várias ações derretem mais de 40% após virada de Lula no segundo turno, apenas 6 sobem
26 de outubro de 2026 - 12:10BOTÃO DE PÂNICO
‘Circuit breaker’: o que é botão do pânico da bolsa, acionado após a reeleição de Lula
26 de outubro de 2026 - 10:48MODO DEFESA
Salve-se quem puder: Ibovespa pode tombar 17% após reeleição de Lula, avalia BTG; quais ações podem escapar?
26 de outubro de 2026 - 10:17NA CONTRAMÃO
Gavekal, importante casa de análise gringa, recomenda compra de ativos no Brasil após vitória de Lula; ações caem 30% lá fora
26 de outubro de 2026 - 10:01REPORTAGEM ESPECIAL
Lula venceu, e a festa da bolsa pode acabar: o que esperar dos investimentos agora?
25 de outubro de 2026 - 22:48MERCADOS
Petrobras despenca 12%, Vale cai 4% e EWZ tomba 19%: a reação imediata à vitória de Lula — e o que vem por aí
25 de outubro de 2026 - 22:28Conteúdo Empiricus