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Felipe Saturnino

Felipe Saturnino

Graduado em Jornalismo pela USP, passou pelas redações de Bloomberg e Estadão.

fechamento dos mercados

Ibovespa engata 5ª semana seguida de alta com Petrobras, Vale e aéreas

Índice local de ações não tinha sequência tão longa de ganhos semanais desde dezembro de 2019; dólar mantém trajetória de queda e juros longos se descomprimem de novo

Ibovespa - alta - foguete
Imagem: Shutterstock

O Ibovespa está dando sinais de que quer, e muito, repetir o novembro mágico por que passou recentemente neste último mês do ano.

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O principal índice acionário da bolsa brasileira acumulou alta de 2,9% nesta semana, recuperando um pouco mais do terreno perdido durante a pandemia, puxado por blue chips e ações que sofreram na pele os efeitos do isolamento social, como de empresas aéreas e de viagem e turismo.

O índice local de ações não tinha uma sequência tão longa de ganhos semanais há um ano, desde dezembro de 2019.

A semana trouxe novidades sobre o andamento do desenvolvimento de vacinas contra o coronavírus que animou os investidores, instigando-os a tomarem ainda mais risco. A grande notícia nesse "departamento" sem dúvida veio do Reino Unido, cujo governo autorizou o uso emergencial da vacina da Pfizer, farmacêutica americana.

Ontem, a Pfizer, inclusive, informou que não poderá produzir a totalidade das vacinas que planejava para 2020 após relatar problemas na cadeia de suprimentos.

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Em vez das 100 milhões de doses previstas como meta de produção, a companhia fabricará metade disso neste ano, o que chegou a aparar os ganhos do Ibovespa ontem.

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Hoje, no entanto, os mercados não pareceram se importar com isto e, seja aqui (como foi com o PIB do terceiro trimestre), seja lá fora (como foi com o payroll), se moveram na direção de ganhos firmes, estendendo o rali.

No exterior, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq atingiram máximas históricas de fechamento, repercutindo a perspectiva de que um acordo por estímulos fiscais saia do papel com o acerto de democratas e republicanos.

Mais cedo, o relatório de emprego nos Estados Unidos, o payroll, havia indicado a criação de 245 mil novas vagas de emprego no mercado de trabalho americano, bem abaixo das expectativas de Wall Street, que previam 460 mil postos criados — reforçando a visão de que a recuperação é lenta e é necessário mais suporte financeiro.

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Agora, a negociação em curso é por um pacote de US$ 900 bilhões. A presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, disse que ela e o líder da maioria no Senado, o republicano Mitch McConnell, concordaram durante uma conversa na quinta-feira em tentar combinar um pacote de ajuda com a legislação para manter o governo financiado após 11 de dezembro.

No caso do índice das 500 maiores empresas dos Estados Unidos, os ganhos de hoje foram liderados por ações de energia e financeiras, em meio à continuidade da rotação setorial.

Por aqui, o Ibovespa fechou perto das máximas, em alta de 1,4%, cotado aos 113.750 pontos. Foi o maior nível de fechamento desde 7 de fevereiro, quando o índice terminou a sessão aos 113.770 pontos.

O grande destaque positivo da sessão foram para ações de commodities, como PetroRio e CSN, que dispararam ao menos 8%. Os papéis avançaram na esteira dos ganhos do petróleo — a commodity continuou a subir, após o aumento da produção em 500 mil barris por dia anunciada pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) a partir de janeiro — e do minério de ferro — que fechou hoje subindo 5% na China, atingindo o patamar de US$ 145 a tonelada.

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Destaques semanais

As ações das perdedoras da crise venceram de novo. Empresas aéreas Gol PN e Azul PN tiveram nova semana de ganhos percentuais fortes, disparando ao menos 13% no período. Foi o mesmo caso da CVC, que continua a sua recuperação, em que pese a perda de 50% no ano.

Papéis da Embraer também se valorizaram bastante com a vacina, aparentemente, cada vez mais próxima. Yduqs também avançou.

Ações da Petrobras subiram 8% no período, embaladas pela alta do petróleo do barril tipo Brent e, também, a conclusão da fase de negociação com o Grupo Mubadala no âmbito do processo para desinvestimento da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia.

Apesar de penalizados com o corte na meta de produção de minério de ferro em 2020, os papéis Vale ON avançaram 4,5% na semana com a disparada do minério de ferro no porto de Qingdao, na China.

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Veja as principais altas da semana abaixo:

CÓDIGOEMPRESAPREÇO (R$)VARIAÇÃO SEMANAL
GOLL4Gol PN           27,05 17,81%
YDUQ3Yduqs ON           36,67 14,59%
CVCB3CVC ON           20,54 14,43%
AZUL4Azul PN           42,00 13,85%
EMBR3Embraer ON             9,37 13,58%

Ações de exportadoras, como Suzano, Marfrig e BRF tiveram uma semana negativa com o alívio contínuo na taxa de câmbio.

Papéis de e-commerce cederam à realização de lucros em meio à rotação setorial desde que a perspectiva de imunizante contra a covid-19 tornou-se iminente, e Magazine Luiza ON, player cujo crescimento no segmento acelerou significativamente no período, caiu 2,2%. Via Varejo ON recuou 1,35%.

Empresa já chamada como "à prova de crise", o papel da fabricante de equipamento elétricos Weg também amargou perdas no período — no ano, no entanto, possui alta de 110%.

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Confira as principais baixas:

CÓDIGOEMPRESAPREÇO (R$)VARIAÇÃO SEMANAL
CSAN3Cosan ON           76,30 -7,18%
WEGE3Weg ON           71,80 -6,75%
TOTS3Totvs ON           26,11 -5,64%
BRKM5Braskem PNA           22,16 -5,46%
VVAR3Via Varejo ON           17,51 -5,30%

Dólar volta a cair

A grande mudança do dia se viu no mercado de câmbio.

O dólar à vista manteve hoje a trajetória de queda vista no mês passado, em que caiu 7%, somando às perdas da semana, na qual acumulou baixa de 4%. Se você quer saber por que o dólar está derretendo, pode conferir nesta matéria.

A moeda mais uma vez reagiu à presença de estrangeiros na B3, que continuam a voltar para mercados emergentes, e fechou em queda de 0,3%, aos R$ 5,1246, de novo no menor patamar desde 22 de julho.

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"É tudo sobre entrada de capital estrangeiro, fazendo com que esse dólar perca força", diz Gustavo Bertotti, economista-chefe da Messem Investimentos. "Permanece motivado por vacina etivemos uma volta nas negociações pelo estímulo fiscal, o que pesa na moeda."

A performance da moeda frente ao real se alinhou ao que se verificou diante de pares emergentes, contra os quais o dólar cedeu na sessão desta sexta.

Os juros futuros dos depósitos interbancários, por sua vez, fecharam mistos. As taxas mais curtas apontaram leve alta, mas os mais longos continuaram em um movimento de queda.

As taxas mais longas têm se descomprimido nos últimos dias refletindo a redução da percepção do risco fiscal pelos agentes financeiros, que reagem à sinalização de que o Renda Cidadã não será criado em 2020 nem o auxílio emergencial será estendido, além da votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) daqui a pouco mais de 10 dias.

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A recente emissão de títulos da dívida externa do Tesouro Nacional, com a qual foram captados US$ 2,5 bilhões, também ajuda a reduzir um pouco a inclinação da curva de juros, que implica grande risco de descontrole das contas públicas.

Veja os juros dos principais vencimentos:

  • Janeiro/2021: de 1,910% para 1,908%
  • Janeiro/2022: de 3,05% para 3,09%
  • Janeiro/2023: de 4,53% para 4,50%
  • Janeiro/2025: de 6,19% para 6,13%

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