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Declaração ocorreu durante um dos vários atos realizados no país, onde milhares de pessoas marcham pedindo a queda de Nicolás Maduro
O líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, se declarou presidente interino do país durante um protesto contra o governo de Nicolás Maduro realizado nesta quarta-feira, 23. Em caráter simbólico, o atual presidente da Assembleia Nacional levantou sua mão direita e disse que estava "assumindo formalmente a responsabilidade do Executivo nacional".
A declaração ocorre em meio a vários atos realizados no país, onde milhares de pessoas marcham pedindo a queda de Maduro, que assumiu um novo mandato duas semanas atrás.
Logo após a fala de Guaidó, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, soltou um comunicado oficial reconhecendo o novo governo. De acordo com a nota, a Assembleia Nacional, fazendo uso de seu posto "legítimo" eleito pelo povo venezuelano, invocou a Constituição local para declarar o presidente Nicolás Maduro como "ilegítimo", o que deixaria a presidência vaga.
"O povo da Venezuela tem se pronunciado de modo corajoso contra Maduro e seu regime e exigido liberdade e o Estado de Direito", afirma a nota da Casa Branca.
Trump também afirmou que continuará a usar "todo o peso do poder econômico e diplomático dos Estados Unidos para pressionar pela restauração da democracia venezuelana". Ele diz ainda que encoraja outros governos do Hemisfério Ocidental a reconhecer Guaidó como presidente interino e trabalhar de modo construtivo com eles em apoio aos esforços do parlamentar para "restaurar a legitimidade constitucional".
"Nós continuamos a considerar o ilegítimo regime de Maduro como diretamente responsável por quaisquer ameaças que possam se apresentar à segurança do povo venezuelano", afirma Trump. A nota termina citando declaração anterior do próprio Guaidó, segundo a qual a "violência é a arma do usurpador" e há apenas uma ação clara a ser feita: "seguirmos unidos e firmes por uma Venezuela democrática e livre".
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O governo do Paraguai e da Colômbia também afirmaram ser a favor do governo Guaidó. O presidente paraguaio. Mario Abdo Benítez. usou sua conta no Twitter para firmar o apoio e disse que o líder oposicionista poderá contar com o seu país "para abraçar novamente a liberdade na Venezuela". Já o presidente da Colômbia, Iván Duque, que também participa do Fórum Econômico Mundial, disse que seu governo apoia e acompanhará o processo de transição.
De Davos, o presidente da República, Jair Bolsonaro, também afirmou que reconhece o líder da oposição venezuelana como o novo presidente do país.
"Todos nós conhecemos um pouquinho quem é Maduro. Há uma preocupação, sim, mas acredito que o Guaidó não receberá nenhum tipo de retaliação por parte do Maduro, até porque o mundo está de olho nisso. Os EUA já reconheceram também", disse o presidente.
Minutos depois, o Itamaraty informou que o Brasil "apoiará politicamente e economicamente a transição para a democracia na Venezuela".
O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, usou sua conta no Twitter para parabenizar Guaidó por assumir como "presidente interino" da Venezuela. Em nome da organização, Almagro afirmou que Guaidó "tem o reconhecimento para impulsionar o retorno do país à democracia".
Mais cedo, o secretário-geral da OEA havia condenado a repressão de Maduro e afirmou que a população local "reclama por sua liberdade e contra a tirania", além de defender o direito de protestos e manifestações públicas no país.
Logo após a repercussão internacional das declarações de Guaidó, Maduro fez um discurso em que qualificou o movimento do opositor como uma "tentativa de golpe" orquestrada pelos Estados Unidos. Segundo ele, o "governo imperialista" dos EUA busca impor um "golpe de Estado" e que, diante disso, estava rompendo relações diplomáticas com a administração de Donald Trump, determinando a expulsão do país de todos os diplomatas americanos em 72 horas.
"Um qualquer não pode se autointitular presidente, só o povo", ressaltou Maduro. Segundo o presidente, houve "eleições livres" na Venezuela em 15 de outubro, apesar das críticas ao processo de parte da comunidade internacional, inclusive do Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia, bem como de vários países, como os EUA. Por outro lado, o processo eleitoral foi apoiado por China, Irã, Rússia e Turquia, por exemplo.
Maduro afirmou que seu governo defenderá a soberania "a todos custo", com "o povo e as Forças Armadas". Ele lembrou que a Constituição não contempla qualquer forma de eleição de presidente que não seja o voto popular, portanto a atitude de Guaidó seria "uma questão para a Justiça, a fim de preservar o Estado".
*Com Estadão Conteúdo.
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