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caso de polícia

Pela segunda vez, MPF denuncia Wesley Batista por insider trading

Ele e o irmão Joesley já respondem pelo crime em outra ação penal, referente aos ganhos ilegais obtidos com a venda e a recompra de ações da JBS e com negociações de outros contratos de dólar na mesma época

7 de maio de 2019
11:01 - atualizado às 12:01
JBS coimpra Seara
Brasil, São Paulo, SP, 10/06/2013. Retrato de Wesley Batista Ceo e presidente da JBS durante coletiva de imprensa para anunciar a aquisição da Seara Foods, no Hotel Ranaissance em São Paulo. - Imagem: WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou mais uma vez o empresário Wesley Batista pelo crime de insider trading — uso de informações privilegiadas para a obtenção de ganhos no mercado financeiro.

O empresário é suspeito de comandar operações cambiais em maio de 2017, à frente da Seara Alimentos e da Eldorado Celulose. À época, ele e o irmão Joesley haviam firmado acordo de colaboração premiada.

Após a divulgação das delações, a moeda norte-americana teve alta expressiva, o que rendeu ao empresário quase R$ 70 milhões a partir dos contratos de dólar negociados dias antes, segundo o MPF.

Os irmãos Batista já respondem pela prática do crime em outra ação penal, referente aos ganhos ilegais obtidos com a venda e a recompra de ações da JBS e com negociações de outros contratos de dólar na mesma época.

Wesley Batista era presidente da JBS na ocasião das movimentações financeiras. Ele chegou a ser preso e liberado na sequência e renunciou ao cargo. A família Batista é controladora da holding J&F, que na ocasião detinha o controle de empresas como Seara e Eldorado, que também têm operações investigadas no mercado financeiro na ocasião.

Transações atípicas

Posteriormente, relatórios periciais da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) demonstraram a atipicidade das transações realizadas. A Eldorado, por exemplo, adquiriu contratos de dólar a termo nos dias 9 e 16 de maio no valor total de US$ 280 milhões, equivalente ao triplo de todo o lucro obtido pela empresa no ano anterior.

Já a Seara efetuou a compra de dólar futuro no montante de US$ 25 milhões entre os dias 10 e 16 daquele mês, quantia 50 vezes superior à média das operações que a empresa vinha realizando no mercado cambial desde o segundo semestre de 2016. As datas coincidem com o período entre a celebração do acordo de colaboração premiada, no início de maio, e a divulgação de seu teor, no dia 17.

Como efeito da publicação das informações, a cotação do dólar futuro teve alta de 9% no dia 18, a maior elevação diária registrada em 14 anos.

“Sabedor dos impactos que tais informações causariam na economia do país – quais sejam: uma inevitável alta do dólar –, Wesley resolveu se beneficiar financeiramente da instabilidade econômica que seria ocasionada com a divulgação dos termos da colaboração premiada e das provas apresentadas”, disse uma da autoras da denúncia, a procuradora da República Thaméa Danelon.

Segundo o MPF, mensagens de texto entre Wesley e funcionários, analisadas a partir da apreensão do telefone celular dele, comprovam que o empresário foi o mandante das operações.

 

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