Menu
Dados da Bolsa por TradingView
2020-12-09T18:38:02-03:00
Felipe Saturnino
Felipe Saturnino
Graduado em Jornalismo pela USP, passou pelas redações de Bloomberg e Estadão.
fechamento dos mercados

Ibovespa tem maior queda em 7 sessões com Nova York no vermelho; dólar sobe para R$ 5,17

Bolsas americanas recuaram de máximas históricas com realização em meio à alta de casos de covid-19 e indefinição sobre estímulos; por aqui, dólar sobe com exterior negativo ao risco e falas de Maia contra o governo federal, enquanto juros sobem

9 de dezembro de 2020
18:37 - atualizado às 18:38
Ibovespa queda bolsa
Imagem: Shutterstock

O Ibovespa registrou nesta quarta-feira (9) a sua maior baixa desde 30 de novembro reagindo à piora no cenário externo em meio ao aumento de casos de coronavírus, que se aproximam de 15 milhões nos Estados Unidos, e monitorando o andamento das conversas para aprovar um pacote de estímulos fiscais nos Estados Unidos, além de um desentendimento político interno.

No país americano, as bolsas americanas recuaram de seus picos históricos e encerraram o dia em quedas firmes, apontando um ímpeto de realização de lucros por parte dos investidores. O Dow Jones marcou a menor baixa, de 0,35%, enquanto S&P 500 perdeu 0,8% e o índice de ações de tecnologia Nasdaq tombou 1,9%.

Os investidores ficam de olho no desenrolar do pacote de estímulos fiscais de US$ 910 bilhões, que ainda não tem um acerto entre democratas e republicanos à vista.

A tendência é de que o Congresso do país aprove um novo pacote de alívio contra o coronavírus para impulsionar a recuperação econômica, na medida em que o aumento das infecções impõe novas medidas de isolamento social e impacta a atividade.

O governo Trump propôs um pacote de US$ 916 bilhões ontem, depois que os democratas rejeitaram uma tentativa do líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, de estreitar o escopo do projeto. No entanto, ainda não há um acordo oficial dos dois lados do Congresso.

No velho mundo, o CAC 40, em Paris, foi o único que fechou em baixa, enquanto FTSE 100 e DAX avançaram. Por lá, os investidores estão cautelosamente otimistas de que o Reino Unido e a União Europeia podem fechar um acordo comercial em breve.

O premiê britânico, Boris Johnson, deve conversar com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante um jantar em Bruxelas — refeição de que depende o Brexit com acordo.

Por aqui, a fala do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que afirmou que, dependendo de como operar, o governo irá aumentar a sua oposição de 130 para 230 deputados, reacendeu a disputa entre Legislativo e Executivo.

Além disso, Maia disse que, sem a PEC Emergencial votada, não há como o governo aprovar o Orçamento de 2021. O deputado falou ainda que se compromete a convocar sessões para apreciar o Orçamento em janeiro se a PEC for aprovada.

No fim do dia, o principal índice acionário da B3 fechou em queda de 0,7%, para 113 mil pontos.

Quem sobe, quem desce

Os principais destaques de alta do Ibovespa ficaram para ações de administradoras de shoppings, como Iguatemi e Multiplan. Os papéis da Vivo foram a maior alta percentual do índice, após o Bradesco BBI elevar o preço-alvo da ação, embora tenha mantida a recomendação neutra.

As maiores pressões de alta ficaram por conta das ações da Petrobras, que subiram ao menos 0,1%, e Itaú PN, que avançou 0,8%.

Veja as principais altas:

CÓDIGOEMPRESAPREÇO (R$)VARIAÇÃO
VIVT3Telefônica Brasil ON             45,302,23%
IGTA3Iguatemi ON             39,212,11%
MULT3Multiplan ON             24,841,43%
ABEV3Ambev ON             15,261,40%
ELET6Eletrobras PNB             36,451,36%

A maior queda do Ibovespa em 7 sessões foi encaminhada pelas baixas das ações do Magazine Luiza, um movimento de realização após os fortes ganhos de ontem do papel. B2W ON e Via Varejo ON também caíram ao menos 2,8%, seguindo o desempenho ruim do Nasdaq.

No geral, não foi um dia positivo para o varejo, já que a ação da Lojas Americanas, controladora da B2W, liderou a baixa do dia.

Ações que recentemente tiveram fortes ganhos na esteira do "rali da vacina", Azul PN, Gol PN e Embraer ON caíram ao menos 1,4% hoje em um cenário de aversão ao risco apontado pela queda em Nova York, expandindo as perdas dos papéis no acumulado do ano.

Confira as maiores quedas do índice:

CÓDIGOEMPRESAPREÇO (R$)VARIAÇÃO
LAME4Lojas Americanas PN             24,34-4,32%
CCRO3CCR ON             13,15-4,29%
USIM5Usiminas PNA             13,26-4,19%
MGLU3Magazine Luiza ON             23,98-3,89%
YDUQ3Yduqs ON             35,22-3,85%

Dólar sobe 0,9% e juros também avançam

O dólar registrou nova alta frente ao real, em uma sessão de fortalecimento global da divisa americana. A moeda subiu 0,9%, cotada a R$ 5,1722 — nesta semana, acumula ganhos de 0,9%, embora no mês ainda caia 3,25% refletindo o ingresso de fluxo de capital estrangeiro.

Diante de rivais fortes no exterior, o dólar também se apreciou, como fica indicado pelo Dollar Index (DXY). O índice, que compara o dólar a uma cesta de moedas fortes como euro, libra e iene, apontou levemente para cima, apesar de ainda estar nos níveis mais baixos desde abril de 2018.

No decorrer do dia, o dólar também virou frente a pares do real brasileiro, tais como peso mexicano e rand sul-africano.

Um ambiente mais impróprio à tomada de risco, ilustrado pelas quedas firmes dos índices acionários à vista nos Estados Unidos, favoreceu a moeda e pesou sobre emergentes.

Do ponto de vista local, as falas de Maia também não foram alvissareiras, já que reacendem um conflito político entre Congresso e Executivo.

Pela manhã, o ministro da Economia, Paulo Guedes, reforçou que o governo está comprometido em não transgredir a meta e que o auxílio emergencial não deve ser prorrogado.

Segundo reportagem da Folha de São Paulo, técnicos da Economia admitem reservadamente a extensão do estado calamidade e Orçamento de Guerra em meio à 2ª onda da covid-19 para elevar gastos públicos.

Os juros futuros dos depósitos interbancários tiveram uma sessão de alta, mais intensa nas taxas de prazos mais longos, à espera do Copom que deve manter a taxa básica parada na mínima histórica pela terceira vez consecutiva, aos 2% ao ano, e que pode fechar a porta para mais cortes de juros. Veja a expectativa de economistas e do mercado para o Copom na matéria do Kaype Abreu.

Os movimentos são de variações positivas de 6 a 8 pontos-base (0,06 a 0,1 ponto percentual) nos juros para janeiro/2023 e janeiro/2025. Juros para janeiro/2022 fecharam com viés de queda.

"O cenário externo deu uma pequena piorada, muito por conta do aumento nos infectados por covid-19 e algumas dúvidas com relação à vacinação", diz Paulo Nepomuceno, analista de renda fixa da Terra Investimentos. "E o real, como tinha melhorado mais do que nossos pares, hoje acabou sendo a pior moeda, mas nada de mais."

Nepomuceno afirma ainda que o mercado fica no aguardo do comunicado do Copom, procurando saber como o Banco Central vai avaliar a alta recente da inflação.

Confira as taxas de fechamento dos principais vencimentos:

  • Janeiro/2021: de 1,908% para 1,912%
  • Janeiro/2022: de 3,04% para 3,03%
  • Janeiro/2023: de 4,40% para 4,46%
  • Janeiro/2025: de 6,03% para 6,11%
Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

App da Pi

Aplique de forma simples, transparente e segura

Entrevista

Um dos maiores gestores de fundos imobiliários do mercado avisa: os shoppings estão baratos e o investidor ainda não percebeu

CEO da HSI, que tem R$ 11 bilhões sob gestão, diz que os shoppings estão começando a apresentar resultados como os de antes da pandemia e vê demanda de residencial alto padrão ainda forte

Casamento legal

Cade mantém aprovação de compra de fatia da BRF (BRFS3) pela Marfrig (MRFG3)

A conselheira que havia pedido a reabertura da análise da operação mudou de posição e desistiu da reavaliação

SEGURADORA EM APUROS

Vítima de ataque cibernético, Porto Seguro (PSSA3) diz ter restabelecido canais após quase uma semana de instabilidade

Corretores ouvidos pela reportagem disseram que, nos últimos dias, os sistemas da seguradora apresentaram problemas

CRYPTO NEWS

Cotação do bitcoin (BTC) bate recorde histórico — o que fazer com a criptomoeda a partir de agora?

Depois de alguns meses sendo um investimento “ruim”, porque teve 50% de queda, o bitcoin volta a ganhar os holofotes do mercado e as manchetes da mídia especializada

SEU DINHEIRO NA SUA NOITE

Auxílio Brasil, recorde do bitcoin, balanço da Tesla e produção da Vale: confira as principais notícias do dia

Com a temporada de balanços americana trazendo resultados animadores, o empurrãozinho em direção a um dia de ganhos poderia ter sido maior, mas não tem como negar que a grande pedra no sapato do investidor brasileiro é o novo programa social pretendido pelo governo federal. O saldo final do pregão de hoje foi positivo, mas […]

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies